Tecnologia e inovação
Oferecido por:

Privacidade de dados, LGPD e filosofia: estamos realmente preparados?

Mas, afinal: o que tem a ver a filosofia com a proteção de Dados?
CEO e Fundador da Bravo GRC

Compartilhar:

O direito de ser deixado em paz! Ou, na língua original, *the right to be let alone*. O conceito de privacidade nascia com a frase do jurista dos Estados Unidos Louis Brandeis. Ele, tido como um dos responsáveis por criar as bases do direito à privacidade, teria buscado inspiração no filósofo Ralph Waldo Emerson, que defendia a solidão para alcançarmos a liberdade e a criatividade. Tudo isso, discutido antes de entrarmos na Pós-Modernidade e até antes do GDPR e da Lei Geral de Proteção de Dados, a versão à brasileira das leis de Proteção de Dados. Mas, afinal: o que tem a ver a filosofia com a proteção de Dados?

Acho que a resposta é mais que uma conclusão. Ela deveria nortear as empresas na implementação e na [adequação à LGPD](https://revistahsm.com.br/post/lgpd-4-passos-para-ajudar-sua-empresa-a-entrar-na-conformidade-a-tempo). Se levarmos em conta que todo cidadão tem direito à privacidade e, por conseguinte, à proteção de seus dados, já teremos eliminado alguns obstáculos. Pois, a partir de agora, as empresas (independentemente do tamanho e do setor) precisarão estar em conformidade com a Lei se não quiserem sofrer as sanções e as multas que podem chegar a até R$ 50 milhões.

Mais que entender a lei ou ter uma solução que permita à empresa [seguir a LGPD](https://mitsloanreview.com.br/post/lgdp-tudo-sera-mais-efetivo-com-tecnologia), é importante se perguntar como a sua empresa lida com o processamento de dados de seus clientes, colaboradores, fornecedores e outros parceiros. Como armazenamos os dados e como utilizamos esses dados. 

Agora mesmo, acompanhamos no noticiário internacional a queda de braço entre o governo norte-americano e o aplicativo TikTok, pertencente a uma empresa chinesa chamada ByteDance. O presidente Donald Trump já deixou claro que poderá banir o aplicativo dos Estados Unidos. Ele alega que o app repassaria dados coletados dos usuários para o governo chinês. Outros analistas dizem que há um componente eleitoral também nesta proibição. Segundo eles, Trump acredita que os usuários do TikTok, por serem mais jovens, são mais favoráveis às ideias democratas. E, vejam, estamos em ano eleitoral nos EUA. 

Até a Microsoft teria demonstrado interesse em comprar o app, o que poderia facilitar a permanência do aplicativo nos Estados Unidos. Independentemente de repassar dados ou não, a briga entre TikTok e o governo norte-americano (Índia já proibiu o aplicativo e Austrália também discute banir o app do momento) já é mais um fato que chama a atenção para a preocupação com o Data Privacy. E nos faz voltar a discussão filosófica e ética sobre a questão do direito à privacidade.  

## Um pouco de dados……históricos 

Foi na década de 60 que os primeiros projetos para processamento de dados começaram a surgir. EUA e alguns países europeus lideraram os primeiros projetos. A preocupação era a privacidade dos dados (*data privacy*). 

A preocupação com *data privacy* foi impulsionada pela fundação da Comunidade Econômica Europeia (CEE). Mas, a legislação começou a ser unificada tempos depois, por volta de 1995, quando uma primeira diretiva (Diretiva 95/46/EC) tratou de estabelecer normas para proteger os cidadãos. Mais de 20 anos depois, surgiria a General Data Protection Regulation, GDPR.

Saltamos para agosto de 2020, quando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entra em vigor. De lá para cá, muita coisa mudou. Inclusive, estamos no meio de uma pandemia. Será que as empresas tiveram tempo suficiente para se preparar? No final do ano passado, o Gartner apontou que menos de 30% das empresas brasileiras estariam prontas. O percentual está totalmente correto. Mas, como podemos conseguir êxito nesta jornada?  

## A tecnologia é o caminho

Em um outro artigo, refleti sobre o papel da tecnologia na implementação da LGPD. Ao reler o texto, pude perceber o papel fundamental nesta equação do ser humano, que é mais que um dado, e a intersecção com o tecnológico.

A [tecnologia](https://revistahsm.com.br/post/ma-utilizacao-de-recursos-em-ti-impacta-indice-de-inovacao-do-brasil), sem dúvida, facilitará a integração dos dados, suportando todos os assuntos pertinentes à LGPD, tais como registros de processamento, análise de impacto da proteção de dados pessoais, avaliação de impacto sobre a proteção de dados (AIPD), monitoramento contínuo, gestão de violações de dados pessoais, relatórios e gestão de conformidade. 

A eliminação de ineficiência e atrasos na gestão por meio de automação estruturada, atravessando fronteiras e trazendo a alta governança para dentro da empresa, é fundamental.

Nesse sentido, a integração com o ambiente de [GRC](https://mitsloanreview.com.br/forum/governanca-40) tem um papel ainda mais estratégico, pois tornará possível visualizar as vulnerabilidades das organizações, decidir onde os investimentos devem ser realizados em ordem de prioridade e, acima de tudo, prevenir um impacto financeiro e principalmente reputacional no eventual vazamento de informações sigilosas.

Novamente, aqui, o binômio tecnologia-educação é o agente ideal de transformação. As atividades humanas têm alto grau de riscos operacionais. É preciso olhar além da regulamentação e gerar valor a partir disso. 

A [transformação digital](https://revistahsm.com.br/post/transformacao-ou-disrupcao-digital) oferece inteligência para melhorar a gestão da conformidade às normas e atender com precisão a nova regulamentação. Com o devido suporte tecnológico pode-se mapear o cenário de dados pessoais que são processados no ambiente de TI da companhia, permitindo que relatórios sejam consolidados e alinhados à regulamentação. Dessa forma, a empresa tem evidências de estar em compliance. Temos a necessidade de gerir o consentimento, o direito dos titulares dos dados, que podem ser de um espectro realmente significativo de partes interessadas.

Uma pergunta recorrente que toda empresa deve se fazer: Quantos titulares você tem? 

Com essa simples questão é possível pensar o nível de complexidade que será atender esses titulares.

Onde estão os dados?

Temos eles estruturados?

Estão desestruturados?

Como vamos encontrá-los?

Bem, foi uma jornada longa, começando por filósofos, passando por juristas e chegando até a sua empresa. E, mais uma vez, fica a reflexão: por mais que você tenha uma tecnologia robusta e apropriada para o seu business, você compreende a importância da privacidade dos dados? Você protege os dados dos seus stakeholders?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Headless: a empresa precisa funcionar fora da própria tela

Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução