Uncategorized

O que tira uma carreira dos trilhos

Era uma vez um profissional promissor que, de repente, é demitido, rebaixado ou fica estacionado em um patamar abaixo do que se esperava. O que deu errado? Para responder a essa pergunta, Carter Cast, professor de inovação e empreendedorismo da Kellogg School of Management, fez uma pesquisa – e encontrou cinco questões comportamentais que mais tendem a provocar acidentes de percurso e desvios em uma trajetória profissional.

Compartilhar:

**1 – PROBLEMAS INTERPESSOAIS**

Entre os fatores capazes de levar uma carreira a sair dos trilhos, este é o mais predominante e mais danoso. Isso porque, à medida que alguém avança profissionalmente, o relacionamento com os outros se torna mais importante que o conhecimento e o domínio das informações. A confiança passa a ter um peso maior na comparação com as competências técnicas.

Há duas categorias de problemas interpessoais: as questões de relacionamento propriamente ditas, e as dimensões obscuras da personalidade. 

No que diz respeito à forma com que o profissional se relaciona com as outras pessoas, as cinco características comportamentais negativas mais comuns, em ordem descendente de importância, são: 

1. atitude defensiva;

2. falta de compostura em situações de estresse;

3. falta de sensibilidade para com os sentimentos  dos outros;

4. ambição em excesso;

5. arrogância.

Na categoria das dimensões obscuras de comportamento, estão 11 características negativas que costumam estar profundamente entranhadas em muitas lideranças, afetando diretamente suas ações. São:

1. arrogância;

2. propensão ao melodrama;

3. volatilidade;

4. excesso de cautela;

5. desconfiança crônica;

6. indiferença;

7. indisciplina;

8. excentricidade; 

 9. resistência passiva;

10. perfeccionismo;

11. ânsia de agradar.

**2 – BAIXO NÍVEL DE ENTREGA**

Este é um comportamento que afeta a credibilidade pessoal e tem origem em cinco fatores: 

1. Falta de planejamento e organização;

2. Dificuldade de estabelecer prioridades, entre o que tem alto impacto para a empresa e as tarefas mais corriqueiras;

3. Dificuldade em dizer “não”, o que leva à sobrecarga de trabalho;

4. Falta de compreensão sobre os processos internos e os fluxos de trabalho.;

5. Complexo de superioridade, que afeta pessoas muito criativas que se envolvem demais com as etapas conceituais e não se dedicam adequadamente à execução.

**3 – NÃO ADAPTAÇÃO À MUDANÇA**

A maioria das lideranças cujas carreiras saíram dos trilhos é descrita como incapaz de mudar ou de se adaptar. Três fatores principais costumam ser os gatilhos para isso:

1. Ser promovido sem as capacidades necessárias ou sem o tempo para compreender os requisitos da nova função. Muitas pessoas também têm dificuldade de entender e aceitar mudanças fundamentais no cenário organizacional.

2. Dependência excessiva em relação a um chefe ou a uma figura protetora. Quando perdem essas referências, as pessoas têm dificuldade de se adaptar a uma nova agenda ou um novo estilo de gestão.

3. Há quem mostre resistência em buscar orientação ou aceitar o direcionamento recebido.

Medo da mudança, interesses muito restritos, falta de curiosidade e resistência ao novo são outros gatilhos.

**4 – FALTA DE ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA**

Nesse caso, há três componentes essenciais:

1. Depender excessivamente de uma habilidade. Significa não dar a devida importância à ampliação do conjunto de capacidades, ficando restrito à expertise em certas áreas. E,“para quem só tem martelo, todo problema é prego”.

2. Não ser estratégico. Inclui não compreender o contexto estratégico, ser técnico demais em suas abordagens, preocupado apenas com os detalhes dos projetos, e se ressentir de uma visão mais abrangente sobre como as diversas partes da organização se encaixam.

3. Apresentar uma deficiência de formação. Na prática, significa não contar com a capacitação essencial para ter sucesso na posição que ocupa. Isso pode ocorrer por diversas razões, como achar que é muito tarde para adquirir novos aprendizados ou, no outro extremo, ainda ser muito inexperiente.

**5 – DIFICULDADE PARA CONSTRUIR E LIDERAR EQUIPES**

Os principais entraves que ameaçam as carreiras neste front das equipes são:

**Excesso de gestão _(overmanaging)_.** Líderes que centralizam tudo e querem controlar detalhes não empoderam suas equipes. Seus subordinados perdem o senso se autonomia e o desejo de tomar iniciativas.

**Falta de liderança.** Gestores assim não transmitem adequadamente as prioridades do negócio nem apresentam o contexto estratégico das tarefas que passam. E a equipe não entende como seu trabalho se encaixa no movimento geral da organização.

**Falta de gestão de equipe.** Precisa ficar claro: gerenciar os membros de uma equipe um por um não é a mesma coisa que gerenciar uma equipe. 

Gerenciar de verdade uma equipe inclui fazer a gestão do contexto em que ela atua, a saber:

1. Monitorar o ambiente competitivo  e fazer ajustes baseados nas avaliações que vão sendo feitas.

2. Garantir os recursos de que a equipe necessita.

3. Assegurar o alinhamento de estratégia e projeto com as demais áreas da organização.

4. Garantir que objetivos e indicadores de desempenho da equipe estejam claramente definidos – e sejam cumpridos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O tamanho da sua bolha define o tamanho das suas decisões

Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.

O que os Niyamas podem ensinar sobre consciência, disciplina e evolução organizacional

Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Cultura organizacional
2 de outubro de 2026 08H00
Medo e pressão são ótimos para o resultado. Desde que você não precise das mesmas pessoas no trimestre seguinte.

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução