Diversidade

O teste das opções desaparecidas

Chip Heath, professor da Stanford University e autor do best-seller Gente que resolve, sugere essa e outras medidas para aperfeiçoar o processo de tomada de decisão

Compartilhar:

**Por que não tomamos decisões melhores?**

Os psicólogos já passaram muitos anos estudando todos os tipos de vieses que temos e descobriram que existem algumas formas básicas de pensar o mundo que nos levam a conclusões erradas. 

Por exemplo, enxergamos as decisões de maneira muito restrita. As pessoas em geral imaginam apenas uma alternativa quando estão decidindo algo. Temos de pensar mais amplamente e contar com múltiplas opções no processo de tomada de decisão. Mas como fazer isso? O segredo está em se obrigar a descobrir uma segunda alternativa, o que geralmente não é difícil, uma vez que você se discipline para isso. 

Um dos melhores “truques” que aprendemos é o que chamamos de “teste das opções desaparecidas”. Pergunte-se: “O que aconteceria se a alternativa em que estou pensando desaparecesse de repente? O que mais eu poderia fazer?”. Quando você não se obriga a fazer isso, seu cérebro continua se concentrando em apenas uma opção para descobrir se você deve seguir, ou não, nesse caminho. 

Nós fizemos o teste das opções desaparecidas com muitas pessoas e descobrimos que, em cerca de 80% dos casos, elas são capazes de apresentar algo muito melhor do que o que haviam pensado inicialmente. E isso em apenas três minutos, mesmo que tenham passado semanas angustiadas. 

**Saiba mais sobre Chip Heath**
**
Quem é:** Professor da escola de negócios de Stanford, especializado em estratégia e organizações.
**Livros:** Gente que resolve, Switch: how to change things when change is hard e Made to stick: why some ideas survive and others die.
**Negócio em família:** Chip costuma escrever em conjunto com o irmão Dan, que é fellow da Duke University e envolvido com mudança e empreendedorismo.

**Algumas das decisões mais difíceis que temos de tomar envolvem desapego, como descontinuar uma linha de produtos ou pedir o divórcio. Como torná-las mais fáceis?**

Com frequência, temos de desistir de algo a fim de conseguir outra coisa que, esperamos, será melhor. Empiricamente, a novidade tem de ser duas a quatro vezes superior ao que havia antes para a pessoa superar a sensação de perda e se decidir por ela. Isso porque há um princípio básico chamado “aversão à perda”, o que significa que pessoas preferem não perder a ganhar. Daniel Kahneman e Amos Tversky descobriram que as perdas são duas a quatro vezes mais dolorosas para nosso cérebro do que os ganhos equivalentes são prazerosos. 

**Além da aversão à perda, que outros vieses cognitivos sabotam nossa capacidade de decidir?**

Em minha avaliação, o maior deles – e um dos mais difíceis de mudar – é o que diz respeito à “confirmação”. Ao viver uma situação, coletamos várias informações sobre as opções que temos, ou seja, o que devemos fazer ou levar em consideração. O viés da confirmação é nossa tendência a reunir informações de acordo com as hipóteses que tínhamos antes. 

Digamos que você adore comida tailandesa e um novo restaurante desse tipo é inaugurado na cidade. Você pode até ler as críticas para se informar, mas, na verdade, tende a enxergá-las pelo lado bom ou até superestimá-las, porque quer que o novo endereço de comida tailandesa seja bom. 

Escapar desse viés é muito difícil. O segredo é aprender a se fazer perguntas de “desconfirmação”, ou seja, a testar se uma ideia oposta a sua hipótese pode ser verdadeira. 

No ambiente de trabalho, também podemos fazer isso, perguntando, por exemplo: “Há muitas razões para essa fusão, mas o que poderia nos levar a não fazê-la?”. É claro que, nas organizações, mesmo que as questões de “desconfirmação” sejam úteis para tomar decisões melhores, corre-se o risco de parecer estar jogando contra o time. 

Os presidentes de empresas nem sempre ficam satisfeitos quando alguém levanta um argumento contrário a uma ideia com a qual está especialmente animado. No entanto, exatamente por isso é relevante fazer perguntas de “desconfirmação” e tomar essa atitude de modo mais tranquilo. Você pode começar levantando essas questões com sua equipe como parte do processo de planejamento do projeto ou até mesmo tentando visualizar tudo o que pode dar errado. Ao incluir essas práticas como parte da atividade, ninguém fica obrigado a assumir o papel de “advogado do diabo”. 

**Em sua opinião, por que as ideias da ciência cognitiva passaram a atrair tanto as pessoas no mundo dos negócios?**

Entendemos a importância de nossos estudos nessa área quando o professor Kahneman ganhou o Prêmio Nobel, em 2006; ele nos fez pensar sobre como levar essas ideias do mundo acadêmico das pesquisas para o ambiente de trabalho e para a vida real das pessoas. 

E, quando as ideias da ciência cognitiva chegaram ao mundo dos negócios, percebemos que os ganhos podem ser enormes, e os custos, muito pequenos. 

Se você perguntar a um grupo de líderes globais de empresas de ponta sobre o processo de tomada de decisão em suas organizações, cerca de 50% responderão que erram tanto quanto acertam. É uma estatística chocante e, ao mesmo tempo, evidencia que o esforço de tomar decisões de modo melhor pode ter um retorno significativo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

76% das organizações já têm um Chief AI Office (CAIO). E agora, qual é o papel do CEO?

Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Empresa familiar sem governança é refém do fundador; com governança, vira legado

O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

A NR-1 perguntou sobre o trabalho. A empresa respondeu sobre as pessoas.

A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

A equipe de marketing do futuro pode caber em uma pessoa

Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo