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Por que o Tinder é um negócio tão promissor

A mais famosa rede de namoro online da atualidade se diferencia por facilitar encontros no mundo real; seu fundador, Sean Rad, de 25 anos, voltou ao comando para ampliar esse poder, usá-lo em contextos diversos e fazê-la crescer
Austin Carr é colaborador da revista Fast Company.

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> Vale a leitura porque… 
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> … você entende o que realmente é o Tinder – um negócio que materializa o espírito de nosso tempo e revela muito do comportamento dos consumidores. … acompanha os planos de crescimento dessa empresa icônica. …  conscientiza-se da relevância da cultura organizacional, tão grande que o fundador precisou voltar a ser o CEO. Conhecido no mundo todo, o aplicativo de namoro 

Tinder é um fenômeno tanto cultural como de negócios. Seus números impressionam: são 9,8 milhões de usuários ativos diários, de uma base de cerca de 100 milhões de pessoas. Em torno de 1,3 milhão de encontros por semana são marcados com a ajuda da tecnologia, fruto de 1,4 bilhão de interações por dia. Não parecem ser só adolescentes em busca de diversão; uma pesquisa da empresa mostra que 80% dos usuários procuram algo que dure mais de uma noite. 

Trata-se, além disso, de pessoas altamente engajadas e dispostas a consumir anúncios, o que faz com que o valor de mercado do negócio esteja estimado em mais de US$ 1 bilhão. Apesar de todo o sucesso, Sean Rad, CEO do Tinder, viveu anos de altos e baixos recentemente. 

Teve um período de ausência forçada do mais alto posto da direção da companhia entre março e agosto de 2015, sofreu um processo por assédio sexual e é alvo do olhar crítico da opinião pública dos EUA, para a qual o aplicativo serve apenas à promoção do sexo casual. Rad insiste que o Tinder é muito mais do que uma ferramenta para facilitar conexões românticas. 

Ele planeja construir um veículo robusto de publicidade aliado a um serviço de assinaturas. Rad também acredita que a utilidade do aplicativo vai além dos encontros que ajuda a materializar, vislumbrando uma plataforma de “descoberta social” que possibilite conexões entre as pessoas que outros serviços não têm condições de oferecer. 

“Temos potencial para reunir um público tão grande quanto o Instagram ou o Snapchat, proporcionando um valor muito maior do que qualquer uma dessas redes sociais”, afirma. 

**NOVOS ATRATIVOS**

Desde que voltou ao comando da empresa, o foco de Rad é muito mais do que aprimorar a funcionalidade central do Tinder. Sua prioridade é ampliar o apelo do aplicativo e gerar receitas que sejam proporcionais à influência cultural que a ferramenta tem. 

Uma parte importante dessa estratégia se dá por meio do lançamento de novos atrativos. Entre as novidades está o Super Like, que possibilita chamar a atenção de alguém por quem o usuário se interessou, mesmo que a recíproca não seja verdadeira. 

O recurso foi testado primeiramente na Austrália, antes de se espalhar pelo mundo, com perspectivas promissoras. As pesquisas mostram que as pessoas ficam três vezes mais propensas a fazer contato com um pretendente por meio do Super Like. 

O Super Like é um dos diferenciais do Tinder Plus, a assinatura premium do aplicativo e um dos elementos-chave da estratégia financeira da empresa. O serviço básico é gratuito e limita o número de visualizações de perfis a cada 24 horas, com a possibilidade de um Super Like por dia. Por um pagamento mensal, o Tinder Plus oferece a seus membros visualizações ilimitadas de perfis e cinco Super Likes por dia, além de outras vantagens. 

Os preços da assinatura variam de US$ 9,99 a US$ 19,99 para quem tem 30 anos ou mais. “Quanto você pagaria para conhecer sua futura esposa?”, pergunta Rad para justificar os preços cobrados. Ao mesmo tempo, o Tinder ganha dinheiro com anúncios. Empresas como a Bud Light pagam mais de US$ 1 milhão em uma campanha. 

**SAIBA MAIS SOBRE O TINDER**

Tinder é um aplicativo de namoro de celular, disponível para Android e iPhone. Possibilita que um usuário tenha acesso a inúmeras fotos de outros usuários que estejam próximos, por geolocalização. Dar “like” em uma foto é o primeiro passo para fazer um contato; se a outra pessoa der “like” também, ocorre um “match”, e daí sai uma conversa ou algo mais. 

Como empresa, o Tinder é parte do Match Group, que, por sua vez, é uma divisão do InterActiveCorp (IAC), responsável por sites como Ask.com (vendido ao Google), CollegeHumor, Thesaurus.com, Excite, Newsweek e Vimeo, entre outros, e dirigido pelo experiente Barry Diller, ex-Fox e ex-Paramount. O Tinder é considerado crucial para o apelo do Match Group, que foi criado no final de 2015 com um IPO (oferta pública de ações) de US$ 400 milhões (seu valor de mercado foi estimado em US$ 3 bilhões) e que inclui ainda o OkCupid e o Match.com.

Além do Super Like, Rad planeja mudanças no sistema de funcionamento do Tinder para permitir aos usuários novos tipos de perfis, agregando informações sobre formação e carreira. Esses mesmos dados podem servir para juntar casais com base na compatibilidade (e não só nas fotos visualizadas aleatoriamente). 

Tudo isso é parte de um movimento do Tinder para se tornar uma rede social mais completa. De acordo com o CEO, esse esforço vai levar a mais e mais ferramentas que facilitem o contato das pessoas no mundo real, em uma diversidade de contextos. Dá para imaginar, por exemplo, um Tinder de negócios. “É impossível conhecer pessoas no LinkedIn”, diz Rad. 

**QUEDA E ASCENSÃO**

Para voltar a fazer planos para o futuro do Tinder, Sean Rad precisou enfrentar uma sucessão de acontecimentos, começando por uma crise interna que levou a seu afastamento. Em março de 2015, a empresa escolheu um novo CEO, deixando Rad com a presidência da companhia. Experiente executivo com passagem pela Microsoft e pelo eBay, Christopher Payne chegou para, em suas próprias palavras, “alavancar o nível de accountability, após um período tumultuado”. Rad reagiu com um comportamento exemplar, conforme relatam antigos e atuais colaboradores. “Eu estava muito mal”, conta ele. “No entanto, me comportei como um garoto crescido. Foi difícil, mas tive de concordar com o conselho. 

Tomamos juntos a decisão”, afirma. Com a chegada do novo CEO, Rad passou a se dedicar exclusivamente às áreas de desenvolvimento de produtos e marketing, enquanto Payne buscava estabelecer uma estratégia mais estruturada para a empresa. Para isso, precisou enfrentar a cultura organizacional do Tinder, um tanto indisciplinada. 

Porém o período de Payne também teve dificuldades relevantes e conflitos que não passaram em branco. Por exemplo, quando o executivo decidiu demitir um grupo de funcionários, obrigou Rad a estar à frente da dispensa, o que tornou a relação entre eles mais tensa.

**NO BRASIL, “DEU MATCH” VIROU MODA**

A expressão “deu match”, que tem origem no mecanismo de funcionamento do Tinder, transformou-se em bordão, presente nas conversas e até mesmo na publicidade. 

Não é para menos. Segundo a empresa, dos 100 milhões de usuários no mundo inteiro, 10% estão no Brasil, o que faz do País um de seus principais mercados. Além do número expressivo de usuários, o Brasil registra um uso intenso do aplicativo. 

Segundo  o próprio Tinder, já é um dos cinco países que mais utilizam a ferramenta no dia a dia, e o número de usuários ativos apresenta um crescimento constante. O tempo de uso é outro indicador a ser observado: em média, cada usuário brasileiro entra 11 vezes por dia no aplicativo e passa sete minutos em cada “visita”.

**CULTURA ÚNICA**

Pouca coisa mudou na cultura organizacional do Tinder depois da volta de Rad ao comando das operações. O CEO ainda estimula o espírito selvagem e um tanto indisciplinado dos primeiros tempos da empresa, sempre à beira de mergulhar no caos. Essa abordagem contribui para que o Tinder permaneça uma organização ágil, mas muitos executivos relatam que não há uma política oficial para prevenir situações de conflito, como o processo de assédio sexual no trabalho que Rad sofreu. 

Chama a atenção também o fato de a empresa contar com poucas mulheres; são apenas três profissionais do sexo feminino em cargos de liderança. Muitas reuniões de gestão têm a participação só de homens, que acabam relatando histórias de namoradas para tentar trazer uma perspectiva feminina para as discussões. “Lidamos com um negócio intimamente relacionado com gêneros e é claro que nos importamos com o que as mulheres que utilizam o Tinder pensam”, diz, em contrapartida, Jess Carbino, socióloga contratada por Rad para pesquisar o comportamento dos usuários do aplicativo. 

O CEO do Tinder estudou administração na University of Southern California, mas deixou o curso depois de dois anos e meio, em 2006. Em vez de se juntar ao negócio de eletrônicos da família, de origem iraniana, decidiu ser empreendedor e tentar criar a própria empresa. “Queria ser dono do meu destino”, afirma ele, no estilo que o caracteriza e que faz parte da figura controversa que se tornou. Para isso, criou duas startups. Uma delas é a Adly, que ajuda celebridades a ganhar dinheiro com suas marcas (desta ele não é mais sócio), e a outra, o Tinder, que não criou sozinho. 

Trabalhou com ele em 2012 uma equipe de designers, engenheiros, profissionais de marketing e gestores, como Jonathan Badeen, que desenvolveu o sistema de visualização e escolha das fotos, e Justin Mateen, o melhor amigo de Rad na época, que se juntou à empreitada no final do ano. A crença de Rad na ideia do Tinder, porém, foi o que levou a equipe adiante, como relata Ryan Ogle, engenheiro que mais tarde se tornou diretor de tecnologia. “Sean dizia sempre: ‘Isso vai ser a maior coisa que já fizemos. Vai mudar o mundo’.”

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> Você aplica quando… 
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> … consegue identificar o diferencial de seu negócio, como, no Tinder, é a capacidade de facilitar os encontros no mundo real. … amplifica esse diferencial com novas ferramentas. … usa essa habilidade para conquistar novos contextos e mercados.

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