Liderança

Por que reter talentos coloca empresas na dianteira em tempos incertos

O crescimento é criado por pessoas e, para que a economia e as empresas se recuperem, é necessário realizar um investimento ponderado na retenção, na transferência e na requalificação de funcionários.
*Vice-Presidente para a América Latina e Caribe da* [*Degreed*](https://degreed.com/)*, a principal plataforma de upskilling e requalificação da força de trabalho.*

Compartilhar:

Em meio à mudança brusca para o trabalho remoto durante a pandemia, muitas empresas se viram obrigadas a mudar suas prioridades. Em vez de trabalhar para aumentar a retenção de talento, foram priorizados procedimentos que garantem a continuidade dos negócios e combatem a incerteza criada pela pandemia do coronavírus.

No entanto, agora que já estamos há alguns meses vivendo neste “novo normal” e começamos a caminhar rumo a uma recuperação, é necessário que gerentes voltem a pensar na retenção de funcionários como uma ferramenta para o crescimento de suas empresas em tempos incertos.

## Por que a retenção eficaz é necessária?

Antes da crise, a retenção era uma preocupação crescente. Uma pesquisa realizada no começo do ano com CEOs descobriu que a maior preocupação interna era [atrair e reter](https://www.prnewswire.com/news-releases/survey-business-leaders-start-2020-with-lingering-concerns-about-talent-shortages–recession-risk-300980320.html) os melhores talentos. Isso foi ofuscado quando os líderes das empresas entraram no modo de sobrevivência, tendo de remanejar seus quadros de funcionários e interromper as contratações.

Ainda assim, o crescimento é criado por pessoas e, para que a economia e as empresas se recuperem, é necessário realizar um investimento ponderado na retenção, na transferência e na requalificação de funcionários. 

## Benefícios do aumento da retenção

Os empregadores que tratarem bem seus funcionários durante este período colherão os benefícios no longo prazo, pois as pessoas se lembram das empresas que sempre priorizaram e mantiveram os funcionários. 

A retenção traz também outros benefícios, na redução dos custos de recrutamento e no aprimoramento da agilidade da força de trabalho. No clima atual, com orçamentos cada vez mais apertados, o corte dos custos com recrutamento será uma ação interna comum. 

## Mobilizar funcionários para retê-los

Assim, melhorar a mobilidade interna e a agilidade são duas medidas que caminham lado a lado. Ao aumentar a colaboração e a troca de habilidades entre as equipes, os empregadores facilitam a transferência rápida dos funcionários para novas funções e áreas de negócios conforme o necessário – seja devido à demanda repentina, à troca de funções ou à automação. 

No início da quarentena, o [TD Bank](https://www.wsj.com/articles/inside-the-push-to-redeploy-workers-quickly-11586943000), com sede em Toronto, transferiu 2 mil de seus funcionários da linha de frente para posições de atendimento telefônico. Assim, eles foram transferidos de suas funções no varejo do banco, que foram fechadas, e passaram para as tarefas de atendimento ao cliente que repentinamente entraram em demanda. 

Estar atento às necessidades do mercado é imprescindível. Alguns dos nossos clientes no Brasil operando no setor de varejo constataram que durante a pandemia os esforços deveriam ser centrados no treinamento de seus funcionários na área de e-Commerce. Rapidamente, eles conseguiram preparar a força de trabalho para se adaptar a uma nova realidade, focando em vendas online e pelo WhatsApp. É fundamental ter essa agilidade na aprendizagem. É preciso aprender rápido porque o mercado está sempre se transformando e o que faz sentido hoje pode ser diferente amanhã. 

O maior desafio a enfrentar aqui é o de aumentar a visibilidade sobre as oportunidades de carreira e identificar as pessoas corretas para as funções relevantes. Se as pessoas não conseguirem acessar informações oportunas sobre carreira e oportunidade de aprendizagem quando estiverem analisando o próximo passo na carreira, procurarão externamente.

## Aumentar a visibilidade sobre as habilidades 

Para os empregadores, isso é feito pelo aumento da visibilidade sobre as habilidades que já estão disponíveis dentro de seu quadro de funcionários, mapeando as aptidões das pessoas de acordo com os trabalhos e a aprendizagem disponíveis, incluindo essas informações no planejamento para o futuro. Como explica [Abdul Uddin](https://www.raconteur.net/hr/charting-talent-for-the-future), líder de negócios, infraestrutura e fabricação na Hay Group: “Não basta preencher as funções para o momento, é preciso atrair, reter e envolver os talentos adequados, que enfrentarão os desafios da força de trabalho nos próximos cinco a dez anos”.

É essencial ter uma estrutura de habilidades dinâmica e ativa para que os empregadores consigam rastrear e medir as habilidades na força de trabalho. Para isso, é preciso ter um consenso claro do que constitui uma habilidade, como são definidas, como elas se relacionam entre si e como mudam com o tempo.

## Como extrair o máximo dos talentos atuais

Retendo os talentos, os empregadores extrairão também o máximo das habilidades atuais da força de trabalho no período de paralisação das contratações durante a crise. Se antes a reação imediata às necessidades de um projeto ou função era buscar externamente, os cortes nos orçamentos de recrutamento obrigaram os gerentes a serem criativos. 

A busca por possíveis candidatos internamente é uma solução, assim como o upskilling e o reskilling das pessoas para alcançar o mesmo resultado, com o mesmo quadro efetivo.

Melhorar o emprego das habilidades aumenta também as chances de o funcionário permanecer com o empregador. Uma pesquisa realizada no Reino Unido indicou que os funcionários com qualificação superior à exigida estão duas vezes mais propensos a pedir demissão, em comparação com seus colegas cujas habilidades são compatíveis com o trabalho que desempenham ([22%](https://www.cipd.co.uk/Images/over-skilled-and-underused-investigating-the-untapped-potential-of-uk-skills_tcm18-48001.pdf) contra 12%).

## Transparência é fundamental

Dito isso, os tempos atuais podem exigir decisões difíceis no que diz respeito a remanejar o quadro de funcionários. É imprescindível que a comunicação com os trabalhadores seja clara e transparente quando novas medidas e estratégias forem implementadas.

Os funcionários querem sentir que fazem parte do plano de longo prazo do empregador, especialmente durante as incertezas que vivenciamos. Os empregadores que conseguirem isso colherão os benefícios oriundos da [maior satisfação no trabalho](https://blog.globalwebindex.com/marketing/retaining-talent-in-uncertain-times/), do alinhamento às metas da empresa e de uma força de trabalho dedicada e fiel. 

## É hora de priorizar a retenção

Os empregadores estão enfrentando no momento, e enfrentarão nos próximos meses, muitos desafios referentes à força de trabalho. A retenção, embora ignorada nos estágios iniciais da reação à crise, precisa ser colocada agora na dianteira. As pessoas vão estimular a recuperação e aumentar a resiliência, e é por isso que é necessário retê-las para que, no momento seguinte à crise, sua empresa volte a crescer e prosperar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

A comunicação é um teto de vidro que pode afastar as mulheres da liderança

A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Acordo Mercosul e União Europeia representa um novo ciclo de crescimento para o franchising brasileiro

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Uncategorized, Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo