Tecnologia e inovação

Organizações buscam a maturidade digital para sobrevivência

Para entender o nível de maturidade digital de uma empresa, é necessário avaliar de forma ampla os impactos da transformação, olhando para dentro e fora da organização.

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O amadurecimento de tecnologias e plataformas digitais já vinha acelerando a transformação de modelos de negócios e modificando a dinâmica dos mercados. Mas em meio a mudanças profundas na sociedade e no mercado provocadas pela pandemia da Covid-19, muitas empresas foram colocadas a prova e não passaram no teste. [De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE](https://brasil.elpais.com/brasil/2020-07-19/716000-empresas-fecharam-as-portas-desde-o-inicio-da-pandemia-no-brasil-segundo-o-ibge.html), no Brasil, mais de 716 mil empresas fecharam as portas desde o início da quarentena. 

Por outro lado, quem já vinha investindo e apostando não só em tecnologias, mas também em métodos e processos ágeis, cultura organizacional aberta à inovação, assim como a captura e utilização estratégica dos dados e criação de novos modelos de negócios, deve ter visto nos desafios impostos pelo isolamento social repentino uma oportunidade de acelerar ainda mais o seu processo de transformação digital. 

No [CESAR](http://www.cesar.org.br), nós acreditamos que a Transformação Digital é justamente a mudança dos modelos operacionais de empresas tradicionais (analógicas) para o mundo híbrido analógico-digital provocada pelas pessoas, como colaboradores e consumidores, que são empoderadas por plataformas digitais. A partir desta visão, construímos uma metodologia que analisa a maturidade digital das organizações a partir de 8 perspectivas: Cultura e Pessoas, Consumidores, Concorrência, Processos, Inovação, Modelos de Negócios, Dados e Ambientes Regulatórios e Tecnologias. 

Baseado nesta metodologia, criamos o ICTd – Índice CESAR de Transformação Digital. Lançado em abril de 2019, o índice vem mapeando a percepção de diversos gestores de organizações nos mais variados setores da economia, apontando resultados interessantes para avaliar o cenário brasileiro em relação às estratégias digitais. Fato é que 53% dos executivos que responderam a pesquisa na época indicaram que acreditavam estar longe ou muito longe de uma organização digitalmente transformada. Passados seis meses da pandemia, os resultados preliminares de 2020 já mostram uma queda neste resultado, passando a 47% dos respondentes. 

**Nível de maturidade digital das empresas pré-pandemia – resultado do ICTd em 2019**

![](https://lh5.googleusercontent.com/f-lwlPcVusOc7nQP5FTD5hri133zay5zrE-t5CxPBgFzHdnVSjoGfHCZeGHYJhq2VRm6P-knUpiusbCMoY_taOtTOhQUEJVXQVli1sXTvj9eW6Alc0a2QPVw2TtqBeaYLtIg_A3wp1InYD2euQ)

Resultado da pesquisa realizada de abril a dezembro de 2019 com 1042 respondentes

Antes da pandemia, o índice médio de maturidade digital das organizações participantes da pesquisa era, de 59,71% – sendo 0% uma empresa totalmente analógica e 100% uma organização totalmente transformada digitalmente. Esse  resultado já indicava que as empresas já estavam desenvolvendo algumas estratégias de transformação digital, mas ainda pouco articulada com a estratégia geral da organização. 

Na época, o eixo que se mostrou com maior maturidade foi o de Cultura e Pessoas, com 65,11% de resultado global, alavancado pelo resultado de 75,43% que apontaram que a liderança tem um claro entendimento de como as tendências digitais e tecnologias emergentes têm mudado o cenário de atuação da organização.  

Porém, quando se fala em equilibrar bem a cobrança e os estímulos por resultados de curto, médio e longo prazos, apenas 49,47% dos gestores acreditam que a empresa consegue equilibrar, deixando claro que boa parte das organizações é muito focada em resultados impedindo o estímulo a uma cultura mais voltada à inovação.

O eixo com maturidade mais baixa foi o de Dados, com 54,03% de resultado global. Foi indicado que boa parte das organizações (70, 40%) considera estratégico o uso de Dados, porém 58,52% dos respondentes afirmam não possuírem estratégias bem definidas para o gerenciamento e armazenamento de dados aderentes à [Lei Geral de Proteção de Dados](https://revistahsm.com.br/post/privacidade-de-dados-lgpd-e-filosofia-estamos-realmente-preparados) (LGPD). Fato que se torna mais desafiador sabendo dos avanços da aprovação da lei para este ano.

## Os oito eixos da transformação digital segundo o CESAR 

Migrar para o digital não se trata apenas de mudanças na oferta, já que organizações inteiras estão sendo completamente reescritas para continuarem sendo relevantes. Para entender o nível de maturidade digital de uma empresa, é necessário avaliar de forma ampla os impactos da transformação, olhando para dentro e fora da organização. Os oito aspectos que apresentamos em nossa metodologia de [Transformação Digital](https://revistahsm.com.br/post/transformacao-ou-disrupcao-digital), são:

### Cultura & Pessoas

É a perspectiva do ser humano em relação às mudanças na era digital, tanto no papel de líder-autor das transformações como no de instrumento nas novas configurações das sociedades e dos negócios, com foco em práticas de inovação e empreendedorismo transformador dentro das organizações.

### Consumidores

A vida em rede e o novo ecossistema de comunicação mudaram a forma de nos relacionarmos. A jornada do consumidor, o marketing digital, branding e e-branding são essenciais para entender, capturar e satisfazer o novo consumidor digital.

### Concorrência

Na era digital, as fronteiras da competição já não são mais as mesmas. Mesmo as empresas mais diligentes e preparadas podem sofrer com ataques de competidores mais ágeis, inesperados e assimétricos.

### Inovação

A inovação tem outros métodos e processos. Saímos de um mundo onde as empresas desenhavam e lançavam sozinhas seus produtos no mercado para um mundo de cocriação e de contínua experimentação. A regra é aprender rápido! E inovar continuamente.

### Processos

Procurar entender como as empresas se envolvem digitalmente com fornecedores e estão propensas a usar software para gerenciar suas operações internas, otimizar o uso de ativos físicos e os relacionamentos com clientes e fornecedores;

### Modelos de Negócios

As tecnologias digitais são ferramentas que permitem acessar novos mercados e encontrar novas maneiras de crescer. Modelos de negócios assimétricos são os principais agentes de disrupção de negócios estabelecidos. Entender e modelar novos modelos de negócios a partir da jornada da Transformação Digital é essencial para a sobrevivência das organizações;

### Dados

São de extrema relevância para a estratégia e tomada de decisões das organizações atuais. Mas poucas sabem como [extrair valor deles](https://mitsloanreview.com.br/post/em-busca-do-dado-de-qualidade) e, ao mesmo tempo, assegurar os direitos intelectuais em ativos digitais, a privacidade e a segurança dos consumidores;

### Tecnologias

Por fim, para ter sucesso na era digital, as organizações precisam ir além de conhecer as tecnologias digitais (como IoT, Big Data e Inteligência Artificial) e se empoderar delas, pois constituem a força da competição.

O Índice CESAR de Transformação Digital oferece um diagnóstico imediato de maturidade digital e está no ar em parceria com a Revista HSM Management com uma nova edição que busca compreender os impactos das rápidas transformações potencializadas pela pandemia. [Clique aqui](https://hsm.transformacao.cesar.org.br/) para participar e além de receber na hora o seu resultado, tenha acesso com exclusividade ao relatório final que será lançado em breve.

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