Gestão de pessoas, E-dossiê: Gestão de times de híbridos

Promover a felicidade no trabalho é uma missão do negócio

Colaboradores felizes são mais engajados e, por isso, atendem melhor aos clientes
People director da Swile

Compartilhar:

Existe uma palavra em japonês que faz parte da minha história – *ikigai*. Ela significa *razão de viver*. Tive a sorte e a bênção de descobrir cedo a minha razão de viver ao abraçar a missão de promover a felicidade no trabalho das pessoas. Mas como diz Ben Parker, o tio do *Homem-Aranha*, grandes poderes trazem sempre grandes responsabilidades.

Como passamos muitas horas do dia trabalhando, compreendi que, ao promover a felicidade das pessoas no trabalho, essa felicidade transbordava para a vida particular e para o convívio com suas famílias. É que, na realidade, não se pode separar vida pessoal e trajetória profissional. Somos um único corpo, uma única alma.

É por isso que, na vida corporativa, é preciso flexibilizar cada vez mais os benefícios oferecidos aos colaboradores, possibilitando que sejam respeitados ao máximo possível seus estilos de vida e suas individualidades. Assim, dentre as opções disponibilizadas pela empresa, os colaboradores escolherão aquelas que fazem mais sentido para eles e suas famílias.

Estou convicto de que a hipercustomização dos benefícios – somada a uma cultura corporativa que valoriza o trabalho realizado, promove a diversidade e oferece remuneração adequada, além de oportunidades de crescimento profissional – poderá contribuir decisivamente para a felicidade, dentro e fora do ambiente de trabalho.

Costumo dizer que a promoção da felicidade no trabalho, embora pareça uma tarefa restrita à área de Gente e Gestão, é uma missão do negócio e sua liderança. Sabe por quê? A felicidade no trabalho produz um ecossistema mais robusto e nutrido, que gera uma bola de neve. Colaboradores felizes são mais engajados e, por isso, atendem melhor aos clientes. Clientes mais bem assistidos ficam mais satisfeitos. Clientes mais satisfeitos são mais fiéis à marca.

__Mais que remuneração__ – Mas não é só isso. Colaboradores felizes têm mais propensão a construir relacionamentos pessoais de qualidade dentro da empresa e, com isso, ajudar e incentivar os colegas. Não é de hoje que as pesquisas demonstram que os profissionais com senso de pertencimento à cultura da empresa são mais engajados e, com isso, alcançam uma performance melhor. A geração que está ingressando no mercado de trabalho considera este movimento ainda mais relevante. Diante disso, as lideranças de Gente e Gestão buscam diversas maneiras de fazer com que esse anseio geracional possa ser cada vez mais atendido pelas organizações.

Antigamente, as pessoas se orgulhavam de passar a vida toda em um só emprego. Hoje, constatamos que o jovem já não se importa de permanecer pouco tempo em uma empresa. Essa inconstância tem a ver com o que chamamos de falta de significado e propósito no trabalho. E é justamente por estar atrás desses atributos que a geração Y não se constrange de pular de emprego em emprego, como se estivesse fazendo um exercício de tentativa e erro. Sabe a [Great Resignation](https://www.revistahsm.com.br/post/a-experiencia-do-colaborador-como-estrategia-no-combate-ao-turnover#:~:text=Algo%20viral%20atingiu,executivos%20C%2Dlevels.)? As Gerações millenial e Gen Z são uma parcela significativa desse movimento.

A razão é que não é só salário o que importa, principalmente para os mais jovens. Há também o desejo de se conectar com os valores e a missão da empresa. Se essa química não acontece, eles vão atrás de outra opção de trabalho. Ora, todos sabemos que, atualmente, existe uma disputa acirrada para atrair e reter talentos no mercado. Empresas que não conseguem estabelecer conexão com os anseios da geração Y estão ficando para trás. Aqui, mais uma vez, fica demonstrado que senso de pertencimento e desempenho do negócio são vetores intimamente relacionados.

__Papel ativo na transformação social__ – Mas o que é, afinal de contas, senso de pertencimento? Independente de gerações, vivemos um tempo em que não há mais espaço para endossarmos padrões que excluam diferenças e ignorem grupos menos favorecidos. Mas, para as gerações mais jovens, essa questão é ainda mais crucial. A verdade é que elas querem sentir-se parte da transformação social. É o que mostram pesquisas recentes no Brasil: a geração Y está em busca de ter um papel ativo na transformação da sociedade. Não é de admirar que, na hora de escolher onde trabalhar, a postura da empresa frente às questões de inclusão e diversidade faça a diferença.

Por isso, tanto se fala em culturas organizacionais que promovam senso de pertencimento. E, para que ele aconteça, o ambiente profissional deve ser um lugar onde a gente consiga não apenas performar, mas também se divertir. Mais ainda: que possamos ser quem somos, mesmo com todas as diferenças.

Como construir uma cultura organizacional que promova o senso de pertencimento? De que maneira as lideranças e o RH podem fazer as pessoas trabalharem focadas nos objetivos da organização? Como fazer com que os colaboradores se identifiquem com os projetos, demandas e atividades e tenham prazer durante seu dia de trabalho?

Na Swile, temos a crença de que é preciso ter vários canais de comunicação para entender as expectativas dos colaboradores e, a partir disso, construir programas que promovam o sentimento de pertencimento. Estou falando de canais formais e informais de comunicação. Isso abarca desde eventos corporativos, nos quais são comunicados os desafios, as estratégias e os resultados da empresa, até bate-papos espontâneos com as equipes. “Hoje, não vamos falar de trabalho. Vamos conversar sobre você, como você está” – que tal essa pauta?

__Flexibilidade__ – Embora o senso de pertencimento seja antes de tudo um sentimento – as pessoas não o veem, não podem tocá-lo –, existem indicadores para mensurá-lo dentro das organizações. Entre eles, destaco o e-NPS (Employee Net Promoter Score), índice criado a partir de uma metodologia que, originalmente, servia para medir a satisfação do cliente. Há também a sistemática do Great Place to Work, sem falar em indicadores mais tradicionais, como as pesquisas de clima interno e os índices de turnover.

Se até o início de 2020 as iniciativas de gestão de pessoas que contribuíam para o pertencimento eram essencialmente presenciais, com a adoção em massa do trabalho remoto ou híbrido, em função da covid-19, tais ações precisaram ser repensadas. Tudo isso ficou bem mais complexo a partir da pandemia, mas há que se buscar alternativas para continuar promovendo o engajamento das pessoas de um jeito ou de outro.

Não há como negar que os formatos híbridos e remotos de trabalho acarretaram perdas. No presencial, você sente a expressão não-verbal da outra pessoa. Depois da reunião, toma um café junto com ela, pergunta como foi o fim de semana. Essas trocas frequentes e de maior qualidade (em comparação com os encontros online) fazem falta, não há dúvida. Mas algumas pessoas preferem trabalhar em casa, porque isso lhes dá autonomia e liberdade. Têm mais tempo para se dedicar às questões pessoais. Outras, ao contrário, gostam de respirar a atmosfera do escritório e usufruir de trocas que só são possíveis no ambiente presencial. A escolha por formato presencial, híbrido ou remoto se transformou em mais um ingrediente para atração ou retenção de talentos.

Seja como for, o senso de pertencimento é um sentimento e, como tal, oscila. A natureza é assim, porque o equilíbrio dela não é estático. Por isso, temos que balancear programas e iniciativas, ora atendendo mais o público presencial, ora priorizando quem está trabalhando em casa. Cada um tem o seu ikigai. Por isso, temos que ser exaustivos na busca de cobrir todas as particularidades e individualidades. E, assim, continuar buscando formas de promover cada vez mais a felicidade no trabalho, não apenas porque essa é uma missão do negócio, mas também porque – ao menos no meu caso – é a razão de viver.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O consumidor já é omnichannel. Sua empresa também é?

A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

Posicionamento não é desculpa para ser do contra

Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Por que o marketing precisa sair da própria bolha

As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Por que alguns eventos entram para a história e outros são esquecidos na semana seguinte

Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

O fim da guerra fiscal: como a Reforma Tributária pode mudar a logística brasileira

Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Saudável, gostoso e acessível: a equação que desafia a indústria de alimentos no Brasil 

Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo