Gestão de Pessoas

Quais os passos para criar empresas renovadoras?

Precisamos falar sobre o esgotamento que a produção incessante e sem propósito está fazendo com que mais da metade da população adoeça.
Ana Caroline Olinda é Consultora da HSM Academy, Especialista em Cultura, Liderança e Educação Corporativa. É graduada em Administração, Pós-graduada em Neurociências e Comportamento e Mestranda em Psicologia Organizacional. É aprendiz em série e fascinada pelo estudo de futuros.

Compartilhar:

Centenas de palestras na [ATD 2024](https://www.td.org/) e uma mensagem comum: as pessoas estão esgotadas!

Os dados sobre burnout e transtornos emocionais são alarmantes e percorrem salas cujo assunto principal é Inteligência Artificial, Inteligência Emocional, Neurociência, Liderança e até Metodologias de Aprendizado.

O estresse é inimigo da aprendizagem e com pessoas desatentas, cansadas e doentes, certamente o desafio de desenvolvê-las se torna ainda maior.

O caminho não é investir em programas de treinamento ou palestras motivacionais, mas assumir um compromisso real em criar AMBIENTES SAUDÁVEIS.

A provocação da ATD24 é para “recarregar a alma”, a minha, é que possamos rever nossas estruturas e rituais de gestão para criarmos organizações que verdadeiramente energizem as pessoas.

Vida e trabalho são faces da mesma moeda e é fundamental que ela esteja em equilíbrio para que seu valor seja usufruído ao máximo.

O que vem a seguir é a subtração!!!

Daniel Pink nos provoca a mudar nosso paradigma. O mundo está mudando e tem dados alarmantes sobre movimentos de ressignificação do trabalho, tais como o Great Resignation, Quiet Quietting, Quiet Ambition, Semana de 4 dias, dentre outros.

Em um contexto tão voltátil, tentar determinar qual será o próximo movimento pode parecer muito mais charlatanismo do que ciência.

Mais do que tentar discutir os movimentos ou antecipar uma tendência, Pink nos convida a repensar a lógica que estamos adotado em nossas organizações e a construir culturas que estejam além da resiliência, que sejam ambientes saudáveis de trabalho e que ajude as pessoas a reenergizarem.

__1. Crie uma Lista de “Não Fazer”__

Identifique três coisas que distraem sua atenção, drenam sua energia e desviam você de seus objetivos mais importantes.

Anote essas coisas e evite fazê-las.

Lembre-se: Subtração pode ser mais eficaz do que adição.

__2. Reflita sobre o Progresso Diário__

No final de cada dia, liste três maneiras como você fez progresso.

Não precisa ser nada grande, apenas reserve 30 segundos para refletir sobre o que você realizou.

Lembre-se: O maior motivador diário no trabalho é fazer progresso em um trabalho significativo.

__3. Mude Conversas de “Como” para “Porquê”__

Toda semana, tenha duas conversas a menos sobre “como” e duas a mais sobre “porquê.”

Transforme conversas de “como” em conversas de “porquê” para fomentar um senso de propósito.

Lembre-se: Um senso de propósito é o aprimorador de desempenho mais eficaz em termos de custo.

__4. Agende Pausas para Caminhadas de 15 Minutos__

Faça uma pausa para uma caminhada de 15 minutos a cada duas tardes.

Faça isso com alguém que você goste, não fale sobre trabalho e deixe o telefone de lado.

Modele esse comportamento para sua equipe.

Lembre-se: As pausas fazem parte do nosso desempenho, não são desvios dele.

__5. Use Ferramentas Poderosas de Tomada de Decisão__

Quando estiver em dúvida, pergunte a si mesmo qualquer uma dessas perguntas:

Se você fosse substituído no seu trabalho amanhã, o que seu sucessor faria?

Se seu melhor amigo viesse a você com esse problema, o que você diria para ele fazer?

O que o você de 2034 gostaria que você fizesse?

“A vida é a maior sala de aula do planeta, ou poderia ser”, André Martim

O que você imagina sobre os futuros da aprendizagem? Se engana quem pensa que apenas a tecnologia irá ditar os rumos do desenvolvimento humano, o futuro é muito mais “human” do que “tech”.

É preciso encarar a realidade, não apenas de dados assustadores sobre transtornos emocionais, como também, de como as novas gerações estão desconectadas e insatisfeitas com a atual dinâmica do mundo do trabalho.

Aliás, é preciso assumir que nem domínio mais sobre nosso trabalho temos, afinal, com tantas novas tecnologias e mudanças, é como se tivéssemos deixado de ser especialistas em nossas áreas e estivéssemos em um ponto em que estamos reaprendendo a operar em uma nova realidade.

Logo, não faz sentido investir em programas de desenvolvimento que demorem 18 meses, as pessoas passam a maior parte do tempo no trabalho, é preciso integrá-los e torná-los naturais, quanto respirar.

Martim defende que após 20 minutos, retemos apenas 60% do que foi aprendido, razão pela qual deveríamos pensar em estratégias diferenciadas, como ambientes em que as pessoas possam compartilhar experiências, usar a tecnologia para integrar a agenda de trabalho com recomendações de playlists de aprendizado de acordo com o problema que ele deverá resolver no dia.

– Programas, +Inspiração, é disso que nossos líderes precisam. Precisam de ambientes de trabalho que os inspirem, a fim de que eles se sintam inspirados e possam inpirar os outros.

É preciso REENERGIZAR as pessoas e parte dessa resposta está nos modelos de trabalho que iremos adotar.

Segundo Martim, a “genialidade humana é infinita, mas a energia não”, portanto, mais do que focarmos em ensinar, precisamos que as empresas sejam locais de renovação / reenergização.

Qual ágil é o seu cérebro?

Segundo o time de neurocientistas da Neuro Link, é a sua neuro agilidade (neuro agility) que determinará o qual rápido você responderá as exigências de mudança e adaptação do mundo.

Afinal, o desenvolvimento de future skills depende diretamente da sua flexibilidade cognitiva, que pode ser acelerada por meio da compreensão do funcionamento do seu cérebro e da otimização do mesmo.

Neuro Agility consiste em otimizar os elementos cérebro-mente que aumentam a facilidade, a velocidade e a flexibilidade com que se pensa, aprende e processa a informação. Ajuda-o a otimizar a sua aptidão cerebral, a aumentar a sua flexibilidade mental e a reduzir o risco de erro, permitindo-lhe ter uma mente rápida, concentrada e flexível.”

Segundo o time da Neuro Link, para alcançar a neuro agilidade é preciso se apoiar em dois pilares:

1) Conhecer bem o funcionamento do seu cérebro, de tal modo a utilizar a química cerebral ao seu favor, e romper com padrões naturais de comportamento, por meio de exercícios estimuladores.

Isso envolve um alto grau de inteligência emocional, autorregulação e autoconhecimento.

2) Desenvolver um cérebro saudável, adquirindo a habilidade de mudar seu estilo de vida, como comer bem, dormir bem e praticar exercícios.

Dentre os benefícios da neuroagilidade, está o aumento da flexibilidade cognitiva, e a utilização de todas as regiões do cérebro de maneira concomitante, aumentando assim a sua performance.

Um bom exemplo trazido foi a necessidade de desenvolvermos pensamento criativo e pensamento analítico. Segundo o CEO da Neuro Link, André Vermeulen, essas funções são executadas por hemisférios diferentes do cérebro, e de acordo com sua base emocional, você pode estar mais acostumado com uma abordagem ou com outra. Isso explica, por exemplo, porque algumas pessoas se sentem mais a vontade com trabalhos analíticos, enquanto outras são mais abertas a trabalhos criativos ou relacionais.

No entanto, em um mundo mais complexo, não dá para ser um “ou” ou outro, é preciso ser “um e o outro”,  afinal, temos um único cérebro.

Não se trata de personalidade ou de dom, mas de compreender o funcionamento cerebral. Nosso cérebro busca padrões para economizar energia, e quando a tarefa é a aprender, é preciso entender que existe um alto nível de esforço do cérebro para a mudança, logo, aprender pode ser estressante.

No entanto, o estresse libera uma alta carga de cortisol, que por sua vez descarrega outros neurotransmissores, podendo te levar a uma resposta de “luta, fuga ou paralisia”, cuja postura é de buscar seu padrão natural, ou seja, se sou alguém relacional, tendo a me manter utilizando esse padrão.

Ter neuro agilidade é reconhecer esse padrão e se condicionar a aprender a lidar com as outras regiões cerebrais, de modo a expandir seu comportamento, aprender novas habilidades com velocidade e a se adaptar a novos contextos com faciloidade.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A comunicação é um teto de vidro que pode afastar as mulheres da liderança

A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Acordo Mercosul e União Europeia representa um novo ciclo de crescimento para o franchising brasileiro

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

As edtechs brasileiras aprenderam a crescer sem investimento. Mas até onde isso pode levá-las?

Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Eleitor 70+: o valor do repertório em uma sociedade que envelhece

À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo