Direto ao ponto

Ou o verdadeiro gênio do mal seria Jack Welch?

Livro recém-lançado, com os olhos atuais, afirma: Jack Welch fez muito mais mal do que bem ao capitalismo americano

Compartilhar:

Confira o título de um livro que chegou recentemente às livrarias: *[The Man Who Broke Capitalism: how Jack Welch gutted the hearland and crushed the soul of corporate America – and how to undo his legacy](https://www.amazon.com.br/Man-Who-Broke-Capitalism-America/dp/198217644X)*. Seu autor, o repórter David Gelles, do New York Times, não diz apenas que o lendário CEO da GE (1981-2001) – para muitos, o melhor CEO de todos os tempos – quebrou o capitalismo. Ele afirma que Welch esmagou o coração e a alma da América corporativa e que é preciso desfazer seu legado.

Gelles argumenta que as grandes empresas exemplares do capitalismo ininterrupto no século 20 tratavam os funcionários com justiça e buscavam o crescimento de longo prazo – incluindo a própria GE. “O salário do trabalhador crescia junto com a produtividade do trabalhador”, escreve.

A GE era “mais lucrativa do que todas as outras empresas da *Fortune 500*, exceto nove”. E o CEO que antecedeu Welch ganhava o equivalente a US$ 743 mil por ano, apenas “12 ou 13 vezes o que os novos contratados da empresa levavam para casa” e apenas 5% do que o CEO médio de uma grande empresa recebe atualmente.

Na década de 1980, no entanto, o zeitgeist mudou nos Estados Unidos, com a população passando a celebrar o dinheiro acima de tudo. Esse zeitgeist “vinha percorrendo os círculos acadêmicos, econômicos, jurídicos e políticos”, afirma o livro, mas “ninguém tinha colocado essa filosofia para funcionar… até Welch”. Por meio de “enxugamento total, negociação e financeirização”, ele se tornou “a personificação do capitalismo americano de macho alfa”.

Como o próprio Welch explicou à *Harvard Business Review* na época,a GE tinha um contrato psicológico implícito baseado na percepção de emprego vitalício”, que produzia um “tipo difuso de lealdade”. Então, ele fez “uma série de demissões em massa” para mudar o que era, em sua visão, apenas uma farsa sentimental.
Gelles afirma que Welch, em vez de inventar ou produzir produtos melhores, ficou supervisionando a aquisição de uma empresa de US$ 130 milhões por semana, em média, durante 20 anos e vendendo um negócio a cada duas semanas. Só para agradar Wall Street e aumentar o preço das ações. A única inovação do executivo, segundo o livro, foi transformar a GE em “um banco gigante e não regulamentado”, que usava cada vez mais os lucros para valorizar as ações.

Conforme a resenha do *New York Times*, as visões básicas de Gelles sobre Welch (falecido em 2020) estão todas corretas. Mas “elas também são implacavelmente básicas, no sentido pejorativo: não surpreendentes, não originais, apenas uma sabedoria convencional expressada convencionalmente, aceitável em artigos de jornal de mil palavras, mas não num livro. Todos os clichês – como “‘estilo de vida dourado’ – seriam perdoáveis”, diz o resenhista do *NYT*, se acompanhados de novas ideias.

O que Gelles poderia ter nos contado e não fez? Por exemplo, como o filho de um condutor ferroviário sindicalista se torna quase um protagonista da luta de classes. Também poderia ter explicado, ao citar um tweet de Welch sobre a taxa de desemprego ser uma ficção, feito em 2012, como um Ph.D em engenharia e CEO respeitado de repente vira um louco por conspirações e fatos alternativos.

__Leia mais: [A maré não está para peixe, mas pode ficar](https://www.revistahsm.com.br/post/a-mare-nao-esta-para-peixe-mas-pode-ficar)__

Compartilhar:

Artigos relacionados

O novo Marco Legal pode recolocar o transporte coletivo nos trilhos

Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Administrar um restaurante e uma multinacional é mais parecido do que parece

Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional – planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente – são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

O engajamento não nasce das pessoas. Nasce do ambiente.

Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Aprendi que até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras

Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de julho de 2026 07H00
A IA pode economizar horas em atividades operacionais, mas seu maior valor talvez esteja em outro lugar: ampliar perspectivas, conectar ideias e elevar a qualidade das decisões. O desafio é entender quando estamos ganhando velocidade e quando estamos construindo algo melhor.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
25 de julho de 2026 14H00
Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Liderança
25 de julho de 2026 08H00
Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Chieko Aoki - Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, User Experience, UX
24 de julho de 2026 14H00
Impulsionado pelo avanço do wellness e pela busca crescente por experiências com significado, o setor de turismo enfrenta um novo desafio: deixar de vender viagens para entregar transformação, criando vínculos de longo prazo e novas vantagens competitivas.

João Biancardi - Diretor de Marketing e Experiencia do Cliente do Grupo Mabu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
24 de julho de 2026 08H00
A preocupação com dinheiro já impacta produtividade, saúde mental e permanência no emprego. Diante desse cenário, organizações começam a repensar seu papel e a buscar formas de apoiar colaboradores sem invadir sua autonomia financeira.

Vivian Pardini - Coordenadora de compliance da Biz

4 minutos min de leitura
Marketing, Estratégia
23 de julho de 2026 14H00
O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Ronaldo Fragoso - Chief Growth Officer da Deloitte e Carlos Eduardo Fogarolli - Sócio-líder da indústria de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte

3 minutos min de leitura
Comunicação, Liderança
23 de julho de 2026 08H00
A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo