Uncategorized
Oferecido por:

Ocasião sem ladrão

O desejo inespecífico de mudança da sociedade brasileira precisa ficar específico nas empresas; valores dos quais as pessoas possam se orgulhar devem ter o mesmo peso de visão de futuro e competência de execução
PhD, sócia fundadora da BTA, consultoria em desenvolvimento empresarial, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil. Além disso, Betania é professora da PUC Minas Gerais e do Insead, da França, autora de 13 livros e coautora de Estratégia e Gestão Empresarial, com Sumantra Ghoshal, entre outros.

Compartilhar:

Oano vem terminando e debatemo-nos de maneira surda com um desejo inespecífico de mudança. Mas, se queremos que o Brasil seja um país sério, uma sociedade madura, um povo que luta por um ambiente justo, está claro, a meu ver, o que precisamos mudar: alguns de nossos valores. Um dos que mais me chamam a atenção é bem representado por um ditado popular: “A ocasião faz o ladrão”. Precisamos ressignificar esse pensamento, convertendo-o em: “A ocasião revela o ladrão”. É o que a realidade mostra: uma circunstância tal denuncia o ladrão, nos permite ver quem ele é, tira-lhe o véu. 

Mudar essa velha crença é mais importante do que nunca no Brasil atual. Parece que estamos chegando ao limite dos delatos de esperteza, da mistura nefasta do que é público com o que é privado, dos valores familiares. Neste momento de sua história, a sociedade brasileira está prestes a perder valores fundamentais, entre os quais alguns de ordem ética e moral ocupam posição de destaque. Essa discussão sobre mudança tem de estar fortemente presente no ambiente empresarial. É nele que se fala em colaboração, mas na surdina pratica-se a competição desleal. É nele que se prega o bem comum, mas cada um se preocupa, em primeiro lugar, com sua meta individual, muitas vezes conflitante com a do vizinho. É nele que se exaltam o respeito pelas pessoas e sua importância para a empresa, mas o que elas percebem, de fato, é que se tornaram descartáveis. E por aí vai. Agir em conformidade com os procedimentos recomendados na empresa? Seguir leis e regulamentos? Tudo é relativizado. 

Enquanto isso, as áreas de compliance –cuja efetividade, é bom lembrar, relaciona-se diretamente com padrões de honestidade e integridade– têm cada vez mais trabalho… O maior desafio de mudança que temos nas organizações brasileiras atuais está em saber combinar visão de futuro (também podemos chamá-la de propósito ou de ambição) e competência de execução com outro elemento fundamental: valores dos quais as pessoas possam sentir orgulho. 

O que move os indivíduos na direção de um projeto são seus ideais, seu desejo de construir algo, seu entusiasmo em mudar o curso de uma história. E, para isso, não vale qualquer acordo, nem qualquer iniciativa; esse movimento tem de ser baseado em valores sólidos. Há quem fale com orgulho que não rouba, não trapaceia, não quer tirar vantagem, como se esses comportamentos fossem atributos elogiáveis. Conforme tal raciocínio, as pessoas mereceriam um prêmio por ser honestas… Isso se traduziria em valores sólidos? Não. Isso só confirmaria a perspectiva de que todos têm seu preço. Eu, pessoalmente, não compartilho dessa perspectiva, assim como não acredito que a ocasião faz o ladrão. Mudar essas crenças é um de nossos desafios na construção de nossas famílias, de nossas empresas, de nosso país.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

O próximo Pix será de competências

Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução