Desenvolvimento pessoal

Por que o Spotify é diferente

O sueco Daniel Ek diz que sua empresa não se parece com Apple, Facebook, Google e os outros unicórnios – e explica por quê.

Compartilhar:

O Spotify, aplicativo que talvez você tenha – e que seu fi lho ou sobrinho certamente tem – inspirou os squads, os esquadrões, que são o tema tratado no Dossiê da revista **HSM Management** nº 131. Ele não poderia ter nascido fora da Suécia, líder global da pirataria mundial, “ovelha-negra do mundo”, nas palavras do fundador e CEO da startup, Daniel Ek, que queria “legalizar” seus conterrâneos, convencendo-os pagar por música digital e, assim, benefi ciar os artistas.

Ek, programador autodidata, se considera introvertido e raramente conversa com a imprensa. Em **HSM Management**, demos uma entrevista com ele em 2012. Recentemente, ele concedeu uma entrevista de seis horas para a revista _Fast Company_. Combinamos alguns aprendizados das duas:

**O SPOTIFY SERIA A NETFLIX DA MÚSICA?**

A percepção do público é a de que os dois são muito parecidos. Não é bem assim. Ambos são negócios de consumo por assinatura, na área de mídia, sim, mas as semelhanças param por aí. A missão de nossa empresa é oferecer as ferramentas para que mais de um milhão de artistas possam usar a plataforma para fazer o melhor negócio possível. É diferente do que faz a Netflix com as produtoras de filmes e séries.

Outra semelhança com a Netflix vale para todos os empreendedores: o fato de que o Spotify não nasceu como uma ideia matadora; foi evoluindo. A melhor analogia que posso pensar sobre isso é a seguinte: você está em avião a 20 mil metros de altura e olha para baixo. Não dá para ver nada com clareza, certo? Você até enxerga que há uma cidade ali, mas não sabe nada sobre as pessoas que vivem nela.Quando mais perto você chega, melhor resolução consegue. É aí que você tem sua visão. Quando alguns dizem que sabiam exatamente o que queriam ao fundarem seus negócios, estão falando besteira.

**MUDOU A FORMA COMO AS EMPRESAS DEVEM OLHAR PARA O MUNDO?**

Os consumidores estão despertando e fazendo perguntas bem diferentes daquelas que faziam há alguns anos, principalmente a respeito de empresas de tecnologia. O que essa empresa faz com meus dados?  A que tipos de marcas estou me associando?

Além disso algumas empresas – e esse certamente não é o caso da Spotify – estão ganhando tanto dinheiro, em um período em que a sociedade como um todo enfrenta dificuldades, que vale a questão do como vamos lidar com isso.

Não deveríamos levar os níveis de responsabilização para patamares mais elevados do que exige a legislação? Não quero debater ética ou o que é certo e o que é errado. Estou apenas dizendo que estas são as perguntas que a sociedade está fazendo agora. [Ele se refere a Google, Facebook, Amazon, Apple e “mais algumas”.]

**A TECNOLOGIA TORNA O MUNDO MELHOR OU PIOR?**

Sempre que surge uma nova tecnologia, as pessoas a usam para o bem e para o mal. Não posso falar pelos outros, mas sinto que tenho a responsabilidade de fazer mais do que estou fazendo.

**COMO GERENCIAR PESSOAS?**

Você pode ter o mesmo cargo, mas não deve fazer o mesmo trabalho por mais de dois anos. Os millennials que estão no setor de tecnologia atualmente trocam de emprego, em média, a cada 1,8 ano. Acho que isso está relacionado com o fato de que os líderes não criam uma expectativa clara de que o trabalho deles vai mudar. Assim, as pessoas realmente talentosas buscam novos desafios.

**QUÃO IMPORTANTE É A CULTURA PARA  UMA EMPRESA?**

É muito importante que o líder fale sobre qual a cultura da organização e destaque os exemplos positivos e negativos o tempo todo. A cultura sempre muda, com cada pessoa que sai e com cada um que se junta à empresa. A questão é saber de que mudanças gostamos e quais não aceitamos.

Agora, há quem diga que a cultura “devora” a estratégia no café da manhã. Besteira. As grandes empresas possuem ambas. [No que se refere a cultura, vale lembrar que Ek tem uma placa em seu escritório com os dizeres do dramaturgo George Bernard Shaw: “O homem racional se adapta ao mundo; o irracional tenta adaptar o mundo a si mesmo. Ou seja, todo progresso depende de um homem irracional”. Ele conta que várias vezes ao longo dos anos precisou reler a frase para se convencer de que precisa ser o “irracional”, quando todos diziam que o negócio não daria certo.]

**POR QUE PRIORIZAR AS ATIVIDADES INTERNAS?**

Eu tenho muita sorte em poder aprender, dentro do Spotify, com algumas das pessoas mais inteligentes do mundo – por isso, adoro as atividades internas. A coisa mais importante que eu posso fazer é orientar essas pessoas em uma direção.

**QUAL O FUTURO DO SPOTIFY?**

Nosso foco, nos próximos dez anos, é fazer com que a indústria da música passe pela mesma transformação que o consumo de música passou. Não acredito que o mercado seja necessariamente de compra de músicas. Acho que é muito maior do que isso. O foco é o áudio. Dois bilhões de pessoas ouvem rádio e isso ainda não é monetizado eficientemente, nem volta para os artistas.

As pessoas ouvem primordialmente música. Em média, os consumidores ouvem quatro horas de áudio por dia. O Spotify ainda representa uma fração disso. Mas ele também cria uma oportunidade para os artistas se comunicarem diretamente com os fãs, o que seria um mercado bem diferente. Poderiam usar a plataforma para vender ingressos para shows com antecedência, por exemplo.

**QUAL O PROPÓSITO PESSOAL DE DANIEL EK?**

Quero que nossa empresa tenha um impacto positivo sobre a cultura global. Não consigo lhe dizer o que exatamente isso quer dizer, mas quero que seja mais amplamente reconhecido que temos uma influência positiva no mundo. Se você constrói algo que é valioso para as pessoas, você terá uma empresa valiosa.

Estou focado no longo prazo, em criar novos caminhos por meio dos quais as pessoas possam se expressar. Nosso sucesso vai ser determinado por nossa capacidade de nos mover mais rápido do que todos os outros e continuar inovando.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo