Cobertura de evento

Pulse, um congresso com pegada jovem

O evento da Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje) mostra a diferença de linguagem geracional e destaca que a colaboração é um valor prioritário; a língua do pitching ganhou especial relevância
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

A Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje), rede que reúne 36 mil jovens no País, realizou o 28º Congresso Nacional de Jovens Empreendedores, o *Pulse 2022*, no dia 16 de novembro, em São Paulo. O formato foi bem jovial. Claro que contou com palestras, painéis, networking, como outros eventos do gênero, mas tudo foi mais curto, ágil e divertido, diferente do formatos com que as gerações baby-boomer e X (à qual esta repórter pertence) estão acostumadas.

O evento reuniu no palco muitos palestrantes com menos de 40 anos com histórias de sucesso profissional para compartilhar e para inspirar. E mesmo os palestrantes mais maduros adotaram no palco um linguagem mais jovem.

Para manter a atenção e o envolvimento dos jovens da plateia – entre os quais, vários adolescentes – foi intercalar atrações culturais aos painéis. De declamação de poesia da periferia pelo Slam do Helipa a apresentação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, passando por show do grupo de rap D’grand Stylo.
![Orquestra de Heliópolis](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/2CNnpzF7JbFdbuMlJaiKyC/3c201a133c0e67ce4776aa18870bccdc/R3B00366.jpg)

O Pulse, que se propõe ser um encontro das lideranças jovens do Brasil com o objetivo de derrubar muros e construir pontes, foi conduzido por Augusto Aielo, CEO e acelerador da Voe Sem Asas, e Flávia Paixão, CEO e fundadora da Empreender com Paixão. No decorrer do evento, eles mesmos foram uma atração extra, levando bom humor e buscando o envolvimento do público.

O conteúdo foi definido, como conta Maria Brasil, a primeira presidente mulher nos 22 anos da Conaje, em cima dos temas em destaque no País, como diversidade, inovação, política. “A confederação acompanha o que está em desenvolvimento, temas como startups, metodologias ágeis, ferramentas. Isso leva a negócios diferentes, a uma nova forma de gerenciar”, diz ela, completando que “o propósito é cultivar as lideranças para gerar prosperidade para o Brasil, através de capacitação, networking e criando pontes”.

Então, no Pulse o tema diversidade esteve muito presente. Em relação ao gênero, Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), apresentou números para provar como as mulheres são sub-representadas, seja no ambiente político (12%), em cargos de liderança (14%) e em conselhos (6%). Fontes também deu destaque à “economia do cuidado, um trabalho não remunerado, não valorizado e não dividido”, que sobrecarrega as mulheres. Na foto abaixo, Ana Fontes com Maria Brasil, presidente do Conaje.
![Pulse 2022](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/4wmHOinjZsEv6h2B25TT0M/b84bc66b3c60b14f5fce5331447b35e6/imagem_Pulse_hsm_management.png)

Um painel intitulado “Para elas” debateu a necessidade urgente de quebrar barreiras e de abrir as portas para as mulheres – inclusive porque isso que poderia contribuir para reduzir ou até erradicar a pobreza no País. A urgência, na visão delas, está no fato de o Brasil estar entre as maiores economias globais (a nona economia, segundo os dados do primeiro trimestre de 2022), mas ocupar a 92ª posição no ranking de equidade de gênero.

## Conexões e inspiração – também com fracassos e desafios

![Jovens circulam no evento Pulse](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/2gOdzhaNEjsw9yniOw6KhN/5bdb22ce35f08e67d10929c304ac3e74/R3B00225.jpg)
O evento trouxe para os jovens um ambiente propício a conexções e, no palco, histórias inspiradoras de vida e de carreira. Mas a diferença talvez esteja em que tipo de história que inspira essa plateia. Em vez de a narrativa ser composta de uma série de sucessos mais algum errinho incidental, como acontece em geral no empreendedorismo de palco, os fracassos e os desafios estiveram presentes. Ana Fontes foi uma das que externou os desafios de sua trajetória; nascida em Igreja Nova, no interior de Alagoas, veio ainda pequena, com a família, para Diadema, na Grande São Paulo e precisou vencer uma série de obstáculos até ser eleita uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil pela revista *Forbes* em 2019, graças à sua luta pela diversidade no mercado corporativo.

Alfredo Soares, presidente da Loja Integrada e fundador da G4 Educação, foi outro que fez questão de falar fracassos além dos êxitos que acumulou desde que começou sua carreira, ainda adolescente, como vendedor de cartões de visita, até chegar a R$ 1 bilhão de vendas pela internet. Um desses casos foi um show-room de barcos que resolveu montar dentro de um shopping center do Rio de Janeiro; Passos se “esqueceu” da logística necessária para colocar um barco de 40 pés dentro de um shopping e também dos impostos a pagar. “Fiquei no vermelho”, lembrou.

Mesmo as histórias de sucesso ganharam outra roupagem, porque tem outra definição entre os mais jovens. Não era apenas ganhar dinheiro; era sobretudo gerar impacto, cumprir um propósito. Isso ficou evidente no painel “Vozes do afroempreendedorismo”, com Preto Zezé, presidente global da Central Única das Favelas (Cufa). Em especial, quando ele compartilhou detalhes sobre a iniciativa da entidade, durante a pandemia, de transformar seus espaços nas favelas em centros de distribuição (CDs) de produtos.

O último painel colocou lado a lado instituições já ativas junto a jovens lideranças: Confraria, Conaje, ABStartups, Lide Futuro, Rotaract, Sicredi, JCI Nacional, Brasil Júnior e Conjuve. A intenção pareceu clara: mostrar qual seria o potencial de conquistas se elas juntassem suas forças, atuando de maneira mais colaborativa. Isso poderia ser uma alavanca e tanto para as mudanças que os jovens querem ver no Brasil.

## Pitch training – o método do Clodô
A plateia se animou com a atração de pitch training. Depois das dicas de Daniel Clodoaldo, conselheiro da Conaje-SP e especialista em comunicação persuasiva, para formatar um pitch de um minuto, ele convidou a todos que escrevessem o seu pitch, levando três da plateia para o palco.

__HSM Management__, uma das apoiadoras do *Pulse 2022*, reproduz para você, leitor, o “método do Clodô”. A estrutura do pitch, segundo o especialista, deve ser construída em cinco passos, a partir das seguintes perguntas:

1. Quem eu sou? (simplicidade)
2. Quem eu ajudo (com o meu produto ou serviço)? (especificidade)
3. Resolvo qual problema (dores, dúvidas ou desejos)? (sensibilidade)
4. Evitando qual objeção? (frequência)
5. O que eu ofereço hoje? (avanço real)

Clodoaldo ainda recomendou: Seja muito breve na questão 1; dê foco ao seu público-alvo na questão 2, “porque o dinheiro está onde está a atenção das pessoas”; na 3 destaque o problema que é mais sensível para seu público-alvo; se há um problema, então existe alguma objeção para resolvê-lo, então para a questão 4 busque saber qual é a objeção existente; e conclua apresentando o que seu produto ou serviço é capaz de trazer como um resultado real para o problema do público-alvo.

Pronto para criar o seu pitch?

Crédito das fotos: Pulse | Marcelo Moraes

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo