Carreira

Os três pilares da empregabilidade

Currículo, narrativa e networking são os pilares para recolocação no mercado de trabalho. Contudo, o cultivo desse tripé vai muito além da busca por uma oportunidade de emprego
Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

Nos muitos papos e aconselhamentos que fiz nesses últimos meses, comecei a me dar conta de que existem três coisas – na verdade, tenho certeza que são muitas mais, mas essas são as que tenho me aprofundado – que fazem toda a diferença quando o assunto é empregabilidade. Dessa forma, precisamos colocar energia e intenção para que elas estejam bem afiadas. Eu as chamo de os três pilares da empregabilidade, são eles: currículo, narrativa e networking.

Entender que o currículo já não é mais só um pedaço de papel, que contar a sua narrativa de forma positiva em uma entrevista pode ser o diferencial entre conseguir ou não a vaga, e que networking é uma construção de longo prazo, melhora incrivelmente a sua imagem como profissional e, consequentemente, suas chances de trocar de emprego ou se recolocar no mercado.

### Currículo: questão de conteúdo e estilo

Quando falamos em currículo, a primeira coisa que vem em mente é aquele arquivo doc. guardado em alguma pasta do seu computador pessoal que, de tempos em tempos, damos uma atualizada. Sim, esse aí é bem importante também e precisamos sempre ter um quentinho para quando a gente precisar. Há muitos modelos disponíveis e não vou aqui dizer o que é ou não melhor, deixo isso para um profissional de recolocação. Contudo, gosto – e uso há pelo menos uns 15 anos, [um modelo](https://docs.google.com/document/d/1aglTjMDYfKDVpL8wviHTr0gx_rQ6O3Gtmo2OZBmsq8w/edit) bem simples e fácil de usar.

Além do seu velho e bom CV, há também uma nova (ou não) tendência: o uso do seu perfil do LinkedIn como currículo. Há muitas empresas que já dão a opção de se aplicar apenas com o seu perfil na ferramenta, sem a necessidade do velho e bom arquivo de Word. Eu adoro essa opção, já que criar um perfil no LinkedIn dá espaço para adicionar muito mais coisas do que você não colocaria em um currículo tradicional, sem contar o uso de criatividade, boas práticas e a possibilidade de produzir – ou interagir com – conteúdos da sua indústria. É como se fosse um CV que tomou esteroides.

Hoje em dia, com as empresas buscando mais praticidade e automação, não dá para não ter o seu. Não apenas ter, mas ter um bem feito. Há dezenas de sites e perfis lá mesmo no LinkedIn que dão dicas e melhores práticas para criar um perfil poderoso. Então, a dica é use e abuse dessa vantagem.

### Você sabe contar a sua história?

Sempre que vou entrevistar alguém, peço para a pessoa contar a sua história nos primeiros cinco minutos. A maneira como falamos sobre o nosso histórico profissional diz muito sobre a gente e a nossa carreira, além de ser uma ferramenta poderosa para se conectar com o entrevistador. Aqui, não vou explicar como nós, seres humanos, somos programados para contar e ouvir boas histórias, e isso vale também em uma entrevista de emprego.

Trabalhei com um profissional que era ótimo, mas, quando falava sobre o seu passado e como chegou onde chegou, trazia vários elementos importantes (ter trocado de faculdade, ter feito um concurso e trabalhando em algo que não gostou, etc) de forma negativa.

Uma boa narrativa para contar sobre nossa trajetória precisa estar em uma crescente até culminar no profissional que você é hoje. Mesmo que tenha que passado por alguns desafios, coloque-os de forma positiva.

Teve que trocar de faculdade no meio do caminho? Conte como você finalmente descobriu o que queria fazer e como isso o impactou positivamente. Ficou alguns anos em um emprego que não era o que queria? Conte como lá você aprendeu tudo o que tinha que aprender e estava pronto para crescer e dar o próximo passo. Coloque um tom positivo em sua narrativa.

Ter uma boa narrativa requer prática, e sempre aconselho todos a terem uma que caiba em cinco minutos, outra em dez e por aí vai. Um bom lugar para praticar é o espelho do banheiro, e vale também chamar alguém de confiança – familiar ou amigo – para escutar e dar uns palpites. Pratique muito.

### Networking não se constrói em um final de semana

Um dos maiores erros que observo quando as pessoas querem construir networking é tentar fazer isso de forma rápida e, geralmente, de maneira urgente. O profissional é demitido e sai correndo adicionando todo mundo no LinkedIn, mandando currículo para pessoas que mal conhece e querendo fazer parte de turma que nunca interagiu antes. Saiba que essa é a pior maneira de fazer isso.

Networking é um processo que se constrói no longo prazo. São as conexões que você cria durante as suas interações profissionais, os eventos que participa, os clientes que conhece e qualquer outro profissional que cruze o seu caminho de alguma forma. Pense em todas as pessoas que você já conheceu até hoje por causa do seu trabalho. Com quantas dessas você se conectou? Trocou cartões? Telefone? Cada interação de qualidade que já teve é uma oportunidade de conexão a ser criada. Ela foi? Se a resposta é não, uma oportunidade se perdeu.

As chances das pessoas aceitarem conexões quando vestimos a camisa de uma empresa é alta, quando estamos na rua, “em busca de recolocação”, muito menor. Não espere estar em necessidade para fortalecer a sua rede, veja o networking como um investimento de longo prazo que vai render bons juros. Ele vale tanto quanto dinheiro no banco.

## PEGUE SEU BÔNUS

Esses são os 3 pilares da empregabilidade que precisamos refletir e trabalhar para sempre estarmos preparados para um futuro sempre incerto. Tenho os meus bem afiados. Tenha os seus também. Para finalizar, deixo aqui um bônus: gravei uma aula especial sobre o tema que pode ser assistida através [deste link](https://www.youtube.com/watch?t=127&v=Lff1cz4tMRg&feature=youtu.be&ab_channel=LucianoResponde).

*Gostou do texto do Luciano Santos? Saiba mais sobre gestão de carreira assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

74% das marcas poderiam desaparecer – e ninguém sentiria falta

No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

Estratégia
31 de aio de 2026 15H00
Em um cenário de excesso de informações e alta volatilidade, este artigo questiona a falsa sensação de clareza que os dados oferecem, e mostra por que o verdadeiro desafio das organizações está em transformar volume em leitura qualificada e decisão relevante no tempo certo.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de maio de 2026 09H00
Este artigo revela por que a competitividade no setor automotivo está migrando da produção para a capacidade de prever, integrar e governar dados com precisão.

Lorena França - Account manager da A3Data

4 minutos min de leitura
Estratégia, User Experience, UX
30 de maio de 2026 14H00
Com o avanço do PL 5605/2019, este artigo mostra como a gestão de garantias e o pós-obra ganham nova centralidade no setor imobiliário, exigindo mais organização, rastreabilidade e maturidade operacional para reduzir conflitos e fortalecer a confiança do cliente.

Jean Ferrari - Engenheiro civil e CEO da FastBuilt

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema não está na tecnologia, mas na manutenção de estruturas organizacionais inchadas e pouco preparadas para extrair valor da nova lógica do trabalho.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo
29 de maio de 2026 15H00
O problema não é a falta de empreendedoras, é um sistema que ainda não foi feito para elas. Este artigo mostra por que a formalização ainda é um obstáculo estrutural - e como redesenhar o sistema para transformar negócios invisíveis em motores reais de desenvolvimento econômico.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

6 minutos min de leitura
Marketing, Inovação & estratégia
29 de maio de 2026 12H00
No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

Pedro Del Priore - CEO da Agência Ginga

4 minutos min de leitura
Estratégia, Marketing
29 de maio de 2026 08H00
Este artigo revela por que o diferencial das marcas deixou de ser produção e passou a ser sensibilidade - a capacidade humana de interpretar cultura, criar significado e, sobretudo, ser lembrada.

Maurício Mansur - Fundador da IAMKT

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de maio de 2026 17H00
Este é o segundo artigo de uma série que explora o setor farmacêutico brasileiro, suas capacidades industriais, dependências e posição na nova corrida global da saúde. Para sua elaboração, foram consideradas contribuições de Reginaldo Braga Arcuri, presidente executivo do Grupo FarmaBrasil, entidade que reúne algumas das principais fabricantes nacionais de medicamentos. Recomenda-se também a leitura do primeiro artigo da série.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

20 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
28 de maio de 2026 13H00
IA sem operação é só experimento caro. Este artigo revela por que a maioria das iniciativas ainda não gera impacto real - e como o verdadeiro desafio não está na tecnologia, mas na capacidade de estruturar, governar e operar processos em escala.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

3 minutos min de leitura
Estratégia, ESG
28 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra como o mercado voluntário de carbono foi da narrativa ambiental para a lógica de investimento - e por que empresas que ainda tratam o tema como reputação estão ignorando uma nova infraestrutura de valor global.

Eduardo Joaquim da Silva - Coordenador do Comitê Estratégico e Expansão de Negócios da Sustentalli

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão