Liderança

O que o Mágico de Oz tem a ver com liderança

A protagonista Dorothy carregava todas as características de uma líder: coragem, empatia e criatividade. Só lhe faltava a consciência para se apropriar do poder que já detinha
Antonio Werneck é fundador e CEO da Makesense Ltda. Foi CEO, entre outras, da Reckitt Benckiser, Santher e Bombril, além de conselheiro da Cia. Muller de Bebidas e J. Macêdo.

Compartilhar:

Estamos em ritmo de Oscar! E o clássico *Mágico de Oz* (1939), estrelado por Judy Garland, além de levar duas estatuetas, é uma grande parábola sobre liderança trazendo um exemplo perfeito e profundo sobre as três qualidades dos líderes do futuro: coragem, empatia e criatividade!

Esse musical se desenvolve em um enredo repleto de seres mágicos, fadas, bruxas e, claro, Oz.

Um furacão arremessa Dorothy, nossa heroína, para a Terra de Oz onde começa sua aventura para regressar à família, no Kansas, nos Estados Unidos. Somente o poderoso Mágico de Oz seria capaz de ajudá-la! Dorothy logo faz amizade com três personagens: um leão medroso que deseja ter coragem, um homem de lata que chora por não ter um coração e um espantalho sem autoestima, pois acredita que lhe falta um cérebro.

Oz concorda em dar aos nossos heróis aquilo que almejam com a condição de que lhe tragam a vassoura de uma temível bruxa. E aí que a aventura acelera, com desafios e perigos que ameaçam nossa trupe.

Vitoriosos, os quatro levam a vassoura ao Mágico apenas para terem uma terrível revelação: Oz era apenas… um charlatão! Com truques pirotécnicos, assustava a todos criando uma mística de poder e mistério que o protegia de sua frágil verdade: um homem simples e vulnerável como qualquer outro.

Desiludidos, todos protestam, e Dorothy sente que nunca mais poderá retornar ao Kansas.

Contudo, Oz revela que, para vencer a bruxa, o leão demonstrou invejável bravura, o homem de lata, uma inquestionável compaixão, e o espantalho, uma criatividade ímpar, pois foi ele quem descobriu como derrotar a bruxa. E Dorothy descobre que os sapatinhos mágicos que usava poderiam tê-la transportado de volta ao Kansas em um passe de mágica.

Moral da história: Oz nunca deu nada aos quatro algo que eles já não tivessem! Foi na jornada e nas conquistas que nossos amigos, como um verdadeiro time, chegaram ao seu objetivo maior, obtendo aquilo que mais almejavam.

E o que isso tem a ver com liderança? Tudo!

Cada um dos três amigos de Dorothy carrega uma das três qualidades dos líderes do futuro: coragem, empatia e criatividade. Cada um deles coloca isso a serviço da missão de ajudar a protagonista no seu objetivo, unindo-se para vencer a bruxa, fonte de intermináveis adversidades (como qualquer negócio enfrenta constantemente).

Nossa líder, por sua vez, demonstra ter todas as três, pois ela mesma possui coragem, compaixão e argúcia para encontrar forças e prover soluções superando obstáculos. Ela acredita ser possível voltar para casa e, reconhecendo que não conseguiria fazê-lo sozinha, forma seu time para atingir seu objetivo.

Imbuída de uma grande integridade e de uma lealdade inabalável por seus três companheiros (colaboradores), Dorothy os ampara nos momentos difíceis, demonstra resiliência e aprende ao longo do caminho. Ela sabia motivar seus colegas a perseverar e se superar, celebrando a conquista de um deles como se fosse a conquista de todos.

Ora, não é atribuição do líder criar condições para que as pessoas se sintam seguras e amparadas para darem o melhor de si?

Por fim, Dorothy reconhecia suas vulnerabilidades, mas não se rendia a elas. Não tinha receio de demonstrar fragilidade e de pedir ajuda, aceitando com humildade aquilo que um ou outro lhe oferecia no caminho.

Dorothy liderou seus amigos por perigos e forças desconhecidas por ter clareza do propósito que a movia: voltar para casa. No fim, o leão descobriu que tinha coragem, o homem de lata, um coração, e o espantalho, um cérebro! À Dorothy faltava-lhe apenas a consciência para se apropriar do poder que já detinha.

Dorothy carrega todas as características de uma líder: coragem, compaixão, criatividade, integridade, lealdade, resiliência, vulnerabilidade, formando times com clareza de propósito, superando metas e celebrando com a equipe. Ela engajava e motivava seu time na busca do objetivo maior, articulando o sentido de propósito e comunicando de forma clara “porque estamos juntos” e “o que vamos fazer juntos” daqui para a frente. Ao articular uma visão de futuro, o líder deve encontrar mecanismos éticos e humanos de entusiasmar e levar as pessoas a buscarem a concretização daquela visão.

Creio que hoje há um novo paradigma de liderança, lúcida e genuína, que procura se instalar.

Quando CEO de uma grande empresa de produtos de limpeza, testemunhei, em um evento que promovi, 150 colaboradores colocarem post-its em um painel gigante seus próprios exemplos de talento e liderança, derrubando assim a falácia de que o mundo se divide entre líderes e liderados. Aqueles que não acreditavam ter as qualidades necessárias à liderança e se resignavam à uma postura passiva, despertaram para o líder dentro de si e para o fato de que todos temos a capacidade de influenciar a vida de outros.

Cabe ao líder, acredito, mobilizar e canalizar as emoções que fluem em uma organização para a consecução de uma finalidade prática e concreta, potencializando o talento individual em talento coletivo, de uma equipe autoliderada.

Compartilhar:

Artigos relacionados

74% das marcas poderiam desaparecer – e ninguém sentiria falta

No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

Inovação & estratégia
31 de maio de 2026 09H00
Este artigo revela por que a competitividade no setor automotivo está migrando da produção para a capacidade de prever, integrar e governar dados com precisão.

Lorena França - Account manager da A3Data

4 minutos min de leitura
Estratégia, User Experience, UX
30 de maio de 2026 14H00
Com o avanço do PL 5605/2019, este artigo mostra como a gestão de garantias e o pós-obra ganham nova centralidade no setor imobiliário, exigindo mais organização, rastreabilidade e maturidade operacional para reduzir conflitos e fortalecer a confiança do cliente.

Jean Ferrari - Engenheiro civil e CEO da FastBuilt

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema não está na tecnologia, mas na manutenção de estruturas organizacionais inchadas e pouco preparadas para extrair valor da nova lógica do trabalho.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo
29 de maio de 2026 15H00
O problema não é a falta de empreendedoras, é um sistema que ainda não foi feito para elas. Este artigo mostra por que a formalização ainda é um obstáculo estrutural - e como redesenhar o sistema para transformar negócios invisíveis em motores reais de desenvolvimento econômico.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

6 minutos min de leitura
Marketing, Inovação & estratégia
29 de maio de 2026 12H00
No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

Pedro Del Priore - CEO da Agência Ginga

4 minutos min de leitura
Estratégia, Marketing
29 de maio de 2026 08H00
Este artigo revela por que o diferencial das marcas deixou de ser produção e passou a ser sensibilidade - a capacidade humana de interpretar cultura, criar significado e, sobretudo, ser lembrada.

Maurício Mansur - Fundador da IAMKT

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de maio de 2026 17H00
Este é o segundo artigo de uma série que explora o setor farmacêutico brasileiro, suas capacidades industriais, dependências e posição na nova corrida global da saúde. Para sua elaboração, foram consideradas contribuições de Reginaldo Braga Arcuri, presidente executivo do Grupo FarmaBrasil, entidade que reúne algumas das principais fabricantes nacionais de medicamentos. Recomenda-se também a leitura do primeiro artigo da série.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

20 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
28 de maio de 2026 13H00
IA sem operação é só experimento caro. Este artigo revela por que a maioria das iniciativas ainda não gera impacto real - e como o verdadeiro desafio não está na tecnologia, mas na capacidade de estruturar, governar e operar processos em escala.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

3 minutos min de leitura
Estratégia, ESG
28 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra como o mercado voluntário de carbono foi da narrativa ambiental para a lógica de investimento - e por que empresas que ainda tratam o tema como reputação estão ignorando uma nova infraestrutura de valor global.

Eduardo Joaquim da Silva - Coordenador do Comitê Estratégico e Expansão de Negócios da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
27 de maio de 2026 17H00
Este artigo traz um compilado dos principais insights que emergiram da edição do ATD Summit 2026. Realizada em Los Angeles, entre os dias 17 e 20 de maio, as reflexões desse evento global precisam entrar, com urgência, na agenda de líderes e organizações.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão