Diversidade

Qual a importância de criar práticas de diversidade e inclusão dentro das empresas?

Ações de D&I são fatores determinantes para o sucesso e sustentabilidade de uma empresa, desde o avanço da tecnologia até a criação de novas leis de inclusão e a busca por inovação. Colocar a diversidade em prática trará resultados tangíveis e intangíveis para qualquer organização
Fundadora e CEO da Blend Edu, startup que já tem em seu portfólio empresas como 3M, TIM, Reserva, Movile, Grupo Fleury, TechnipFMC, Prumo Logística, brMalls etc. Thalita também está presente na lista da Forbes Under 30 de 2019, como uma dos 6 jovens destaques na categoria Terceiro Setor e Empreendedorismo Social.

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O debate sobre diversidade e inclusão (D&I) tem sido cada vez mais levantado dentro das empresas, contribuindo com uma série de transformações significativas no mercado.

Essas mudanças vêm acontecendo por uma série de fatores: desde o avanço da tecnologia até a criação de novas leis de inclusão e a busca por soluções inovadoras, provando ser fator determinante para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer organização.

Além disso, a temática de D&I tem papel fundamental no mundo dos negócios, dado que foi uma pauta incluída entre as práticas ESG (governança ambiental, social e corporativa, na tradução), dentro dos fatores que compõem a letra “S” e da letra “G” . Sendo que, o conjunto de práticas ESG é um conceito que vem se consolidando entre investidores enquanto um critério para analisar se uma empresa receberá ou não investimentos financeiros, portanto um elemento que pode impactar diretamente a capacidade de captação de recursos de startups, scale ups e empresas de capital aberto (pós IPO).

De acordo com a publicação *[Melhores práticas de diversidade e inclusão nas empresas](https://conhecimento.ibgc.org.br/Paginas/Publicacao.aspx?PubId=24150)*, feita pelo Instituto Brasileiro de Direito e Ética Empresarial (IBDEE), investidores de diversos países têm exigido melhores práticas e condições de trabalho mais igualitárias nas organizações, também pelo reconhecimento de que a diversidade torna as empresas mais fortes, inovadoras e competitivas.

A própria B3 [colocou em audiência pública](https://www.b3.com.br/pt_br/noticias/audiencia-publica-asg.htm) um conjunto de regras sobre representatividade em empresas listadas, incluindo a previsão de que as companhias tenham que explicar ao mercado a falta de diversidade nos cargos mais altos, inclusive conselho de administração. Esse é um mecanismo conhecido como “pratique ou explique”, no qual as companhias precisam dar transparência ao mercado sobre as ações adotadas. A previsão é que as companhias brasileiras tenham ao menos uma mulher e um integrante de comunidade minorizada (pessoas pretas ou pardas, integrantes da comunidade LGBTI+ ou pessoas com deficiência) em seu conselho de administração ou diretoria estatutária.

Com isso, profissionais que acompanharam essas transformações passaram a compreender que é uma tendência sem volta. Cada vez mais, as lideranças estão entendendo como o tema de diversidade e inclusão impacta diretamente a estratégia e os resultados do negócio.

Um estudo realizado pelo [Boston Consulting Group](https://www.bcg.com/publications/2018/how-diverse-leadership-teams-boost-innovation) (BCG) analisou 1.700 empresas diferentes em oito países, com diversos segmentos de negócios e tamanhos. A pesquisa aponta que empresas com equipes de gerenciamento diversificadas garantem receita 19% maior, principalmente devido à inovação.

## Mas, afinal, quando falamos sobre gestão da diversidade, estamos falando sobre o que?
É fato que cada indivíduo possui um conjunto de diferenças — e também de semelhanças — que o caracteriza e o torna único, seja pela origem, religião, gênero, raça, orientação sexual, dentre outras. Entretanto, alguns desses marcadores sociais ditam os acessos, tratamentos e oportunidades que cada pessoa irá receber ao longo da vida.

Para contribuir com essa transformação cultural e socioeconômica, diversas empresas têm adotado ações com o objetivo de mitigar essas desigualdades e promover espaços mais inclusivos. Desta forma, as ações de D&I acabam sendo mais voltadas para endereçar tais marcadores.

O benchmarking “[Panorama das estratégias de diversidade no Brasil 2022 e tendências para 2023](https://conteudo.blend-edu.com/relatorio-benchmarking-diversidade-2022?material_baixado_hidden=benchmarking_2022)”, realizado pela [Blend Edu](https://www.blend-edu.com/), aponta que 77% das organizações afirmam que o principal objetivo do seu programa de diversidade é engajar as pessoas a colaborar na criação de uma cultura inclusiva. A pesquisa contou abrangência nacional e teve a participação de 117 empresas, de 34 setores diferentes, como tecnologia, financeiro, saúde, indústrias e outras.

Para alcançar tal objetivo, tais organizações têm investido em programas de treinamento, ações de comunicação, eventos para o público interno, criação de canais de denúncias e ouvidoria, realização de pesquisas censo, entre outros. A pesquisa de benchmarking identificou que os quatro recortes sociais mais trabalhados nos programas de diversidade do Brasil são: gênero (95%), raça (89%), LBGTI+ (86%) e pessoas com deficiência (82%). [Confira o estudo completo aqui](https://conteudo.blend-edu.com/relatorio-benchmarking-diversidade-2022?material_baixado_hidden=benchmarking_2022).

![quadro](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/3MWkJF1TQKtxRqHz5Z8l6F/55df179f1d1e8d98b3fedde0bc1bee0f/quadro.png)
Fonte: Panorama das estratégias de diversidade no Brasil 2022 e tendências para 2023, realizado pela Blend Edu

É importante ressaltar, no entanto, que as empresas têm trabalhado tais dimensões pela ótica da interseccionalidade, conceito que nos permite entender como diferentes formas de opressão se relacionam e se sobrepõem, afetando grupos marginalizados de maneira única e complexa. Ou seja, entendendo que mesmo ao falar sobre gênero, é preciso compreender que as vivências, necessidades e barreiras enfrentadas por mulheres brancas é diferente daquelas enfrentadas por mulheres negras, mulheres trans, mulheres lésbicas etc.

## Como a empresa pode colocar a diversidade em prática?
Muitas empresas, ao iniciarem algum projeto de D&I, acabam criando ações pontuais externas, como campanhas de marketing, por exemplo, sem serem de fato inclusivas.

Essa prática é conhecida como [diversity washing](https://www.blend-edu.com/o-que-e-diversity-washing-e-porque-sua-empresa-deveria-se-preocupar-com-isso/), em tradução livre: “lavando a diversidade”, movimento de algumas empresas para realizar ações e projetos que geram mídia gratuita e aumentam o valor da marca. Porém, essas práticas não fomentam políticas públicas e tampouco constroem uma cultura interna que garanta acesso e respeito às pessoas de grupos minorizados.

Portanto, é preciso ir além do discurso, entendendo que essa é uma discussão que vai muito além do RH ou da promoção de uma ação isolada. Para trabalhar a pauta de forma consistente, estruturada e transversal, entendemos que é necessário que ao longo da jornada a empresa reflita sobre os seguintes aspectos:

– Liderança inclusiva.
– Cultura inclusiva.
– Representatividade.
– Educação e empoderamento.
– Comunicação inclusiva.
– Infraestrutura e processos.
– Negócios inclusivos.
– Estrutura interna.

Aqui na Blend Edu, chamamos esse framework de “[8 objetivos e 21 compromissos pela diversidade e inclusão](https://conteudo.blend-edu.com/metodologia-8objetivos-21compromissos?material_baixado_hidden=metodologia-8-objetivos-21-compromissos)”, criado a partir da consolidação de centenas de diretrizes recomendadas por organizações internacionais e nacionais — como, por exemplo: ONU, Instituto Ethos, Pacto Global, entre outras —, além da nossa experiência de mercado.

Portanto, caso a empresa queira colocar a diversidade em prática, será necessário que ela crie e implemente ações que possam perpassar esses objetivos, mesmo que os priorizando em ações de curto, médio e longo prazo.

## Como medir os avanços nas ações de diversidade e inclusão?
Implementar um projeto de diversidade é apenas o primeiro passo para começar a promover mudanças estruturantes dentro da organização. Entretanto, para garantir o sucesso da ação, é fundamental medir seus resultados e avaliar seu impacto no dia a dia da empresa.

Para isso, a empresa pode fazer a mensuração por dois caminhos: metodologias qualitativas e metodologias quantitativas. A princípio, a [pesquisa censo](https://www.blend-edu.com/como-fazer-um-diagnostico-e-pesquisa-censo-de-diversidade/) é uma excelente forma de ter tanto métricas quantitativas de representatividade (composição e diversidade do time) quanto qualitativas (trazendo a percepção das pessoas colaboradoras).

De acordo com o benchmarking citado anteriormente, 78,1% das empresas que possuem programas de diversidade já implementaram pesquisas censo. Com base nos resultados deste diagnóstico, será possível construir a estratégia de diversidade de maneira mais efetiva, com base nesse exercício de escuta com grupos minorizados.

## Quais cases e boas práticas podem inspirar meu programa de D&I?
O tema de diversidade e inclusão pode, por muitas vezes, ser abstrato ou até carecer de bons exemplos aplicados na prática. Com isso, a Blend Edu viu uma oportunidade de trazer mais conhecimento sobre metodologias, ações e projetos que estão sendo feitos para inspirar outras empresas que querem embarcar nessa jornada de transformação. E assim surgiu o prêmio “Diversidade em Prática”.

Com o objetivo de reconhecer e dar visibilidade a essas boas práticas e ajudar outras corporações a replicarem ações semelhantes dentro de suas operações, empresas que atuam no Brasil, de iniciativa privada ou pública, independentemente de porte ou setor, podem inscrever seus cases na premiação.

Na edição de 2022, mais de 280 cases foram inscritos nas oito categorias temáticas e mais de 2.400 empresas indicadas na categoria Top of Mind #DiversidadeEmPrática. A cobertura e detalhamento de alguns dos cases premiados foi realizada pela revista __HSM Management__, parceira da iniciativa. Você poderá ler e se inspirar com alguns dos cases [descritos neste artigo aqui](https://materiais.revistahsm.com.br/lp-b2b-webinar-negocios-sustentaveis-2w-ecobank).

A segunda edição do prêmio “Diversidade em Prática” foi lançada no último dia 22. A inscrição deverá ser feita por uma pessoa colaboradora da empresa na qual a prática foi implementada, como, por exemplo: pessoas de grupos de afinidade, profissionais de RH, de ESG, entre outros. Cada empresa pode inscrever um número ilimitado de práticas de D&I de forma gratuita até o dia 16 de junho pelo [link](http://www.diversidadeempratica.com/).

Em setembro de 2023, os melhores cases serão selecionados para serem apresentados publicamente para o ecossistema brasileiro durante o [Diversidade em Prática Summit](https://conteudo.blend-edu.com/diversidade-em-pratica-summit) e, posteriormente, serão disponibilizados — por tempo indeterminado — na comunidade empresarial [Diversidade SA](https://www.diversidade-sa.com/).

Caso sua empresa esteja começando a jornada, assistir ao summit certamente trará insights valiosos para começar o trabalho em prol da inclusão. Por outro lado, caso a sua empresa já tenha algumas ações e boas práticas, inscrevê-las no prêmio pode ser uma oportunidade única de obter reconhecimento e inspirar mais empresas, startups e scale ups por todo o Brasil.

De qualquer forma, fazer parte deste movimento e dar o primeiro passo para colocar a diversidade em prática certamente é algo que trará resultados tangíveis e intangíveis para quaisquer organizações.

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