Carreira

Para ser o “profissional do futuro” hoje

A frase “caí num buraco... voltei gigante” é inspiração para aqueles que desejam construir uma trajetória de sucesso frente às mudanças do presente e às tendências do futuro
Partner da Consultoria na IBM e suporta clientes em suas jornadas de transformação digital.

Compartilhar:

“Caí num buraco… Voltei gigante.”

Queria começar o texto com essa frase de um quadro que vi há pouco tempo e me marcou demais.

Durante minha jornada profissional como executiva da IBM, mentora de negócios da Endeavor e mentora de pequenas e médias empresas, percebi que a trajetória das pessoas a longo prazo tem a ver com o quão obstinadas elas são. Não importa quantas vezes caem, elas aprendem rápido com os erros, levantam e dão a volta por cima. Entendem que crescimento e conforto não coexistem e se mantêm realistas sem perder a positividade. 

Tenho participado de diversas discussões sobre o perfil do profissional do futuro e, em  toda a minha vivência profissional e pessoal, pude observar duas características que considero fundamentais para assegurar o sucesso desse profissional: ser lifelong learner e antifrágil.

## Lifelong learner

Afirmou Benjamin Barber: “eu não divido o mundo entre os fracos e os fortes ou entre sucessos e fracassos. Eu divido entre os que aprendem e os que não aprendem.” Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2022, mais da metade (54%) dos profissionais precisará se capacitar ou recapacitar para aprimorar ou ganhar novas habilidades. Ter a disciplina de ser um [lifelong learner](https://revistahsm.com.br/post/voce-ja-ouviu-falar-em-lifelong-learning-entenda-esse-conceito), portanto, é chave para desenvolver a capacidade de desaprender velhos hábitos e aprender rapidamente novos conceitos e práticas.

Essa tensão criativa entre o “velho e o novo” traz mais inovação, soluções e melhores resultados. O cenário atual reforçou a perspectiva de como o mundo muda rápido e, com isso, a adaptabilidade para a mudança e a capacidade de aprender de forma contínua provam-se essenciais para o reskilling, nosso e de todo o time! Precisamos nos empenhar para alterar os vieses, modelos mentais e padrões de comportamento internos, atuando como agentes da transformação nesse processo e considerando “aprender a reaprender” ao longo da vida.

## Antifrágil

A pandemia da Covid-19 trouxe à tona dois ângulos importantes da natureza humana. Por um lado, percebemos nossa incrível adaptabilidade e capacidade de nos reinventar; por outro, enxergamos que somos muito mais frágeis do que gostaríamos. Assim, ser antifrágil é mais do que ser resiliente. O antifrágil foca no autoconhecimento e na sua [inteligência emocional](https://revistahsm.com.br/post/a-importancia-das-portable-skills-para-sua-carreira), sabe reconhecer sua força e onde precisa melhorar. Aceitar as imperfeições é libertador! Ter a humildade para reconhecer que não sabe tudo e, ainda assim, ter a coragem para aceitar novos desafios abre possibilidades e cria um mindset de abundância.

Dentro dessa jornada de evolução contínua, o antifrágil pratica a autocompaixão e demonstra vulnerabilidades, como pessoa e profissional. Sabe que o erro só é fracasso quando não se aprende com ele; caso contrário, é aprendizado. O estudo Institute of Business Value (IBV), realizado pela IBM com aproximadamente seis mil executivos em 48 países, mostra que as principais prioridades dos CEOs em termos de skills críticos estão associadas a habilidades comportamentais.

## Reflexões e adaptações

Os desafios dessa nova realidade aceleraram a transformação digital como elemento crítico para que as empresas (e os indivíduos) possam se adaptar, sobreviver e estar preparados para participar das oportunidades que estão surgindo. Nunca tivemos um ambiente tão receptivo para discussão da inovação e de ideias “fora da caixa”. Conforme disse Lenin – uma frase muito adequada para o momento atual –, “há décadas em que nada acontece e há semanas em que décadas acontecem.”

Estamos ressignificando a forma de interagir com nossas famílias, clientes e times, com a tecnologia muito mais presente em nossas vidas. O contexto do isolamento social permitiu que as pessoas pudessem desenvolver um novo olhar para se conhecerem melhor e trouxe a oportunidade de refletirmos e conversarmos sobre pautas para as quais não tínhamos tempo. 

Você não precisa do cargo para ser um líder ou para inspirar as pessoas ao seu redor. Basta querer, estar presente, fazer o melhor por todos e até “oferecer uma vírgula” para que as pessoas possam continuar a escrever suas histórias, mesmo quando o mundo parece desabar sobre elas. Liderar é inspirar indivíduos e organizações, por meio de um olhar de empatia. Isso requer curiosidade e desejo real de sair do nosso eixo para entender o lugar do outro. 

Quando isso tudo passar – e vai passar! – e pararmos para fazer um balanço e escrever sobre o que fizemos durante esse período, pense: que legado cada um de nós gostaria de deixar? Para ajudar nessa reflexão, compartilho uma frase que adoro, do filme A Última Palavra: “nunca é tarde para reescrevermos nossa vida e construirmos um legado que nos encha de orgulho”. Boa jornada!

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando pessoas inteligentes discordam, o problema pode não ser a informação

Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

2027 começa em outubro: o que os CEOs já estão decidindo agora

Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução