Cultura organizacional, Comunidades: CEOs do Amanhã

Qual é o papel do RH nas organizações?

Se fizermos essa pergunta para cinco pessoas, teremos cinco respostas diferentes
HR leadership experience na Heineken e parte da comunidade Young Leader.

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Independente das definições e respostas, não é novidade que nos últimos anos enfrentamos uma transformação na área de recursos humanos das empresas, de uma função mais transacional (o famoso departamento pessoal) para um papel mais estratégico e que agrega mais valor para o negócio.

Mas será que, na prática, já chegamos no [melhor potencial estratégico do RH](https://www.revistahsm.com.br/post/recrutar-reter-e-engajar-a-transformacao-digital-e-os-tres-grandes-desafios-do-rh)? Essa resposta foi um dos motivos que me fez migrar de carreira para o RH no último ano. De forma geral, ainda subutilizamos o potencial das áreas de RH, Gente, People ou qualquer outro nome que vocês prefiram.

Nos últimos anos, trabalhei em diversas áreas de diferentes empresas, como melhoria contínua, logística, engenharia, comunicação interna, comercial e projetos, e fui atendida por diferentes HRBPs (human resources business partners). Apesar de serem entendidos como “parceiros estratégicos do negócio”, na prática, eram “percebidos” como profissionais que estavam ali para “abraçar árvore”, para fazer team buildings, dinâmicas de grupo, treinamentos e acompanhar ou cobrar os macroprocessos de gestão de pessoas.

Em outros casos, eram “percebidos” como aqueles que diziam não, pragmáticos sobre uma meta de cotas, um número de acompanhamento de HC, custo de pessoas ou qualquer outro KPI, sem que entendessem a realidade da área atendida para agregar valor ao negócio ou se preocupar genuinamente com as pessoas. (E leiam “percebidos” como um *mea culpa*: em alguns momentos, os HRBPs se portavam como tal; em outros, vinham à tona os vieses e crenças sobre o papel do RH baseados nas experiências do passado dos líderes)

Com isso, apesar do nome “parceiro estratégico do negócio”, raramente eu via HRBPs se posicionarem e questionarem ativamente (ou tendo a abertura para isso) nas discussões mais relevantes das áreas para agregar valor ou criar soluções, entendendo do business e, ao mesmo tempo, [olhando de forma genuína para as pessoas](https://www.revistahsm.com.br/post/sua-empresa-esta-pronta-para-a-revolucao-das-pessoas) e para a relação de causa e consequência comprovada em diversos estudos: pessoas engajadas e motivadas no trabalho entregam resultados excepcionais e mais sustentáveis.

## Por um RH estratégico
Contudo, faço a seguinte questão: não dá para termos um RH com papel duplicado, mais equilibrado/consciente e, simultaneamente, estratégico nas organizações? Pessoas e resultados, cuidado e alta performance, cultura e coerência, tudo coexistindo na prática?

Durante essa reflexão, tive a oportunidade de entrar para a comunidade Young Leaders, hoje realizada pelo Instituto Anga e HSM Management, e fui uma das finalistas do prêmio em 2018. Participar da comunidade me fez ter contato com muita gente que acreditava nessa utopia de tornar as organizações mais conscientes.

Conheci cases reais de empresas que vivenciam na prática esse conceito, como o da Barry-Wehmiller contado por Bob Chapman e Raj Sisodia no livro Todos São Importantes, e me aproximei de alguns movimentos que o defendem, como o Capitalismo Consciente e o Sistema B.

Assim, encontrei a minha própria definição do papel desse RH estratégico nas organizações: ajudar a encontrar esse equilíbrio entre pessoas e resultados, lembrando que ambos são igualmente importantes. Independente do contexto, precisamos aproveitar o melhor potencial de cada pessoa, impactando positivamente a vida delas para entregar os melhores e mais sustentáveis resultados para o negócio.

Esse contato me inspirou e me deu coragem para [migrar de carreira](https://www.revistahsm.com.br/post/o-seu-novo-plano-de-carreira) e entrar para o time de pessoas que vai ajudar a transformar essa utopia em realidade. Acredito que esse é o maior potencial estratégico a ser aproveitado pelo RH dentro das organizações.

## 5 dicas para uma gestão de pessoas atual
Compartilho aqui alguns aprendizados após trabalhar por um ano em uma estrutura de RH que leva a sério o propósito de People First e resultados como consequência, buscando curtir a jornada de forma leve, mesmo com todos os desafios do caminho.

### 1. Seja resiliente, tenha paciência e não desista.
Em muitas ocasiões, você verá coisas acontecendo de forma diferente do que acredita ou gostaria, gente que achará que você não é essencial, gente que quer que você não se envolva nos temas do negócio, gente com discurso e sem prática… Mas calma, se tudo já fosse perfeito e coerente, não haveria espaço para o papel estratégico do RH nas organizações. Não se esqueça que mudar a direção de um navio mais antigo exige tempo e esforço. Com resiliência a jornada fica mais divertida e faz muito mais sentido, mesmo que não seja fácil!

### 2. Tenha seu propósito e acredite nele.
Trabalhar com gestão de mudança e contextos de transformação exigem dedicação e esforço para não deixar que seja consumido pelo sistema. Primeiro, concentre-se em influenciar suas pessoas de confiança para, então, evoluir para outros. Há pessoas que acreditarão com você antes e outros que irão demorar um pouco mais para terem referências, o famoso efeito manada.

### 3. Tenha empatia.
Entenda a realidade e conceitos do outro, mesmo que, em alguns momentos, não concorde. Não deixe que sua forma diferente de pensar faça com que olhe apenas pontos de atenção e desvalorize as fortalezas dos colegas. Apreciar e reconhecer genuinamente o outro ajuda a construir relações de confiança e a trabalhar com influência! Se você rotular, criará uma barreira que talvez não te ajude na transformação que deseja alcançar.

### 4. Comemore as pequenas vitórias e curta a jornada.
Olhe para a metade cheia do copo, para o desafio como oportunidade e entenda que mais importante do que chegar no seu 100% é conseguir ser um “hacker de cultura” e ajudar na evolução, seja ela qual for.

### 5. Seja o exemplo.
Não seja consumido pelo sistema e garanta o walk the talk no dia a dia. Mesmo que todos ao seu redor atuem de forma diferente, você sempre tem a opção de ser o exemplo que deseja ser. Às vezes, você vai querer que o outro mude, mas isso não está no seu controle, portanto, faça o seu melhor e reconheça o esforço. Ressignificar realidades e ter atitude é sempre uma opção nossa!

Foi um ano intenso – e sinto como se tivessem passado cinco – de muitos aprendizados, desafios, conquistas e uma certeza: a jornada está valendo a pena! E para você, qual é o papel do RH nas organizações?

Confira mais artigos sobre as lideranças do futuro no [Fórum CEOs do Amanhã](https://www.revistahsm.com.br/forum/forum-ceos-do-amanha).

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