Liderança

Os 10 Cs do líder exponencial

São habilidades que permitem absorver mudanças rápidas complexas e se adaptar a elas para gerar resultados, mesmo em um cenário de incertezas. Ao contrário do que se pensa, não é só o domínio de tecnologias e dados
Tonia Casarin é mestre em liderança com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais pela Columbia University (NY), pesquisadora, palestrante e autora. Atualmente, mora no Vale do Silício e trabalha com consultoria e desenvolvimento de lideranças.

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O que significa ser líder em um mundo tão dinâmico e em constante mudança, por conta da revolução nas relações pessoais e de trabalho proporcionada pela transformação digital?

No contexto atual, em que os processos, comportamentos e mindsets precisam ser revistos quase que o tempo todo, aquele antigo conceito da liderança pautada no comando e controle já não faz mais sentido.

A sociedade de hoje já demanda uma liderança exponencial, e mais humana, com gestores aptos a absorver mudanças, por mais complexas que sejam. É a liderança do futuro que já se desenha no presente, em que os líderes não são pessoas que “mandam”, mas agentes de transformação positiva em si mesmo, no outro, no time e no mundo.

Qual a diferença? Na mentalidade antiga de trabalho e liderança, somos constantemente cobrados para fazer “mais com menos”, ou seja: produzir mais em menos tempo, vender mais, criar mais, e gerar resultado o tempo todo. Isso faz com que as pessoas dediquem sua energia para além do saudável no trabalho, trazendo impacto negativo para a saúde mental, e prejuízo para toda a equipe em geral.

O termo “exponencial” qualifica o ritmo e a expectativa que têm sido impostos em vários ambientes. Mas é no local de trabalho que a pressão pelo exponencial e pelo escalável se intensifica. O avanço rápido das tecnologias e a busca frenética das empresas pela transformação digital faz com que as pessoas dediquem energia para além do saudável em busca do sucesso na carreira. O que fica cada vez mais caro, no entanto, é que todo esse esforço ignora a melhor tecnologia que temos à disposição: a humana.

Diversas pesquisas comprovam que a pressão excessiva por produtividade e resultado pode desencadear estresse e até transtornos psicológicos mais graves, como ansiedade e depressão e síndrome de burnout que, segundo dados recentes da OMS, atinge 32% dos profissionais com sintomas de estresse no Brasil. O problema muitas vezes é decorrência da pressão por parte da liderança e também do próprio funcionário, que, por medo de perder o emprego ou de ser mal avaliado em sua performance, dedica-se ao extremo.

Outro ponto que não pode ser deixado de lado é o desafio cada vez maior para atrair e reter novos talentos que se tornarão líderes, considerando que a nova geração busca e prioriza a realização pessoal e o propósito no trabalho. Foi-se o tempo em que os jovens aspiravam por um alto cargo de liderança em uma empresa X, para terem status e um alto salário, mas cumprindo funções e envolvidos em uma rotina com a qual não se identificam realmente.

De acordo com relatório da multinacional Workhuman de 2019, colaboradores de todas as faixas etárias, das mais diversas empresas, afirmam estar em busca de pertencimento, significado e propósito no trabalho. Isso significa conectar tarefas do dia a dia a uma missão maior da empresa, que, por sua vez, é totalmente alinhada com os valores pessoais de cada trabalhador.

A busca por propósito resulta em novas relações de trabalho, na qual a inovação – seja das lideranças, dos times ou das próprias empresas – é protagonista. Mas só é possível inovar errando (e em alguns casos, muitas vezes). Porém, o erro ainda é visto no ambiente corporativo como algo a se evitar e a se esconder; sendo que deveria ser incentivado e considerado como uma etapa importante do aprendizado. O profissional que tem medo de errar não arrisca e, com isso, não inova. Por isso, é fundamental que a organização entenda que o erro faz parte do processo e acolha os erros do time, sem tratá-los como “condenáveis”.

Os novos formatos de trabalho – remoto ou híbrido, que foram adotados pela grande maioria das empresas durante e após a pandemia de covid-19 –, também representam um desafio para a liderança. Como se manter próximo da equipe sem aquela pausa para o café no meio da tarde, sem os almoços coletivos e happy hours “de última hora”? Essas interações e confraternizações passaram a ter data certa e hora marcada, tirando a espontaneidade desses encontros. E, embora não impeça que os colaboradores interajam entre si, certamente exige que o líder seja proativo e crie tais oportunidades.

## Tudo isso você já sabia. Mas… qual a chave para promover a mudança?
Em outras palavras, o que fazer para não sucumbir à pressão por resultados a qualquer custo, e à falta de diálogo, transparência e feedback adequados no ambiente corporativo? O que fazer para buscar novos mindsets, mais alinhados com as necessidades dos dias de hoje e do futuro, despindo-se das antigas crenças?

É necessário, ao menos será em muitos momentos, mudar não somente uma situação específica, mas as pessoas, pois quando mudamos, o ambiente também se altera. Mas, para que essa “virada de chave” das pessoas aconteça, é necessária uma adaptação aos novos tempos, onde a figura da liderança exponencial tem papel de destaque.

A liderança exponencial é a convergência entre a inovação e a tecnologia humana, como estratégia para que líderes abertos a mudar sua mentalidade e seus comportamentos possam desenvolver competências que sejam à prova de futuro. O chamado “líder do futuro” possui as habilidades necessárias para absorver mudanças rápidas complexas, e se adaptar a elas para promover melhores resultados para a empresa, mesmo diante de um cenário de incertezas em que inovar não é opção, e sim obrigação para a sobrevivência do negócio.

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## Os 10 Cs da liderança exponencial
Como fazer com que a liderança deixe o melhor legado possível para o amanhã? Em primeiro lugar, a liderança do futuro está aberta a mudar mentalidade e comportamentos, para desenvolver competências que sejam à prova de futuro. Daí a importância de trabalhar as competências que somente nós, humanos, temos, e que as máquinas nunca serão capazes de imitar. Pensando em traçar alguma espécie de “caminho das pedras”, criei a metodologia dos dez “Cs” da liderança exponencial: consciência, cuidado, confiança, compaixão, colaboração, causa, curiosidade, criatividade e coragem.

### 1. “C” de consciência
O primeiro C é o da “consciência”, e não está em primeiro lugar por acaso. Líderes precisam se abrir para um processo de autoconhecimento, e admitir que suas atitudes impactam não somente sua própria vida, como também as daqueles com os quais se relacionam no dia a dia. A partir deste ponto, devem transformar esse conhecimento em um pilar fundamental para as tomadas de decisões. Quando isso acontece, profissionais e negócios podem não apenas alcançar resultados mais relevantes, mas também decidir como irão alcançá-los, criando uma jornada que será virtuosa para todos e para o mundo.

Ao se reconhecer internamente como um agente transformador, o líder consegue lidar melhor com as pressões por produtividade, estreita os relacionamentos, ganha mais confiança e ainda evita situações de esgotamento e estresse, pois entende que o bem-estar está acima do trabalho, e passa a priorizá-lo.

### 2. “C” de cuidado
Outra habilidade importante do líder do futuro é o “cuidado”. Quando existe uma cultura de cuidado, cria-se um espaço de confiança que ajuda as pessoas a crescerem e entregarem resultados cada vez melhores. E o que esses líderes fazem é mostrar que se importam com sua equipe. Não basta ser o líder carismático, ou aquele que conversa com todos e abre um sorriso diariamente, todas as manhãs.

Porém essa habilidade vai muito além do que foi descrito acima. Trata-se de conseguir transmitir para a pessoa que está do outro lado o quanto ela é importante para o grupo, o quanto é ouvida, dando-lhe segurança para que se desenvolva como profissional. E entendendo que todos precisam ser cuidados. Afinal, cuidar não significa dar assistência, mas sim mostrar que o líder se importa com as pessoas que estão ao seu lado, como uma equipe, e que todos estão trilhando uma mesma jornada.

### 3. “C” de confiança
Líderes do amanhã também precisam ter “confiança”, para dessa forma acreditarem no potencial e nas habilidades – de si mesmo e do time. Equipes em um ambiente de confiança não têm medo de errar nem de admitir o erro, pois sabem que ele será usado como aprendizado.

A real liderança começa não quando os outros confiam em você, mas quando você confia em si mesmo. Mas a liderança realmente não é sobre o eu. Trata-se de capacitar outras pessoas como resultado de sua presença, e garantir que o impacto de sua liderança continue, mesmo durante a sua ausência.

### 4. “C” de compaixão
Um ponto-chave para melhorar a relação consigo mesmo e com o seu time, e inspirar outras pessoas, é a “compaixão”. Isso significa que a pessoa é emocionalmente solidária, tanto para si quanto para os outros, quando as dificuldades ou a imperfeição humana são confrontadas. A compaixão é uma maneira amável de nos relacionarmos com nós mesmos, e ela começa pela maneira como tratamos a nós mesmos, ou seja, pela autocompaixão.

### 5. “C” de conexão &
### 6. “C” de colaboração
Não podemos nunca esquecer “conexão” e “colaboração”, duas habilidades (interligadas) que toda liderança exponencial precisa ter. Quando um time está conectado, anda na mesma direção, comunga da mesma linguagem (mesmo que tenha ideias diferentes) e consegue fazer do ambiente de trabalho um local mais agradável para todos, sem perder a produtividade. Aliás, se todos se movem em prol de um mesmo objetivo, a tendência é que a produtividade aumente. E o que faz um time estar conectado é a colaboração entre todos. Quando o time está entrosado, as pessoas confiam mais umas nas outras, e o líder sabe que pode delegar, pois conhece o potencial de cada um. Assim, o clima da organização fica mais saudável.

### 7. “C” de causa
Essa é uma habilidade imprescindível. Ela é o motivo pelo qual acreditamos que vale a pena fazer aquilo que fazemos, seja em nossa vida pessoal como profissional. É pela causa que os colaboradores escolhem trabalhar para uma empresa, é por ela que eles se sentem motivados para acordar todos os dias e começar seu dia de trabalho, porque veem sentido e significado nas atividades que estão desempenhando

### 8. “C” de curiosidade &
### 9. “C” de criatividade
Curiosidade e criatividade são importantes para o crescimento dos negócios e para mudanças transformadoras. Enquanto a curiosidade é a habilidade de aprender, de fazer perguntas para explorar o desconhecido e buscar soluções inovadoras, a criatividade é a habilidade de realizar essas soluções – ou seja, ela ajuda a tornar tangível aquele conhecimento que foi descoberto pela curiosidade.

Curiosidade e criatividade estão interligadas. Sem a curiosidade, a criatividade fica atrofiada. Se você pensa em se tornar uma liderança exponencial, precisa deixar que a curiosidade e criatividade caminhem de mãos dadas.

### 10. “C” de coragem
A coragem é um caminho para viver sua autenticidade, confiar em si mesmo e desbloquear suas próprias defesas. Coragem para ir contra um sistema que se baseia apenas na divisão de lucros. Claro que trabalhamos em busca de retorno financeiro, e que todas as empresas também têm esse objetivo, mas para alcançá-lo não precisamos de colaboradores trabalhando 12, 13, 14 horas por dia, no limite da exaustão, com mil cobranças, com o lado psicológico abalado.

Assumir a coragem de enfrentar essas novas transformações, sem ter certeza das respostas, motiva a liderança exponencial a assumir seu próprio poder de transformação individual, fazendo algo de positivo com ele.

## Ser líder do futuro: sonho ou meta?
Os dez “Cs” que apresentei acima formam um conceito inédito que criei a partir de minhas pesquisas, estudos e entrevistas com lideranças do Vale do Silício e do Brasil. e que são abordados em meu novo livro *Liderança Exponencial- a transformação humana é o motor dos líderes do futuro*.

Também usei como referência minha própria busca para ser uma melhor líder. No final das contas, percebi que ser um melhor líder é ser uma pessoa melhor. E é justamente sobre isso que se trata a liderança exponencial. Afinal, a liderança é uma escolha e começa dentro de cada um. A liderança do futuro é intencional e humana. Essas competências ajudam a direcionar para o caminho que nos conduzirá à liderança que tanto precisamos.

A TÃO ALMEJADA LIDERANÇA DO FUTURO ESTÁ AO ALCANCE DE TODOS? Se for pensar em responder sim ou não, eu diria que com certeza __SIM__. Acredito, com a mais profunda sinceridade, que qualquer líder, seja ele jovem ou de mais idade, pode se dedicar a ser um gestor mais humano e mais sintonizado com as necessidades do presente e do futuro, se desvencilhando a cada dia dos modelos ultrapassados do que é estar à frente de uma equipe, e do que é eficiência.

Por meio do autoconhecimento, todo e qualquer líder pode deixar de lado os modelos e as ideias pré-concebidas, desejando e permitindo-se aprender e tornar-se um líder a cada dia melhor.

LEIA MAIS SOBRE HABILIDADES:
[12 habilidades à prova de futuro](https://revistahsm.com.br/post/a-inovacao-a-partir-das-nossas-12-habilidades-a-prova-do-futuro)

[Liderança exponencial, uma visão holística](https://revistahsm.com.br/post/lideranca-exponencial-o-segredo-da-produtividade)

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