Coluna: Trabalho 4.0

Procure um lugar para ser feliz

Em 2024, em vez de lutar contra o trabalho, tome uma atitude e procure um lugar que faça sentido com suas escolhas de vida. Acredite: ele existe
Jornalista, com MBA em Recursos Humanos, acumula mais de 20 anos de experiência profissional. Trabalhou na Editora Abril por 15 anos, nas revistas Exame, Você S/A e Você RH. Ingressou no Great Place to Work em 2016 e, desde Janeiro de 2023 faz parte do Ecossistema Great People, parceiro do GPTW no Brasil, como diretora de Conteúdo e Relações Institucionais. Faz palestras em todo o País, traçando análises históricas e tendências sobre a evolução nas relações de trabalho e seu impacto na gestão de pessoas. Autora dos livros: *Grandes líderes de lessoas*, *25 anos de história da gestão de pessoas* e *Negócios nas melhores empresas para trabalhar*, já visitou mais de 200 empresas analisando ambientes de trabalho.

Compartilhar:

Vou contar uma história para você. Quando eu trabalhava numa grande editora e já escrevia sobre o mundo do trabalho, invariavelmente tinha discussões com colegas sobre a empresa que trabalhávamos. Um reclamava das jornadas extensas; outro da comida do bandejão. Havia sempre quem reclamava do chefe – ou dos chefes dos chefes – e até quem colocava a culpa no café. Se as reclamações eram diferentes, a atitude deles era igual: todos, sem exceção, não faziam nada para mudar de vida. Entrava mês e ano e a ladainha continuava.

A empresa não era perfeita, obviamente, tampouco sua liderança, mas aquele era o lugar que, para mim, fazia sentido – mesmo com suas jornadas longas e um café mais ou menos. Por isso, eu questionava os reclamões de plantão, com a pergunta mais óbvia: se é tão desconfortável, por que você não muda? Afinal, tratava-se de pessoas talentosas que poderiam fazer outras muitas coisas no mercado de trabalho, mas não ousavam em olhar para fora e arriscar novas rotas para ser feliz.

O ano de 2023 foi marcado por esse tipo de profissional. De memes nas redes sociais a desabafos reais de pessoas que, exaustas com sua rotina, preferiram voltar à ideologia do trabalho como simplesmente um gerador de renda. “Eu trabalho para pagar os boletos. E tá tudo bem”, ouvi de muitas pessoas neste ano. Era essa a mentalidade (e a resposta) dos meus colegas reclamões. “Eu trabalho para pagar as contas. Por isso não saio”. O que eu pensava? “Ué, eu também preciso do dinheiro para pagar as contas, mas o dia que não fizer mais sentido; o dia que ficar insustentável, eu vou olhar para fora”.

E foi o que aconteceu. Quando o trabalho ficou insustentável, o ambiente tóxico e deixe de ver sentido no que eu fazia, eu olhei para fora, busquei novas rotas e redirecionei a minha carreira. Se eu arrisquei? Muito! Poderia dar errado? Claro! Mas pior seria viver um dia depois do outro apenas esperando meu contracheque para pagar os boletos.

Ambientes tóxicos existem – e chefes tóxicos também. A questão é: enquanto as empresas e seus líderes não mudarem, o que você está fazendo para mudar? A mudança pode demorar para acontecer dos dois lados (da liderança e do nosso), mas se de um lado a gente tem menos domínio, do nosso lado a gente tem mais controle. Às vezes nos acostumamos a esperar uma atitude positiva dos outros e esquecemos que nós temos o poder de nos mover e encontrar novos caminhos.

Na era da inteligência que vivemos, em que há uma escassez enorme por habilidades e trabalhadores e um campo infinito de oportunidades para serem exploradas, temos mais opções de nos mover do que no passado. Mas o que eu vejo é uma contínua espera para que as empresas e suas lideranças se movam antes. Nessa guerra de braço, ninguém sai ganhando. Perdem os chefes e as organizações ao fomentar ambientes ruins, comprometendo o engajamento dos times, e perdem os profissionais que se arrastam todos os dias para ambientes desagradáveis.

A melhor pergunta que você pode fazer a si mesmo neste início de ano é: eu trabalho para quê? Se a resposta for igual a que ouvimos dos nossos antepassados desde a era agrícola: “para pagar contas” é porque você está numa zona perigosa.

Ao refletir sobre esse assunto pense nas seguintes questões:
• O que você ama fazer?
• Quais são suas maiores habilidades? (aquilo em que você realmente se destaca)

Preste atenção nas duas respostas acima e pense, a partir delas, no que o mundo precisa – qual seria sua contribuição para o todo?

Por fim, não esqueça de se perguntar: o mercado me pagaria para tudo isso?

A intersecção dessas quatro respostas pode dar a você o que chamamos de PROPÓSITO. E quando você realmente encontra esse sentido no que faz, o caminho fica muito mais fácil. Você pode escolher ficar exatamente onde está, mas agir de outra forma; mudar de área, mudar de empresa e até mudar de carreira. O que não dá é começar mais um ano reclamando do chefe, do modelo de trabalho, da comida do restaurante, do vale-benefício, dos colegas, e, claro, do café.

O meu desejo para 2024 é que você encontre esse lugar que te faça sentido. Seja ele qual for.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Da produção à curadoria: a nova lógica da relevância digital

O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Por que todos os líderes começaram a soar iguais?

A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Live marketing ganha força na era da distração

Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

O futuro das empresas de serviços

Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Bem-estar & saúde, User Experience, UX
24 de julho de 2026 14H00
Impulsionado pelo avanço do wellness e pela busca crescente por experiências com significado, o setor de turismo enfrenta um novo desafio: deixar de vender viagens para entregar transformação, criando vínculos de longo prazo e novas vantagens competitivas.

João Biancardi - Diretor de Marketing e Experiencia do Cliente do Grupo Mabu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
24 de julho de 2026 08H00
A preocupação com dinheiro já impacta produtividade, saúde mental e permanência no emprego. Diante desse cenário, organizações começam a repensar seu papel e a buscar formas de apoiar colaboradores sem invadir sua autonomia financeira.

Vivian Pardini - Coordenadora de compliance da Biz

4 minutos min de leitura
Marketing, Estratégia
23 de julho de 2026 14H00
O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Ronaldo Fragoso - Chief Growth Officer da Deloitte e Carlos Eduardo Fogarolli - Sócio-líder da indústria de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte

3 minutos min de leitura
Comunicação, Liderança
23 de julho de 2026 08H00
A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
22 de julho de 2026 14H00
Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de julho de 2026 09H00
Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, escritor e palestrante

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
21 de julho de 2026 14H00
A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de julho de 2026 09H00
A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Rafael Brizot - Diretor da Max Mohr

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de julho de 2026 14H00
Sem maturidade informacional, a IA não elimina problemas, apenas os torna mais rápidos e mais difíceis de controlar.

Bergson Lopes - Fundador e sócio-diretor da BLR DATA, Vice-presidente da DAMA Brasil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo