Gestão de Pessoas

Parceria entre CEO e conselho de administração é fundamental para o sucesso empresarial

Para Sérgio Simões, sócio líder da prática de Board Services da EXEC, três frentes são essenciais para essa atuação conjunta: estímulo à aprendizagem contínua, manutenção do alinhamento e equilíbrio de responsabilidades
Sergio Simões é sócio e líder da prática de boards da EXEC, doutorando pela Poli-USP e atua como conselheiro de administração e consultivo em empresas do setor de saúde, educação, mídia e serviços. É investidor-anjo e senior advisor em startups e scaleups. Em 2020, foi eleito o Executivo do Ano em Transformação Digital e Cultural pela IT Midia/Korn Ferry.

Compartilhar:

Ter um conselho de administração é um diferencial importante para as empresas que miram o crescimento e a longevidade. De acordo com o artigo da McKinsey “Escolha pelo crescimento: assim fazem os melhores”, de 2024, “escolher o crescimento é uma decisão que só a liderança é capaz de tomar pela organização”. Para alcançar tal crescimento, é essencial que haja uma parceria estabelecida entre o conselho, representado por seu presidente, e o CEO.

Os conselhos de administração estão se tornando cada vez mais estratégicos, complexos e diversos. Assim, para se criar um contexto poderoso que possa orientar todo o negócio em direção aos objetivos de crescimento e longevidade, essa parceria, que antes poderia parecer impossível, torna-se fundamental.

Nesse sentido, três comportamentos, com respectivos exemplos de alinhamentos e/ou de desalinhamentos, precisam ser destacados com base na experiência de conduzir quase duas dezenas de processos de avaliação da efetividade em conselhos de administração no Brasil.

__1. Princípios sólidos de governança__

A responsabilidade de aplicar, manter e reportar os princípios deve ser compartilhada por conselho e CEO. Apesar de ser uma atitude básica, ela nem sempre acontece.

É importante comprometer-se com as responsabilidades buscando o melhor para a empresa e espere o mesmo comportamento da equipe de gestão ou de governança.

Tenha coragem!

Sempre diga a verdade, acolha as demais visões e interpretações e trate as consequências junto aos stakeholders. Ainda, seja independente.

Além disso, quando há quebra de confiança entre as partes, o caminho de volta é árduo e trabalhoso. Não é, contudo, impossível.

É preciso de uma abordagem simples. A comunicação pode ser reaberta e é possível preparar o cenário para que o conselho volte a confiar no CEO e vice-versa. A confiança é a base do progresso colaborativo e é papel fundamental do presidente do conselho quando este não tem um papel somente figurativo no colegiado.

__2. Rédeas da estratégia alinhadas ao momento do negócio__

Um dos maiores erros nos conselhos atuais é: o CEO propondo as diretrizes estratégicas e as validando no conselho.

Está ao contrário!

Aobtenção das diretrizes estratégicas deve partir dos acionistas e/ou stakeholders, sendo discutidas pelo conselho e repassadas à gestão, que irá preparar um plano estratégico de “farol baixo”, visando alcançar essas diretrizes por meio de ações, resultados, desenvolvimento de pessoas e produtos etc.

Ao mesmo tempo, a gestão não pode tirar os olhos do “farol alto”, definido pelo propósito da companhia, acionistas e famílias empresárias.

CEOs experientes fazem questão de promover empatia e facilitar conversas com seus conselhos, que podem atuar como verificadores da realidade, do momento atual e do futuro, questionando se a direção que a organização está tomando está correta, assim como sua velocidade.

Por outro lado, conselheiros menos experientes aprofundam suas análises com viés mais financeiro, olhando o ‘farol baixo’ e colocando em risco a longevidade das empresas.

__3. Modo “jato” versus modo “retrovisor”__

Quanto das reuniões de conselho são dedicadas a olhar para trás, revisando slides financeiros, operacionais e administrativos, por exemplo?

Essa é a “área de conforto” dos conselheiros. Por outro lado, qual é o tamanho da preocupação em aprimorar a eficácia do conselho, por meio de pautas voltadas ao futuro, crescimento, tendências e digitalização?

Ressalte-se, em primeiro lugar, que é essencial que o presidente do colegiado adote um papel mais ativo e não apenas figurativo, garantindo uma liderança efetiva. Além disso, em relação às responsabilidades e papéis, é necessário dar mais publicidade e clareza às atribuições, bem como avaliar e assegurar as competências adequadas dentro do conselho.

Mais de 80% dos conselhos são fiscalizadores, com foco no retrovisor e perfil de decisões de curto prazo, e controladores, abordando temas de propriedade e gestão e competências de executivos e conselheiros, por exemplo. Não são, portanto, conselhos de administração, o que os torna, em sua essência, ineficientes.

Além disso, a orientação do conselho ao CEO é crucial para o sucesso da organização e que saber aproveitar o conhecimento e os saberes coletivos dos conselheiros exige uma abordagem contínua. Por isso, a colaboração do CEO (e do seu time) deve ser um catalisador para promover as discussões adequadas no colegiado.

Hoje, o leque de assuntos que permeiam um negócio é enorme, envolvendo temas mais críticos como tendências, diversidade, tolerância ao risco, entre outros. E eles precisam fazer parte da pauta do conselho, impulsionando um discurso saudável e de confiança.

Por fim, a maioria das recomendações voltadas a alcançar o adequado crescimento da empresa passam pela parceria estabelecida entre o conselho, seu presidente e o CEO, bem como por desenvolver um programa de amadurecimento da consciência digital da organização, para que seja possível compreender a pauta digital e os pilares de transformação digital, tanto no conselho como nos comitês de assessoramento e na gestão, englobando os seguintes pontos: (i) Modelo de Negócio, (ii) Jornada do Consumidor, (iii) Ecossistema e Tecnologias Emergentes.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução