Carreira

Planejar ou não planejar a carreira: eis a questão

Depois da rápida pesquisa que realizei com mais de 2.500 pessoas, tenho aqui algumas pistas sobre esta dúvida recorrente
Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

Diz o ditado popular que “a vida é o que acontece enquanto fazemos planos”. Não é só a vida, mas a nossa carreira também. Nos últimos três anos eu venho focando (e aprendendo) muito sobre educação corporativa, dando mentorias, tocando o meu projeto chamado #lucianoresponde e, das muitas dúvidas que chegam até mim, uma recorrente é sobre planejamento da carreira. “Eu me acho um fracassado por nunca ter conseguido planejar a minha carreira”, um leitor me contou esses dias. Será? 

Para apurar essa questão, fiz uma enquete rápida no meu perfil do LinkedIn com uma pergunta simples: você planejou a sua carreira? O resultado me surpreendeu um pouco. Das quase 2600 pessoas que responderam, 31% dizem que planejaram sua carreira e 69%, não.

O que me surpreendeu? O número alto de pessoas que planejaram sua carreira. Eu tinha quase certeza que seria bem menor, por volta de dez ou vinte por cento. 

Contudo, quando comecei a ler os comentários, percebi que minha intuição não estava tão errada assim. Entre os muitos depoimentos, um que dizia “eu planejei a minha, mas nada aconteceu como eu queria”, chamou a minha atenção.

Isso joga uma luz diferente aos números. A maioria esmagadora, 69%, nunca planejou a carreira. E dos 31% que disseram que, sim, fizeram um planejamento, a coisa nem sempre andou com eles queriam. O que leva a gente a uma grande questão: eu deveria ou não planejar a minha carreira?

## Planejar ou não?

A mesma pessoa que me trouxe o ponto associando fracasso a falta de planejamento, perguntou como foi a minha trajetória. E ele ficou surpreso com a resposta: nunca fiz planos detalhados. Faço parte dos 69%. 

A minha carreira foi acontecendo de forma orgânica, um dia eu vendia sapatos, no outro eu operava uma máquina e, com um misto de sorte e suor, caí no mundo da tecnologia, onde estou há 22 anos. 

Mesmo dentro desse universo, a minha carreira ainda quicou múltiplas vezes até eu me reconhecer como líder de pessoas e seguir dentro dessa linha nos últimos 15 anos. 

Eu quero dizer que não vale a pena planejar a sua carreira? Absolutamente não. Eu já vi exemplos de pessoas que fizeram isso com maestria. 

Lembro bem de um caso, um colega recém contratado na empresa ainda em um cargo júnior pediu para tomar um café comigo. Ele me contou dos seus planos para um dia virar diretor e como estava construindo o caminho para tornar aquilo uma realidade. Ele chegou lá, exatamente como tinha planejado.

O que eu quero dizer é: não sofra por não ter um planejamento. Nem todo mundo quer e nem todo mundo precisa. A vida é algo surpreendente e, para a maioria esmagadora das pessoas, o destino vai chegar sem planejamento. Para uma parte da minoria, vai chegar diferente do que tinham pensado e alguns iluminados vão conseguir trilhar exatamente o que colocaram no papel.

E tudo bem, não há certo ou errado.

## Sempre é tempo de planejar

Você não ter feito o planejamento da sua carreira não quer dizer que nunca precise fazer. Sem querer ser auto-referente demais, vou usar meu caso como exemplo novamente. Apesar de eu nunca ter feito, agora, no alto dos meus 42 anos, estou começando a criar um. 

Eu adoro a minha vida como executivo em uma grande empresa de tecnologia. Eu aprendo, estou rodeado de pessoas incríveis e me sinto pleno em um ambiente corporativo. 

Contudo, como eu falei no começo deste artigo, falar e debater sobre educação corporativa é algo que claramente brilha meus olhos. Eu me vejo trabalhando com isso um dia, venho construindo o caminho há alguns anos e, agora, fiz um primeiro desenho de como isso acontecerá em um futuro próximo.

Eu não sei se o meu planejamento tardio vai funcionar, mas construir as coisas ao redor dele vão, pelo menos, me levar na direção que eu gostaria de ir. Quem sabe eu faço um outro artigo em alguns anos para dizer se ele funcionou ou não? Uma coisa eu posso dizer com certeza: mesmo que ele não funcione, vou encontrar o meu caminho. Todos vamos.

Boa carreira!

*Nota do autor: a minha editora, Gabi Teco, gentilmente me pediu para incluir esta observação para convidar você a conhecer a edição 142 da Revista HSM, que circula a partir de 15/10. O tema de capa, que fala sobre “plano multicarreira”, tem bastante conexão com o assunto deste artigo. Vale a pena conferir.

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Empresas preparadas para a próxima década não usam IA. Elas se reorganizam ao redor dela.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo