Empreendedorismo
6 min de leitura
Oferecido por:

Os novos fundamentos da liderança organizacional

Autoconhecimento, mentoria e feedback constante: a nova tríade para formar líderes preparados para os desafios do trabalho moderno
Marcus Vaccari é especialista da vertical de people as a service de Triven e ex-vice-presidente sênior de RH para a AL da PepsiCo.

Compartilhar:

Liderança, empreendedorismo

A liderança empresarial atravessa uma fase de transição profunda. Nos últimos anos, as demandas sobre quem ocupa cargos estratégicos deixaram de se basear apenas na capacidade de comando e controle para valorizar habilidades mais sutis, relacionais e adaptáveis. Espera-se hoje que líderes construam junto, engajem com autenticidade e sustentem a cultura organizacional diante das transformações em curso.

Esse movimento, que se intensificou com a digitalização e, sobretudo, com a consolidação do trabalho remoto, exigiu uma reconfiguração das competências de liderança. Embora muitos termos novos tenham surgido nos discursos corporativos, é possível perceber que os fundamentos continuam sendo os mesmos, mas aplicados em um contexto radicalmente diferente. A visão estratégica, a autenticidade na conduta, a escuta ativa e a inteligência emocional passaram a ter um peso ainda maior na atuação de quem está à frente das decisões. 

O líder que prospera hoje é aquele que se comunica com clareza, mas também com abertura; que demonstra empatia sem abrir mão de decisões difíceis; que inspira, mas também compartilha responsabilidades. Essas qualidades vêm sendo moldadas por uma série de fatores estruturais: o amadurecimento das novas gerações no mercado, a descentralização dos processos, o crescimento da diversidade nas equipes e a velocidade com que mudanças se impõem nas organizações. Nesse cenário, liderar significa sobretudo promover ambientes de pertencimento e confiança, em que as pessoas entendem seu papel dentro de um propósito maior.

A migração para modelos híbridos ou totalmente remotos intensificou esse desafio. Se no modelo presencial era possível compensar falhas de comunicação com a convivência diária, no remoto o ruído se torna um risco constante. Por isso, a comunicação passou a ser um eixo estratégico da liderança. Não se trata apenas de transmitir instruções com clareza, mas de construir alinhamento, promover compreensão mútua e manter o time engajado mesmo a distância.

Outro fator crítico é a autonomia. Em ambientes remotos, confiar deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade. O líder precisa oferecer estrutura e apoio, mas também delegar com responsabilidade e desenvolver a autogestão de seus liderados. Isso só é possível quando há uma cultura de confiança mútua — que não se constroi de um dia para o outro, mas é cultivada com consistência.

O senso de pertencimento também se tornou um dos pontos de atenção da liderança remota. Estar fisicamente distante não pode significar isolamento emocional. Cabe ao líder criar momentos de conexão, reforçar o propósito coletivo e assegurar que cada pessoa se sinta parte do todo. Esse cuidado se estende ao bem-estar das equipes, especialmente diante dos efeitos colaterais do home office, como esgotamento, dificuldade de desconexão e sentimento de invisibilidade. Liderar, nesse contexto, é também cuidar.

A gestão de desempenho, por sua vez, precisa evoluir. Monitorar presença ou atividade já não faz sentido. O que importa são os resultados gerados, os impactos entregues e o alinhamento com os objetivos estratégicos. Isso exige uma liderança que saiba definir metas claras, estabelecer critérios justos e utilizar ferramentas que acompanhem a performance de forma construtiva. Mais do que medir, trata-se de orientar.

Nesse sentido, pesquisas recentes reforçam a relação direta entre liderança e resultados. Um estudo do Instituto Politécnico do Porto demonstrou que a liderança digital tem efeito positivo e significativo no desempenho organizacional, além de contribuir para a satisfação em modelos de teletrabalho. Quanto mais alto o grau de maturidade digital da liderança, maiores os índices de performance organizacional observados. Fica evidente o papel estratégico que as lideranças ocupam na entrega de valor da empresa.

Diante de tantos desafios, o desenvolvimento contínuo da liderança deixou de ser opcional. Esse desenvolvimento começa pela autorreflexão — um exercício de consciência sobre o próprio estilo, os pontos fortes e as lacunas a serem preenchidas. A partir daí, programas formais de capacitação, experiências práticas acompanhadas, mentorias, plataformas digitais e espaços para feedback ganham relevância. Não há um único caminho. O que importa é construir uma jornada de aprendizado coerente com a cultura e os objetivos da organização.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

A longevidade está criando o próximo grande mercado

O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Compliance virou estratégia no agronegócio

A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

O que muda na cadeia do cobre com o fim da Substituição Tributária

Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Oferecido por:
Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

Oferecido por:
4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução