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Diversidade

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Ambiente de negócios mobilizado amplia a inclusão de pessoas com deficiência

Programas de diversidade, recrutadores humanizados e investimento na capacitação dos funcionários estão entre iniciativas de empresas que querem fazer a diferença no mercado de trabalho

Colunista Djalma Scartezini

Djalma Scartezini

14 de Março

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Artigo Ambiente de negócios mobilizado amplia a inclusão de pessoas com deficiência

A empregabilidade das pessoas com deficiência sempre foi um tema caro para mim. São muitos anos de experiência – mais de 15 anos – em diversidade e inclusão.

Participei de incontáveis projetos e fundei, inclusive, uma consultoria especializada no assunto. Todo esse interesse não se deu ao acaso. Eu sou uma pessoa com deficiência.

Agora em janeiro, tive a honra de assumir a presidência da Rede Empresarial de Inclusão Social (REIS). Trata-se de uma instituição que existe há 12 anos e que reúne dezenas de grandes empresas – como Accenture, JLL, EY, Raia Drogasil, Via Varejo – para fomentar a contratação das pessoas com deficiência e as boas práticas corporativas dentro dessa temática.

Enquanto executivo experimentado, sei da necessidade de discutirmos em conjunto para promovermos avanços consistentes.

A Lei 8.213/1991, conhecida como "Lei de Cotas”, que estabelece cotas progressivas, de 2% a 5%, para profissionais com deficiência no mercado de trabalho, tem se mostrado nesses 23 anos de existência como instrumento fundamental para a inclusão efetiva e equitativa. De acordo com o IBGE, o Brasil possui população de quase 19 milhões de pessoas com deficiência.

Esse grupo registra índices de acesso à educação inferiores em relação aos demais. Por exemplo: somente 25,6% dos indivíduos acima dos 25 anos completaram o Ensino Médio. Só 7% concluíram o Ensino Superior. Na população sem deficiência, essa taxa é de, respectivamente, 57,3% e 20,9%

Ainda segundo o IBGE, 26,6% das pessoas com deficiência estão empregadas no mercado de trabalho formal e 55% atuam na informalidade. Isso nos mostra que, ao mesmo tempo em que a qualificação é um ponto de atenção importante, há um grande contingente disposto a ingressar na formalidade e usufruir das benesses que a segurança empregatícia oferece.

Nesse sentido, fazer parte de uma rede corporativa que entende esse cenário e visa promover oportunidades, qualificação profissional, facilitar a contratação e retenção de pessoas com deficiência, por meio de compartilhamento de conhecimentos, identificação de boas práticas, articulação de contatos, parcerias e projetos é algo muito potente.

Marcos legais, como mencionei, são cruciais. Mas precisamos ir além para, efetivamente, promovermos igualdade e diversidade. Assim, mobilizar os ambientes de negócio para incluir as pessoas com deficiência de forma estruturada constitui uma ação estratégica e essencial. Nossa meta atuar para que sejam realizadas mais 500 mil contratações de pessoas com deficiência até 2030. Nunca é demais destacar que empresas mais diversas são mais produtivas, inovadoras e colaborativas. Só há pontos positivos.

Em tempos em que o ESG tem ganhado cada vez mais espaço, eu te pergunto: a inclusão das pessoas com deficiência faz parte das políticas de RH da sua empresa? Posso garantir que para muitas ainda não.

Participei da décima Conferência Anual da Organização Internacional do Trabalho da ONU (OIT), representando o Brasil e a REIS, no ano passado e empregabilidade foi a temática central do encontro. O mundo está olhando para o assunto com atenção.

Por todos esses motivos, eu te convido a refletir sobre como você e a companhia em que você está podem contribuir. Porque, somente juntos poderemos escrever uma história de impacto positivo, promovendo a inclusão e construindo um futuro com mais equidade de oportunidade para pessoas com deficiência.

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Colunista Djalma Scartezini

Djalma Scartezini

É sócio e COO da Egalite, conselheiro do Instituto EY e da Handtalk, psicólogo, comunicador e docente dos MBAs de Recursos Humanos e Desenvolvimento de Gestores da FGV, professor da Fundação Dom Cabral, HSM University, Escola de Comunicação ABERJE e da Pós-graduação em Cuidados Paliativos do Hospital Sírio-Libanês.

É CEO da REIS - Rede Empresarial de Inclusão Social. Representa o Brasil anualmente na conferência internacional da OIT em Genebra sobre inclusão da pessoa com deficiência e o futuro do trabalho.

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