Desenvolvimento pessoal

Precisamos falar sobre o real significado de “resiliência”

Experiências difíceis ou traumatizantes no trabalho não tornam você necessariamente resiliente. Deixam exausto – e isso pode prejudicar outras áreas importantes da vida
Saiu da periferia de Maceió e se tornou executivo do Facebook no Vale do Silício e Sócio da XP Investimentos. É o fundador da Become, empresa de educação executiva e corporativa. É professor de Neurociências, com aulas ministradas na quarta maior universidade do mundo, UC Berkeley, e Singularity University, ambas na Califórnia. Também é professor convidado da Fundação Dom Cabral. Foi o executivo responsável por trazer o Baidu (o Google chinês) para a América Latina. Também liderou startups chinesas de games sociais, como o Colheita Feliz, e o idealizador da ONG chancelada pela ONU e acelerada por Stanford, Ajude o Pequeno. Siga o colunista no Instagram - [@wesleybarbosa] - e ouça o podcast de Wesley Barbosa, [No Brain No Gain](https://open.spotify.com/episode/3LzGWqyWnLSo07gwUkKa6R?si=QLRGTDmPSo-1bOS5FJrdmA&nd=1),

Compartilhar:

Foi o filósofo __Friedrich Nietzsche__ que proferiu as palavras: “O que não te mata, te fortalece”. Ele queria dizer que precisamos encarar a vida do jeito que ela é, questionar vieses e se libertar de crenças enraizadas.

A percepção errada sobre o que nos fortalece nos faz criar uma sequência de decisões ruins. Essa deturpação nos faz aceitar maiores cargas emotivas e de trabalho, por uma má interpretação da etimologia de um dos maiores mitos da sociedade moderna: a RESILIÊNCIA.

O significado real da palavra se perdeu. Quem carrega a culpa são os ávidos pela promoção de uma das indústrias que mais crescem no mundo, a autoajuda.

Acelerado pelo vazio existencial, o mercado de autoajuda cresce assustadoramente. De acordo com a [Grand View Research](https://www.grandviewresearch.com/), ele fatura US$ 40 bilhões anuais, com uma taxa de crescimento projetada em 5,1% de 2020 a 2025.

## Qual o problema em interpretar errado a resiliência?
Estamos em uma época em que não investimos solidamente em nos conhecermos e desenvolvermos melhor. Criamos uma sociedade que não sabe por onde começar a se interpretar. As universidades estão cheias de cursos que nos dão hard skills, que nos transformam em advogados, médicos, engenheiros etc. Mas qual faculdade nos traz uma percepção sobre nosso propósito na vida?

É a ausência de qualificação pessoal que nos faz tomar decisões erradas sobre nossa carreira e prioridades da vida, criando uma bola de neve enviesada sobre tudo que consumimos. Vira uma espécie de looping infinito de livros, cursos, busca desordenada, automedicações, palestras vazias… Tudo para alimentar a esperança de dias melhores.

É aí que entra a __”RESILIÊNCIA”__.

No sentido figurado, a resiliência é a “capacidade de quem se adapta às intempéries, às alterações ou aos infortúnios”. Na física, significa a “característica mecânica que define a resistência dos choques de materiais”. Mas o real significado etimológico tem origem no latim, que quer dizer “saltar para trás”.

Acreditamos que resiliência seja se tornar mais resistente por meio de circunstâncias difíceis. Acreditamos que quanto mais duro sejamos ao enfrentar situações diversas, mais duro seremos quando elas aparecerem. Só que tal percepção é cientificamente incorreta.

A falta de tempo para se recompor está tornando a resiliência coletiva distante da realidade. [Pesquisas indicam que](https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/001401399185487) “existe uma correlação direta entre falta de recuperação e aumento de incidência de problemas de saúde e segurança. Essa falta de recuperação – seja interrompendo o sono com pensamentos de trabalho ou tendo atividade cognitiva contínua – está custando às nossas empresas US$ 62 bilhões por ano em perda de produtividade”.

Ou seja, o conceito de resiliência que fomos urbanamente ensinados a compreender está nos fazendo tomar iniciativas que nos levam à contínua exaustão, e não ao enfrentamento de problemas. Não é porque encerramos o expediente que paramos o trabalho. Levamos o pensamento para casa, falamos sobre trabalho no jantar, vamos dormir pensando na agenda do próximo dia. É um vilão silencioso que está fragilizando a capacidade que temos de enfrentar problemas e que pode nos levar ao “burnout”.

[Em um estudo feito na Noruega](https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0152978#pone.0152978.ref001), 7,8% das pessoas são workaholic. Os cientistas têm usado a seguinte definição para “workaholic”: “Estar excessivamente preocupado com o trabalho, impulsionado por uma motivação incontrolável para o trabalho, e investir tanto tempo e esforço para trabalhar que prejudica outras áreas importantes da vida”.

Resiliência tem a ver com tentar o máximo, PARAR, SE RECUPERAR e TENTAR NOVAMENTE. As pessoas mais resilientes não são as que mais sofreram na vida, estas são as pessoas mais traumatizadas. As pessoas mais resilientes são as que tiveram o privilégio de descansar antes de recomeçar, após momentos difíceis ou de gasto intenso de energia.

Essa conclusão tem fonte na biologia. A homeostase é um conceito biológico fundamental que descreve a capacidade do cérebro de restaurar e sustentar continuamente o bem-estar.

Precisamos buscar o valor homeostático. Certas ações criam equilíbrio e bem-estar. Quando o corpo está desalinhado devido a altas cargas de trabalho, há um gasto enorme de recursos mentais e físicos para tentar devolver o equilíbrio.

## Como criar a verdadeira resiliência?
A única forma é __PARANDO__. Verdadeiramente se afastando de atividades de trabalho.

Faça uma lista de coisas que gosta e consegue fazer diariamente, que o desligam da rotina exaustiva. Faça outra lista de coisas que o ligam a essa rotina.

Por exemplo, tomar água de coco, ir à praia, nadar, pedalar, cozinhar, tocar instrumentos musicais, passar momentos com amigos e familiares, ler livros sem correlação com trabalho, viajar, passar tempo com seu bicho de estimação, estudar…a lista não para.

Evite uso de telefone. Inclusive, indico utilizar aplicativos de monitoramento de tempo de uso. Estabeleça uma meta semanal para tentar usar menos o celular. Evite o contato com telas antes de dormir e os livros relacionados ao trabalho.

[Nestas aulas](https://begintobe.com.br/become-energy/), ensinei como gerir as quatro dimensões da performance, em que deixamos o posicionamento de alocar tempo e esforço para alocarmos energia na atividade correta.

A grande lição aqui é que o ser resiliente é aquele que tem a inteligência e o privilégio de parar. A resiliência está na RECARGA, não na DESCARGA. Tem muito mais a ver com a qualidade e quantidade de sono que você teve do que com uma experiência traumatizante.

Compartilhar:

Saiu da periferia de Maceió e se tornou executivo do Facebook no Vale do Silício e Sócio da XP Investimentos. É o fundador da Become, empresa de educação executiva e corporativa. É professor de Neurociências, com aulas ministradas na quarta maior universidade do mundo, UC Berkeley, e Singularity University, ambas na Califórnia. Também é professor convidado da Fundação Dom Cabral. Foi o executivo responsável por trazer o Baidu (o Google chinês) para a América Latina. Também liderou startups chinesas de games sociais, como o Colheita Feliz, e o idealizador da ONG chancelada pela ONU e acelerada por Stanford, Ajude o Pequeno. Siga o colunista no Instagram - [@wesleybarbosa] - e ouça o podcast de Wesley Barbosa, [No Brain No Gain](https://open.spotify.com/episode/3LzGWqyWnLSo07gwUkKa6R?si=QLRGTDmPSo-1bOS5FJrdmA&nd=1),

Artigos relacionados

Você não perdeu o controle – perdeu o monopólio da inteligência

O futuro não é humano nem artificial: é combinado. O diferencial está em quem sabe conduzir essa inteligência. Este artigo propõe uma mudança radical de mentalidade: na era em que a inteligência deixou de ser exclusiva do humano, o diferencial competitivo não está mais em saber respostas – mas em fazer as perguntas certas, reduzir a fricção cognitiva e liderar a combinação entre mente humana e IA.

Brasil, inovação e o setor farmacêutico

Este é o primeiro artigo de uma série de cinco que investiga o setor farmacêutico brasileiro a partir de dados, conversas com líderes e comparações internacionais, para entender onde estamos, como o capital vem sendo alocado e até que ponto a indústria nacional consegue, de fato, gerar inovação e deslocamento tecnológico.

Liderança, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
30 de abril de 2026 11H00
O futuro não é humano nem artificial: é combinado. O diferencial está em quem sabe conduzir essa inteligência. Este artigo propõe uma mudança radical de mentalidade: na era em que a inteligência deixou de ser exclusiva do humano, o diferencial competitivo não está mais em saber respostas - mas em fazer as perguntas certas, reduzir a fricção cognitiva e liderar a combinação entre mente humana e IA.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 08H00
Quem nunca falou e sentiu que o outro “desligou”? Este artigo recorre à neurociência para explicar por que isso acontece - e sugere o que fazer para trazer a atenção de volta.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 18H00
Este é o primeiro artigo de uma série de cinco que investiga o setor farmacêutico brasileiro a partir de dados, conversas com líderes e comparações internacionais, para entender onde estamos, como o capital vem sendo alocado e até que ponto a indústria nacional consegue, de fato, gerar inovação e deslocamento tecnológico.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

17 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 13H00
Sua empresa tem um lab de inovação, patrocina hackathon e todo mundo fala em "mindset de crescimento". Mas o que, concretamente, mudou no seu modelo de negócio nos últimos dois anos?

Atila Persici Filho - CINO da Bolder e Professor FIAP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 07H00
Este artigo mostra como empresas de todos os portes podem acessar financiamentos e subvenções públicas para avançar em inteligência artificial sem comprometer o caixa, o capital ou as demais prioridades do negócio.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de abril de 2026 14H00
Em um mundo onde algoritmos decidem o que vemos, compramos e consumimos, este artigo questiona até que ponto estamos realmente exercendo o poder de escolha no mundo digital. O autor mostra como a conveniência, combinada a IA, vem moldando nossas decisões, hábitos e até a nossa percepção da realidade.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de abril de 2026 08H00
Organizações recorrem a parcerias estratégicas para acessar tecnologia e expertise avançada, como a implantação de plataformas ERP em poucas semanas

Paulo de Tarso - Sócio-líder do Deloitte Private Program no Brasil

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
27 de abril de 2026 15H00
A era da produtividade limitada pelo horário terminou. Enquanto ainda debatemos jornadas e turnos, a produtividade já opera 24x7. Este artigo questiona modelos mentais e estruturais que se tornaram obsoletos diante da ascensão dos agentes de inteligência artificial.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
27 de abril de 2026 07H00
Com a nova regulamentação prestes a entrar em vigor, saúde mental, riscos psicossociais e gestão contínua deixam de ser discurso e passam a integrar o centro das decisões corporativas.

Natalia Ubilla - Diretora de RH do iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de abril de 2026 15H00
Da automação total às baterias do futuro, ao longo do festival em Austin ficou claro que, no fim das contas, a inovação só faz sentido quando melhora a vida e o entendimento das pessoas

Bruno de Oliveira - Jornalista e editor de negócios do site Automotive Business

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...