Diversidade

Protagonismo feminino: quatro estratégias para ocupar seu lugar sem máscaras

Ganhamos menos que os homens e estamos em menor número nas lideranças, mas não adianta combater fogo com mais fogo. Assuma sua posição de protagonista sem perder sua essência
Sócia da House of Feelings, psicóloga e professora na FIA/USP e na Saint Paul Escola de Negócios. Atua há mais de 15 anos em Recursos Humanos com foco em saúde mental, desenvolvimento humano e cultura organizacional. Especialista em diagnósticos de clima, desenho de programas estratégicos de pessoas, mapeamento de talentos e sucessão. Mestre em Transição de Carreira pela FIA, combina experiência acadêmica e prática empresarial para apoiar líderes e organizações na construção de ambientes de trabalho mais humanos, sustentáveis e de alta performance.

Compartilhar:

O mês de março sempre traz discussões sobre a valorização das mulheres no ambiente profissional. E os resultados de diversas pesquisas realizadas tanto no Brasil quanto mundo afora provam que ainda há um Monte Everest a ser conquistado quando o assunto é igualdade.

As mulheres ocupam apenas 38% de todos os cargos de liderança no Brasil. Ganhamos 20% a menos que o sexo masculino, estamos em 35% dos postos de CEO e somos 47% das lideranças financeiras. Os dados são do IBGE e da [Grant Thornton](https://www.grantthornton.com.br/sala-de-imprensa/women-in-business-2022/), que realizou uma pesquisa com mais de 250 empresas brasileiras em 2022.

A escalada em direção ao topo é bem mais difícil e cheia de obstáculos únicos. Nos preparamos mais, tanto que somos maioria nos cursos de graduação, MBA e não há dúvida de que talento e habilidades não têm gênero. Tanto que empresas com uma maioria de mulheres na liderança vê um resultado operacional 48% maior e até 70% de crescimento no faturamento, de acordo com pesquisa da Mckinsey Group.

O hype da pauta da agenda ESG, que inclui uma melhor distribuição entre homens e mulheres na empresa, poderia ser uma maneira de tornar o acesso aos cargos mais igualitário, mas nada mudou até agora.

Outro estudo da McKinsey observou que as mulheres líderes tendem a enfrentar micro agressões que prejudicam sua autoridade. Colegas homens que levaram o crédito pelas suas ideias, ameaças veladas e insinuações de que não somos qualificadas são apenas alguns exemplos do que pode acontecer.

A resposta a esse ambiente hostil vem na forma de uma masculinização das mulheres como maneira de conseguir espaço em cargos de liderança. Afinal, não há melhor maneira de combater fogo com mais fogo. Mas será mesmo?

Já provamos nossa capacidade tanto intelectual quanto produtiva, e é triste perceber que ainda é necessário interpretar o papel de pessoa forte, decidida e sem sentimentos para assumir posições de decisão.

Assumir uma posição de protagonismo pode não ser fácil. Mas com as estratégias certas, é possível conservar sua essência sem colocar uma máscara.

## 1. Dê o primeiro passo mesmo antes de se sentir pronta
Um estudo da Hewlett-Packard descobriu que os homens se candidatam a uma promoção ou novo trabalho quando atendem a 60% das qualificações, e as mulheres apenas se atendem a 100% delas.

As mulheres inconscientemente acreditam que, se não atenderem exatamente aos critérios do trabalho, não serão adequadas para o cargo. Deixe a sua zona de conforto! Na maioria das vezes, você não vai se sentir 100% pronta, preparada ou sem medo.

## 2. Não se compare com os outros
Como disse Brené Brown, pesquisadora em vulnerabilidade e vergonha: “a comparação mata a criatividade”. É difícil, mas não se compare com os outros, porque isso irá bloquear seu potencial criativo e a sua capacidade de manter uma visão para os outros.

Se você se surpreender no ato de comparação, experimente o exercício em que lista todas as coisas que estão indo bem em seu papel de liderança. Lembre-se de quão longe você chegou para sustentá-lo na longa estrada até o topo.

## 3. Demonstre força com graça e bondade
Você não precisa ser mandona, rude ou condescendente para demonstrar força. Na verdade, as líderes mais fortes que conheço são inclusivas, colaborativas, gentis e atenciosas. Comunique-se com atenção plena. Dê crédito aos outros. Seja dura, mas justa. Tenha integridade, ouça com a intenção de entender. Seja honesta.

E lembre-se, ser um líder não é fácil. Caso contrário, todos fariam isso!

## 4. Ofereça apoio e não críticas
A maior barreira para o sucesso de líderes femininas é a competição, a crítica e a negatividade de outras mulheres! Faça um favor a todos ao seu redor e ofereça apoio, não críticas. Quando você encontrar outra mulher tendo sucesso, torça por ela! Ela está abrindo caminho para você e tantas outras meninas. Então ofereça a ela sua mão, seu aplauso e sua generosidade.

O sucesso é encontrado fora da zona de conforto, mas muitas vezes ele é prejudicado pelo medo do desconhecido. A melhor maneira de superar o medo é reconhecer que ele existe e fazer o que te assusta mesmo assim.

Quando você se sentir incapaz, lembre-se de todas as suas conquistas e dos feedbacks positivos que já recebeu. Não torne a insegurança um impeditivo para o seu crescimento. Só depende de você ocupar um lugar na história.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A IA vai pelo mesmo caminho do ERP e da transformação digital?

O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia – mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Estamos aprendendo mais (e entendendo menos)

Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de junho de 2026 15H00
O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia - mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Marcus Garcia - Diretor Comercial da Konia Tecnologia

3 minutos min de leitura
Lifelong learning
17 de junho de 2026 09H00
Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Daniel Luzzi - CEO Cognita Learning Lab

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
16 de junho de 2026 15H00
O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de junho de 2026 09H00
Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
15 de junho de 2026 15H00
Colesterol, cardiologista, academia. Tudo certo. Só falta mencionar o que, de fato, está tirando as pessoas de campo.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
15 de junho de 2026 08H00
A liderança não cabe mais em rótulos e quem ainda pensa assim pode estar ficando para trás. Este artigo mostra como a valorização de perfis não lineares e a capacidade de integrar múltiplas experiências redefinem o conceito de talento nas organizações.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de junho de 2026 15H00
Mais do que falta de talento ou tecnologia, este artigo revela o verdadeiro risco das organizações modernas: pessoas que deixam de dizer o que pensam. Este artigo demonstra como isso compromete decisões, inovação e resultados sem que ninguém perceba.

Valter Bahia Filho – Autor e consultor educacional

6 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
14 de junho de 2026 08H00
Ao revisitar o colapso e a reinvenção da Japan Airlines, este artigo revela, à luz dos princípios do Aikido, que a verdadeira transformação organizacional não começa na estratégia, mas na superação do ego - quando liderança, propósito e consciência coletiva entram em fluxo.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
13 de junho de 2026 15H00
Inspirado por um colapso histórico no esporte, este artigo revela um dos riscos mais silenciosos das organizações: equipes talentosas deixam de performar quando a confiança desaparece - e a liderança não cria um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para falar, participar e contribuir de verdade.

Dr. Cristiano Nabuco - Reitor da Artmed School of Psychology (APSY)

6 minutos min de leitura
Marketing & growth
13 de junho de 2026 08H00
Em um cenário de mercado mais seletivo e volátil, este artigo mostra por que resultados consistentes não dependem de talento individual, mas da capacidade da liderança comercial de estruturar processos, diagnosticar com precisão e transformar vendas em uma operação científica.

Natalia Coca - Fundadora da FunFlow, estrategista de vendas e palestrante

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão