Estratégia e Execução

Os valores e o livro infantil

Como você definiu os valores de sua empresa? Na Tip Toey Joey, indústria de calçados do interior paulista, uma história para crianças foi a inspiração.

Compartilhar:

> **Saiba mais sobre a  Tip Toey Joey** 
>
> A história da Tip Toey Joey começou em Londres, quando Ana Claudia conheceu Scott. Ela, brasileira de Franca, era formada em marketing, e ele, australiano, profissional de contabilidade. Grávida, Ana Claudia resolveu voltar para casa. O que os dois fariam, depois que a filha Sofia nascesse, que lhes permitisse estar no caminho entre Brasil e Austrália? Veio a ideia da empresa: uma fábrica de sapatos infantis que atuasse internacionalmente e prezasse  o conforto e a beleza.
>
>  Era início dos anos 2000. Scott passou a estudar design e os pezinhos da filha. Criou os primeiros protótipos, que foram produzidos de forma terceirizada em Franca, um dos maiores polos calçadistas brasileiros, e viajou por toda a costa ocidental da Austrália para vendê-los: trouxe de volta  as encomendas de 3 mil pares. 
>
> O dólar na época estava em alta e as exportações foram a base inicial do negócio, mas, em 2005, o casal decidiu investir em uma fábrica, que hoje produz 1,5 mil pares de sapatos para crianças de 0 a 8 anos por dia  e vende em 600 lojas multimarcas no Brasil  e 200 no exterior.

ERA UMA VEZ… um casal de empresários que decidiu implantar um processo de planejamento estratégico em sua fábrica de calçados, em 2012. Estamos falando dos proprietários da Tip Toey Joey, sediada em Franca, interior de são Paulo – a brasileira Ana Claudia e o australiano scott McInerney. “Começamos a nos questionar sobre os valores, a missão e a visão da empresa e chegamos à conclusão de que valores nunca podem ser impostos, têm de ser descobertos, porque empresas são feitas de pessoas, e as pessoas têm seus próprios valores”, relembra Ana Claudia. 

Ela resolveu investigar os valores dos funcionários perguntando-lhes. No entanto, logo percebeu que perguntar era fácil, mas que a resposta autêntica requeria saber fazer a pergunta. “Encontrei sem querer o livro O Pote Vazio e, por coincidência, estávamos fazendo o jardim da empresa.” o livro, de origem chinesa, fala de um imperador sem filhos que busca um sucessor entre seus súditos e que, para escolhê-lo, distribui vasos e sementes para todas as crianças do país. 

Ele lhes pede que se empenhem para cuidar da semente e fazê-la brotar e garante: quem lhe trouxer a planta mais bonita no ano seguinte será seu sucessor. A história é rica. o menino Ping, que adora plantas, dedica-se o ano inteiro a seu vaso, mas as sementes não brotam. Ele troca a terra, molha, cuida, e nada acontece. Um ano depois, vai com seu pote vazio até o imperador e, pelo caminho, encontra muitas crianças com plantas lindas. 

Todas apresentam seus vasos, mas o imperador vai direto até Ping e lhe pergunta o que houve. Triste, ele conta sua história. o sábio governante então explica que todas as sementes estavam queimadas – nenhuma poderia brotar. só Ping foi honesto e, por isso, ele é escolhido o sucessor. “Quando lemos o livro, percebi que todos os valores em que nós pessoalmente acreditávamos estavam ali e nos identificamos com os dois personagens principais da história: o imperador, que procura um sucessor, e o menino, que faz de tudo para ser o escolhido. 

Foi assim que tivemos a ideia de relacionar o processo da ‘Nossa Busca de Valores’ com o livro, que tem uma linguagem fácil de entender, universal e, o mais importante, amorosa”, diz Ana Claudia. Em paralelo com o plantio do jardim, os colaboradores foram convidados a participar de workshops criativos e artísticos para literalmente “plantar” as sementes dos valores corporativos. Entre as ideias discutidas estavam as de que o jardim da empresa era um espaço comum que dependia do cuidado de todos, que a honestidade deve ser recompensada e que é necessário se responsabilizar pelas coisas.

O processo passou por várias fases. No plantio, cada colaborador escreveu em um papel especial a resposta à pergunta: “Que valores você tem que também enxerga na empresa?”. o papel foi colado em um palito de sorvete e “plantado” em um vasinho, que ficou sobre a mesa do colaborador até a fase seguinte. 

Nesta, a da “germinação”, os colaboradores foram recebendo trechos da história aos poucos. Por fim, veio a colheita. “Dos mais de 300 valores cultivados, colhemos os que mais ‘floresceram’: amor, fé, determinação, humildade, honestidade e respeito.”

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que uma prótese de quadril me ensinou sobre os erros de decisão dentro das empresas

Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Centauros corporativos: quem está no controle da inteligência?

Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Cláusula de raio: proteção legítima ou barreira à concorrência?

Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de setembro de 2026 14H00
Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
8 de setembro de 2026 08H00
Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Daniel Cerveira - sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen & Longo Advogados Associados e Coordenador da Comissão de Expansão e Pontos Comerciais da ABF - Associação Brasileira de Franchising

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 14H00
Muito além da programação e da montagem de robôs, o artigo mostra como a robótica educacional está ajudando estudantes a pensar criticamente, experimentar, colaborar e criar soluções para problemas reais, conectando aprendizagem, propósito e impacto social desde a escola.

André Brandão Sala - CEO da Robomind

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 08H00
O Brasil já demonstrou sua capacidade de formar pesquisadores altamente qualificados. O desafio agora é fortalecer as pontes entre universidades, empresas, investidores e empreendedores para que a produção científica gere mais inovação, competitividade e impacto social.

Luiz Caires, PhD - Cofundador e CEO da Vyro Bio

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo