Diversidade

Por que a licença-paternidade pode impulsionar a equidade nas empresas

Uma atitude consciente que pode impulsionar a equidade nas empresas.
Elisa Rosenthal é a diretora presidente do Instituto Mulheres do Imobiliário. LinkedIn Top Voices, TEDx Speaker, produz e apresenta o podcast Vieses Femininos. Autora de Proprietárias: A ascensão da liderança feminina no setor imobiliário.

Compartilhar:

Dias atrás, em uma reunião de trabalho, uma colega precisou sair mais cedo para amamentar a filha, de apenas 45 dias. Logo após sair da sala, outro participante da mesa, que será pai no meio do ano, comentou: “Em breve, sou eu que vou sair para dar de mamar”.

O comentário, que foi feito de forma empática e carinhosa, faz refletir. Ele poderia mesmo se ausentar para amamentar a filha?  

A resposta veio da Finlândia e correu pelo mundo: lá, os pais agora poderão ter até sete meses de licença-paternidade. A medida, anunciada no início de fevereiro, afirma que a licença-paternidade remunerada será ampliada para o mesmo tempo da licença-maternidade. 

Se comparar Brasil com a Finlândia pode ser um contrassenso, a notícia já reverberou de forma positiva e algumas empresas começaram a reagir, manifestando sua adesão à causa. É o caso da Loft, a plataforma digital que usa a tecnologia para simplificar a venda e compra de imóveis e, não por acaso, nossa 11ª unicórnio brasileira (startups com valor de mercado de US$ 1 bilhão). 

A proptech especializada na compra, reforma e venda de imóveis, lançou o programa de licença- paternidade remunerada de seis meses para seus colaboradores. A medida, nomeada de “parental leave”, estabelece uma licença mínima compulsória de dois meses para os homens, tornando a Loft pioneira no País a adotar a medida.

Licença-paternidade e maternidade também devem se estender às famílias homoafetivas, adoções e produções independentes. 

Equidade
——–

Se você chegou até aqui, deve estar se perguntando como a licença-paternidade pode impulsionar o movimento pela equidade e a liderança feminina nas empresas. 

Te explico. 

Antes de mais nada, precisamos entender que o papel do homem, do companheiro na relação, não se resume em “ajudar”. O pai “não ajuda a mãe” na criação de seus filhos. Ele “participa” e é, também, protagonista na educação.

Aqui começamos a dar a volta neste prisma e a ajustar nosso olhar para realidades por novos ângulos.

Te convido a direcionar o olhar para a disponibilidade e presença de mulheres em empresas e na liderança. Como apontou um dado da consultoria McKinsey: mais mulheres em cargos de liderança resulta em maior lucratividade; companhias que possuem pelo menos uma mulher em seu time de executivos têm 50% mais chances de aumentar a rentabilidade e 22% de crescer a média da margem. 

Outro dado da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que a nossa economia teria um incremento de até R$ 382 bilhões ou 3,3% no PIB (produto interno bruto) e um acréscimo de até R$ 131 bilhões em receita tributária com mais mulheres no comando dos negócios.

Quando a pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), com 247 mil mulheres, aponta que 24 meses depois de tirar licença maternidade, quase metade (48%) delas sai do mercado de trabalho, uma luz vermelha se acende.

O que nos faz, na grande maioria dos casos, nos afastar do mercado é a falta de rede de apoio e de suporte para que possamos, também, nos dedicar às nossas atribuições e não exclusivamente ao lar e à família. 

Para que esta mulher, com filho(s) pequeno(s) possa retornar ao mercado, a decisão, em muitos casos, é financeira: babá, faxineira, cozinheira, escolinha, motorista… sem contar com ela na “gestão de recursos humanos” de todo este time. 

Quando tudo isso vai para o papel, o salário de um emprego (e como contrapartida a mulher fora de casa) pode deixar de fazer sentido para uma família. 

Com a notícia da licença-paternidade estendida, um novo cenário se mostra possível, afinal, a presença do pai nos primeiros meses de vida da criança, além de oferecer maior proteção à infância, também possibilita mais suporte a mãe e, consequentemente, a sua carreira.

Essa atitude está entre as ações afirmativas necessárias para e pela diversidade e equidade. Eu as chamo de ações conscientes.

Como demonstrou o mesmo estudo da FGV, no Brasil, a licença-maternidade de 120 dias não é capaz de reter as mães no mercado de trabalho, mostrando que outras políticas (como expansão de creches e pré-escola) podem ser eficazes para atingir esse objetivo, especialmente para proteger as mulheres com menor nível educacional. 

São pequenos gestos que podem representar uma enorme diferença no dia a dia corporativo, como foi o caso do abono de faltas para pais acompanharem os filhos à consultas médicas. 

Apenas em 2016, com a publicação da Lei 13.257/16 que tem como objetivo garantir proteção à infância, que o empregado (pai) passou a poder deixar de comparecer ao serviço por até dois dias, sem prejuízo do seu salário, para o acompanhamento de sua mulher ou companheira durante a gravidez.

Como diz o provérbio africano: “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança”, reforçando a importância da rede de apoio à família. E a sua empresa, faz parte da aldeia?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando o feed não sustenta a reputação

Em um mundo onde a presença digital se estende para além das redes sociais, este artigo mostra que a reputação de um líder não é construída pelo que ele publica, mas pela coerência entre discurso, comportamento e cada interação do dia a dia.

O mercado não paga esforço

Este artigo provoca uma reflexão central: não é o quanto se trabalha que sustenta uma carreira, mas a capacidade de transformar trabalho em valor e impacto real.

Marketing
9 de junho de 2026 18H00
Em um mundo onde a presença digital se estende para além das redes sociais, este artigo mostra que a reputação de um líder não é construída pelo que ele publica, mas pela coerência entre discurso, comportamento e cada interação do dia a dia.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional
9 de junho de 2026 09H00
Nunca tivemos tanto acesso à informação. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil saber o que está realmente acontecendo.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de junho de 2026 16H00
Este artigo mostra por que a inteligência artificial está deslocando o centro da competitividade das empresas, da tecnologia para a qualidade do pensamento organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
8 de junho de 2026 09H00
Este artigo provoca uma reflexão central: não é o quanto se trabalha que sustenta uma carreira, mas a capacidade de transformar trabalho em valor e impacto real.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante

2 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de junho de 2026 13H00
Se líderes continuam aprendendo, por que continuam não evoluindo? A resposta pode estar na forma como treinamos - e no que deixamos de medir.

Alexandre Santille - Fundador e Sócio da teya

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de junho de 2026 08H00
Este artigo mostra como falhas operacionais e desintegração de sistemas ainda geram perdas bilionárias - e por que a inteligência artificial pode transformar a eficiência em vantagem estratégica no setor elétrico.

Gilson Paulillo - Diretor comercial da Pagar

2 minutos min de leitura
Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A longevidade deixou de ser apenas um dado demográfico para se tornar questão de governança

Fran Winandy

0 min de leitura
Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de junho de 2026 13H00
Quando bem interpretados, os sinais do comportamento das equipes deixam de ser rotina e passam a revelar o que realmente sustenta performance, engajamento e resultado.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

4 minutos min de leitura
ESG
6 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra por que a inclusão de pessoas com deficiência ainda não evoluiu de obrigação legal para estratégia de negócio nas organizações brasileiras.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

6 minutos min de leitura
Liderança
5 de junho de 2026 16H00
Organizações não estão falhando por falta de esforço, estão falhando por fazer coisas demais ao mesmo tempo. Este artigo reforça que o verdadeiro papel da liderança não é multiplicar tarefas, mas definir o problema certo e simplificar a execução.

François Bazini - CMO e Consultor

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão