Uncategorized
Oferecido por:

Os riscos não financeiros no dia a dia das empresas

Para evitar erros que podem custar caro demais, a consciência dos riscos tem de chegar ao nível de cada funcionário, que deverá conhecer a conexão entre os riscos e o valor da empresa
Este estudo, aqui traduzido em linguagem visual, foi realizado por Rishi Kanr, Eric Kutcher e Mitra Mahdavian, da consultoria McKinsey, sediados no escritório do Vale do Silício, com colaboração de Yubing Ji e James Manyika. O texto em que HSM Management se baseou foi publicado na McKinsey Quarterly.

Compartilhar:

Pergunte a gestores seniores de qualquer empresa se eles têm os riscos não financeiros sob controle. A resposta provável será “sim”. Porém, como executivos dos setores automobilístico, bancário, petrolífero, farmacêutico e outros podem atestar, a realidade costuma ser bem diferente. [No Brasil, grandes companhias que viveram isso recentemente foram Samarco, Lactalis (dona da marca Parmalat), BRF e Friboi.] 

O fato é que não só esses riscos não estão controlados, como os profissionais das organizações são cada vez mais vulneráveis por conta deles – tanto os membros do conselho de administração quanto os da diretoria executiva têm se encontrado em situação bastante delicada, seja por estarem diretamente envolvidos no assunto em questão, seja por sua responsabilidade mais ampla pela gestão da empresa. 

O risco não financeiro é tratado de dois modos: 

**• Com iniciativas isoladas baseadas em regulamentação ou requisitos específicos, a cargo de especialistas de cada área.** Nesse caso, mais comum, o foco habitualmente recai sobre oferecer evidências de que os controles apropriados existem, mas eles não estão, em geral, incorporados ao negócio. Os controles são delegados a departamentos de risco e compliance que têm compreensão limitada de como gerir riscos de negócios.
**• Com a empresa como um todo assumindo a responsabilidade por gerenciar esses riscos, mas sem conectá-los à estrutura formal de compliance, risco e controle.** Nessa situação, o controle de qualidade, por exemplo, é incorporado à gestão diária de fábricas, mas os responsáveis pelas fábricas não estão envolvidos em determinar o risco de negócio ali representado, o que é um descompasso relevante. 

Quando aparecem os problemas, ambos os modos deixam organizações de todos os setores de atividade de guarda baixa. O resultado são acontecimentos catastróficos e a destruição do valor para o acionista. Os litígios e acordos gerados custam centenas de bilhões de dólares a organizações financeiras e outras – isso sem contar os danos à reputação das marcas. 

O impacto dos riscos não financeiros sobre gestores tem sido igualmente significativo e inclui processos jurídicos e prejuízos à reputação pessoal, não importando se a questão era de erro por ação direta do gestor ou pelo fato de ele não ter estabelecido uma abordagem de risco mais robusta. Mas não precisa ser assim. Neste estudo, apresentamos uma estrutura para a gestão de riscos e controles (GRC), a ser seguida antes que um problema grande ecloda. 

**OBJETIVOS CLAROS**

Uma estrutura forte de gestão de riscos e controles deve refletir o contexto de negócios e vai além da implantação de mais um checklist. Requer um diálogo explícito entre os gestores sobre riscos não financeiros e abrange questionar onde o custo do controle pode ser alto demais, dado o valor que está em risco. Para muitas empresas, isso implica uma completa transformação cultural. 

Três objetivos da GRC têm de estar claros: 

1. Ela deve facilitar a tomada de decisão, ajudando os gestores a conhecer o perfil de risco. Isso facilita priorizar os controles, com base na probabilidade de os riscos ocorrerem e seu impacto.
2. Fornecer evidências, aos grupos de interesse, da adequação dos controles e deixar claro quem são os responsáveis pelos riscos e pela execução do controle. Isso proporciona aos gestores um modo de avaliar a efetividade da organização, delegar responsabilidades e tratar as implicações legais.
3. Reforçar e adequar a cultura de riscos e compliance, que deve estar profundamente incorporada à abordagem de gestão da companhia, tanto quanto à gestão de receitas e custos. 

**BENEFÍCIOS DA GRC**

Os gestores costumam gostar da GRC por propiciar uma série de vantagens: 

• Reduzir perdas. As empresas comumente têm três tipos de perdas em riscos não financeiros: as pouco severas recorrentes (como fraudes de cartão de crédito), as muito graves de única ocorrência (como má conduta dos líderes) e os danos à reputação. Uma estrutura sólida de GRC ajuda a reduzir essas perdas ao assegurar que os controles corretos estejam em operação. Além disso, prevenir ou minorar o impacto dos riscos diminui os custos de remediar os problemas, como o de estabelecer call centers para lidar com reclamações de clientes. Também as multas previstas em lei são reduzidas.
• Gastar menos com mitigação de riscos. Priorizar riscos e controles é direcionar recursos para onde terão maior impacto e onde a probabilidade de o risco se tornar realidade for maior. A GRC torna a função de controle mais eficiente, o que é essencial, considerando que até 5% da força de trabalho é empregada em atividades de controle. Saber quais são os principais riscos também ajuda na decisão sobre as políticas de seguros, que poderão ser mais baratas, já que a identificação de riscos é mais precisa e se torna claro como controles específicos podem ajudar a mitigá-los.
• Manter custos de implantação baixos. Estruturar a GRC requer esforços de vários anos, mas o foco firme da gestão assegurará a máxima eficiência, e os controles adequados podem gerar sinergia pelo alinhamento de processos de gestão, pela consolidação de sistemas e pela integração de relatórios. Mais do que isso, estabelecer uma estrutura de GRC propicia um foco agudo na identificação e mitigação de riscos, com base em fatos objetivos e padrões de políticas mais claros.
• Obter benefícios regulatórios. Diversos organismos reguladores internacionais pressionam por definições mais claras e conexões melhores entre a primeira linha de defesa (a empresa), a segunda (as funções de risco e compliance) e a terceira (auditoria interna). A GRC traz essa clareza. 

**COMO IMPLANTAR**

Os principais componentes de uma GRC eficaz giram em torno de linguagem unificada, ferramentas de avaliação, ferramentas de dados e relatórios. 

• Faça com que todos falem a mesma língua. Definições claras de risco têm de ser comuns a toda a empresa, de modo que se identifiquem os riscos que devem ser ativamente geridos e monitorados. O desafio é assegurar que a taxonomia esteja no nível correto de detalhe para que ajude a identificar os riscos, mas nem tão detalhada que se torne impossível de gerir.

• Mapeie os riscos. Um mapa de processos que represente o modelo de negócio da companhia é um bom ponto de partida. As empresas costumam ter dificuldades para encontrar o nível adequado de detalhamento nesses mapas. Mapear no nível da cadeia de valor é, em geral, um modo interessante de começar, e, então, ao longo do tempo, o exercício pode ficar mais detalhado.

• Compreenda os controles. Empresas líderes contam com uma avaliação de controles baseada em fatos. Levantam quais controles são usados para mitigar quais riscos, determinam quão eficazes e eficientes eles são e os conectam às políticas e procedimentos operacionais que tornam mais claros os padrões, as responsabilidades, o treinamento e a comunicação. A avaliação deve basear-se em variadas fontes de dados, como os de perdas internas e externas, resultados de auditorias e indicadores dos principais riscos e controles.

• Reporte e aja. Para que as avaliações de riscos e controles façam sentido, os gestores devem contar com uma visão consistente de riscos não financeiros e controles e atualizar o conselho de administração regularmente. Isso requer um sistema de informações integrado. Relatórios concisos e voltados à ação recomendam onde, como e quando o risco pode ser mitigado. As ações podem variar de redefinir o ambiente de controle a reforçar a responsabilidade pela supervisão. 

• Implante e mantenha o processo por toda a organização. Isso evitará que unidades de negócios, funções ou pessoas criem, inadvertidamente, grandes riscos. O processo também terá de estar alinhado tanto com os gestores da empresa como com a estrutura de responsabilização e entre os processos e a cadeia de valor. Assim, os riscos poderão ser identificados por áreas, e as necessidades de controle, segundo a cadeia de valor. As unidades de negócios acabam recebendo solicitações repetidas para avaliarem o risco de determinado processo ou ativo de diferentes grupos de gestão de riscos, como os de riscos operacionais ou digitais. Quando se coordena e compartilha a informação, o impacto operacional da participação em processos de GRC é reduzido, o que resulta na elevação da qualidade da informação obtida. 

• Faça monitoramento constante. Uma rodada anual de avaliação de riscos não basta; são necessários exames ocasionais motivados por um incidente-gatilho, uma alteração de indicadores ou uma mudança de processo. 

Em suma, levar a cabo uma GRC efetiva pode gerar, em nossa experiência, um retorno de mais de dez vezes o valor investido em sua instalação e em manutenção, pela redução de perdas e demais benefícios.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

O próximo Pix será de competências

Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Liderança
4 de outubro de 2026 14H00
Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de outubro de 2026 08H00
Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio-diretor da FC Partners

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
3 de outubro de 2026 14H00
Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance
3 de outubro de 2026 08H00
Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de outubro de 2026 14H00
Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Carolina Ferrés - Diretora POK Brasil

Oferecido por: POK
11 minutos min de leitura
Cultura organizacional
2 de outubro de 2026 08H00
Medo e pressão são ótimos para o resultado. Desde que você não precise das mesmas pessoas no trimestre seguinte.

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução