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Desenvolvimento pessoal

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Não existe falta de tempo, mas falta de prioridade

Será que você está sempre tão ocupado assim ou só não está sabendo organizar melhor o seu tempo?

Colunista Wesley Barbosa

Wesley Barbosa

16 de Maio

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Artigo Não existe falta de tempo, mas falta de prioridade

A melhor maneira de gerenciar nosso tempo é entendendo como nos relacionamos com ele e, assim, criar prioridades. Vamos começar reforçando o título: não existe falta de tempo, o que existe é falta de prioridade ou má gestão do seu tempo.

Nos últimos anos, dizer que não tem tempo virou uma espécie de status, de posicionamento profissional. Como se não ter tempo desse uma sensação de importância, de ser alguém cheio de tarefas, compromissos e responsabilidade. Da mesma forma, quando alguém diz que tem tempo, quase fica sem graça, como se isso significasse que a pessoa está à toa. No episódio “Por que sentimos culpa por não estarmos ocupados?”, do No Brain No Gain Cast, eu falei da necessidade de desacelerar e de descansar para continuar sendo produtivo.

Antes de criarmos uma estratégia para conseguirmos nos livrar desse estigma, é preciso conhecer sua origem. Tudo começa com o padrão de realidade que criamos para perceber e medir o tempo.

Diversas civilizações usavam unidades similares às nossas. Os babilônios, há 5 mil anos, foram os primeiros a desenvolver o dia e a noite em 12 partes e a hora, em 60. Yi Xing, um monge budista chinês, em 725 d.C., fez o primeiro modelo de relógio astronômico, que funcionava com água. Criamos mecanismos com ajuda da natureza para alimentar a necessidade de não apenas perceber, mas ter a falsa sensação de controle do tempo.

Como o cérebro percebe o tempo

O relógio neural opera organizando o fluxo de nossas experiências, uma sequência ordenada de eventos. Essa atividade dá origem ao relógio do cérebro para o tempo subjetivo.

A percepção que temos do tempo é peculiar, varia de acordo com as experiências de cada um de nós. Se estamos inseridos num contexto em que dividimos experiências similares com outros indivíduos, todos tendem a perceber o tempo da mesma forma. É só pensar no ritmo de pessoas que vivem em uma metrópole e aqueles que vivem em cidades pequenas do litoral, por exemplo.

Mas por que o tempo parece acelerar com a idade? Por que o sentíamos tão devagar quando criança e hoje em dia mal conseguimos percebê-lo?

O nosso cérebro codifica novas experiências, mas não as já conhecidas, familiares. Então o nosso julgamento retrospectivo do tempo é baseado em quantas memórias novas criamos durante determinado período. Quanto mais novas memórias construímos, maior será a percepção do tempo.

A percepção de tempo tem a ver com a novidade, com experimentos. Se na fase adulta criamos rotinas com maior frequência, seria prudente entender que ter as mesmas experiências semanalmente fará seu tempo ser percebido de uma forma mais rápida pelo cérebro. Portanto, o segredo para diminuir a velocidade da passagem do tempo está em gerar e viver novas experiências, assim como uma criança que vive diversas situações diárias pela primeira vez.

Em outras palavras, aqueles que descobrem o mundo diariamente conseguem sentir mais a vida. É a mesma sensação que temos em uma viagem de férias para um lugar novo: cada dia parece ter uma semana de duração, tamanha a quantidade de novas experiências.

Por que queremos sempre parecer ocupados?

Enquanto a vergonha nos alerta para evitar agir de maneiras que façam com que outros nos desvalorizem, ela cria o medo de como a sociedade vai nos enxergar. Já a culpa age como um sentimento que nos faz entender que precisamos ter um comportamento que esteja associado à nossa consciência.

Ambas nos favorecem dentro da seleção natural, a culpa e a vergonha nos trazem a adaptabilidade, já que ambas são provenientes de um sistema de defesa e existem para nos manter vivos. A culpa surge quando a dissonância cognitiva entra em jogo, nos momentos em que seu comportamento entra em conflito com sua consciência. A vergonha é desencadeada quando pensamos que prejudicamos nossa reputação.

O medo de não fazer nada surge por termos vergonha de sermos julgados, uma vez que vivemos em bando e precisamos da aprovação social. Temos que gerenciar a culpa e influenciar a vergonha, educando a forma como a gestão é feita hoje, que mede resultados pelo tempo e não pela produtividade.

Mas tempo mede esforço. O que determina se você está sendo produtivo são seus resultados. Precisamos migrar para a gestão por resultados.

Como me relacionar melhor com o tempo?

Reaprendendo a priorizar. Uma citação atribuída a Eisenhower ("Tenho dois tipos de problemas, o urgente e o importante. Os urgentes não são importantes, e os importantes nunca são urgentes.") inspirou Stephen Covey a criar um plano de ação em seu livro Os 7 hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, que ganhou o nome de Matriz de Eisenhower. Trata-se de método para nos ajudar a tomar decisões e priorizar o que é mais importante.

A matriz nos traz consciência sobre as atividades que podem ser executadas dentro do tempo que temos durante determinado período. A ideia é nos fazer fugir da tendência de fazer o máximo que der em algumas horas e executar o que precisa ser feito antes da melhor forma possível. Só então, depois, nós adicionamos outra prioridade.

A matriz se divide em quatro quadrantes, divididos entre importantes/sem importância e urgentes/não urgentes.

Tabela Importante e Urgente Fonte: Eisenhower

Ao fazer esse exercício mental você modificará sua percepção e doutrinará seu cérebro a perceber o tempo de uma maneira mais organizada, com espaços para preencher com atividades que podem desprendê-lo do tempo. Depois, é só trocar o “estou sem tempo” por “tenho algumas prioridades na frente”.

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Colunista Wesley Barbosa

Wesley Barbosa

Wesley Barbosa

Saiu da periferia de Maceió e se tornou executivo do Facebook no Vale do Silício e Sócio da XP Investimentos. É o fundador da Become, empresa de educação executiva e corporativa. É professor de Neurociências, com aulas ministradas na quarta maior universidade do mundo, UC Berkeley, e Singularity University, ambas na Califórnia. Foi o executivo responsável por trazer o Baidu (o Google chinês) para a América Latina. Também liderou startups chinesas de games sociais, como o Colheita Feliz, e o idealizador da ONG chancelada pela ONU e acelerada por Stanford, Ajude o Pequeno.

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