Uncategorized

Qual a identidade da sua organização?

Se você sabe a resposta e se identifica com ela, é provável que a sua empresa esteja fazendo um bom trabalho de marca empregadora
Atua como consultora em projetos de comunicação, employer branding e gestão da mudança pela Smart Comms, empresa que fundou em 2016. Pós-graduada em marketing (FGV), graduada em comunicação (Cásper Líbero) e mestranda em psicologia organizacional (University of London), atuou por 13 anos nas áreas de comunicação e marca em empresas como Johnson&Johnson, Unilever, Touch Branding e Votorantim Cimentos. É professora do curso livre de employer branding da Faculdade Cásper Líbero, um dos primeiros do Brasil, autora de artigos sobre o tema em publicações brasileiras e internacionais e co-autora do livro Employer Branding: conceitos, modelos e prática.

Compartilhar:

Em 1934, alunos do sociólogo George H. Mead publicaram, após sua morte, o livro Mind, self and society, um registro de seus ensinamentos e discursos na Universidade de Chicago. A contribuição de Mead para o campo da psicologia social foi imensa, especialmente na construção da linha de pensamento de que o self humano emerge do processo de interações sociais. Sendo assim, ele propõe, nosso senso de self é construído a partir do outro, do externo, que pode estar manifestado em pessoas, instituições, grupos e, sim, empresas.

O branding de marcas institucionais e comerciais é largamente pautado por essa ideia da força dos referenciais identitários externos na formação da identidade individual. Ao trabalharmos posicionamentos de marcas atribuindo a elas características para além do funcional, como tom de voz, personalidade e outros atributos essencialmente humanos, o intuito é, basicamente, aproximar e gerar algum tipo de identificação que, idealmente, se materializará numa preferência de consumo. Isso é, obviamente, uma simplificação imensa da disciplina de branding, mas nos serve de ponto de partida para uma reflexão sobre employer branding.

## Identificação organizacional

Em um artigo científico de 1996 sobre identificação organizacional, o professor Michael G. Pratt, do Boston College, escreve:

*“Enquanto identidade normalmente se concentra na questão ‘quem sou eu?’, identificação pergunta ‘quem eu sou em relação a você?’(…) e muitas vezes o você que uso para definir o meu eu está nas organizações de que faço parte”.*

Organizações de que faço parte como sócio, como afiliado, como visitante, como empregado – esta última sendo uma das relações mais próximas e profundas possíveis entre indivíduos e organizações. Ainda segundo Pratt, a identificação organizacional acontece quando as crenças de um indivíduo sobre a organização de que faz parte se tornam parte do seu referencial identitário. 

Esse é um caminho possível de aprofundar considerando temas de cultura, engajamento e até dos perigos da identificação organizacional excessiva num mundo de relações de trabalho cada vez menos estáveis mas, por aqui, ocupemo-nos de observá-lo sob a ótica de employer branding. 

## Identidade da organização

Um trabalho de marca empregadora bem-feito resulta, entre outras coisas, em clareza sobre a identidade da organização como lugar para se trabalhar e, idealmente, antes de haver qualquer investimento de tempo e dedicação de uma pessoa em estar num processo seletivo. Bem executada, **uma estratégia de employer branding é um processo seletivo antes de um processo seletivo** – primeiro, por fomentar dentro de casa uma experiência que fala por si; segundo, por externar a identidade da empresa como empregadora de forma clara o suficiente para gerar os dois resultados desejáveis de um bom posicionamento: identificação ou rejeição.

A organização da identidade da empresa como lugar para se trabalhar – e digo organização, não definição, porque penso que ela não pode ser criada, apenas ajustada  – passa pela estruturação do chamado EVP, ou Employee Value Proposition – a proposta de valor ao empregado, que é o conjunto de atributos pelos quais a empresa deseja (e pode) ser associada como lugar para se trabalhar. 

Em livro publicado em maio deste ano, Charlotte Marshall & Bryan Adams falam do EVP como uma proposta clara fundamentada pela ideia de dar e receber, que seria comunicar claramente o que você ganha ao entrar na organização e também o que ela pede de você, em termos claros. Para isso, é preciso que a organização olhe para si mesma pela lente dos empregados e avalie, com lupa, para o bonito, o feio e o que precisa ser ajustado para comunicar claramente o que ela realmente é da porta para dentro. 

## A hora da verdade

Se identificação organizacional saudável é preditora de relações de trabalho mais felizes e duradouras, como apontam diversos estudos, a identidade da marca empregadora precisa ter como matéria prima principal a verdade. Isso começa, por exemplo, com a lapidação de narrativas – que tal trocar “dinâmico” por “caos” e “intenso” por “trabalhamos muito” nas descrições presentes em sites de carreira tomados por platitudes? A prática de employer branding focada somente em atração pode se arrepiar diante dessa ideia mas, se pensarmos que a marca empregadora mora mesmo da porta para dentro das organizações e que seus donos são justamente aqueles que ali estão ali, podemos caminhar para mensagens mais realistas. Afinal, somos ou não todos adultos no mercado de trabalho?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Sua empresa precisa de um cargo ou de uma competência?

Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

O que CEOs e CFOs realmente avaliam nas reuniões de orçamento

Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo