Desenvolvimento pessoal

Qual feedback você daria para si mesmo?

Depender de um retorno da liderança ou criar o próprio? Que tal brincar de “quente ou frio” para descobrir?
Global CHRO da Minerva Foods e Board Member das startups DataSprints e Leo Learning. Sócio Fundador da AL+ People & Performance Solutions, empresa que atuo como Coach Executivo de CEOs formado pela Columbia University, Palestrante e Escritor. Conselheiro de Empresas certificado pelo IBGC, Psicólogo com MBA pela Universidade de São Paulo e Vanderbilt University com formação em RH Estratégico Avançado pela Michigan University. Executivo sênior com passagens em posições de Liderança Global e América Latina de áreas de Pessoas, Cultura, Estratégia e Atendimento ao Cliente em empresas como Neon, Dasa, Itaú Unibanco e MasterCard. Professor de Gestão de Pessoas do Insper e Professor convidado do MBA da FIA/USP. Colunista das revistas HSM Management e da Época Negócios.

Compartilhar:

Feedback é algo muito sério, disso ninguém duvida. É parte importante da liderança, ferramenta estratégica para a gestão e o desenvolvimento de pessoas, e um caminho eficiente para colocar a cultura em dia e alinhar os objetivos da empresa com os do colaborador.

Falando assim, é de se imaginar que feedback seja a atividade mais comum e natural que existe em uma organização. A mais praticada e valorizada. A mais desenvolvida no dia a dia. Afinal, é uma das atividades com mais sucessos comprovados, ante as tantas coisas demonstrando que o feedback dá retorno, com o perdão do trocadilho.

Provavelmente você sabe que não é assim. Talvez você já tenha tido experiências não muito boas de feedbacks em processos de seleção, por exemplo. Muitos já tiveram. Afinal, quantos candidatos ficam todos os dias pelo caminho, recebendo nada mais do que um frio e-mail com “obrigado pelo interesse…” A experiência vivida pelo candidato trinca e a marca empregadora vai perdendo a pintura.

Falar de feedback é sério, e uma antiga brincadeira nos ajuda a perceber isso. É o jogo do “quente e frio”, aquele em que alguém tem de adivinhar uma palavra ou encontrar um objeto. Quente e frio nada mais são do que feedbacks.

Poderia ser mais ou menos assim: imagine que o talento ideal de uma empresa que busca diversidade está escondido. A empresa vai buscar esse candidato em locais em que ele não estará, então alguém fala: “está frio!”. Ela sai em busca de organizações que trabalham com negros ou pessoas trans, por exemplo. “Está ficando quente!”.

Colocando a pessoa no jogo: há uma meta a ser batida na companhia. O colaborador faz de tudo, mas vai no caminho do ganhar acima de tudo e de todos. O líder fala: “está ficando frio!”. Quando a pessoa faz algo alinhado à cultura e aos valores da casa, ouve: “agora está ficando quente!”.

Uma brincadeira de feedback desse tipo nos ajuda a chegar a um lugar, encontrar um objetivo ou conquistar um prêmio. Pena que, nas empresas, esse caráter lúdico tenha se perdido.

Lembro de uma pesquisa da [FIA Employee Experience](https://employeeexperience.fia.com.br/) do final de 2020 que ouviu profissionais de mais de 300 empresas no Brasil. Um dos dados que mais me chamou a atenção dizia que 20% dos colaboradores tinham a sensação de não receber feedback suficiente. Agora, quando buscava ativamente esse retorno da liderança, a maioria tinha a sensação de ser bem atendida.

Então, quer dizer que o feedback é, sim, um conhecimento natural para a liderança, que fica adormecido em sua alma e que só desperta com a solicitação de alguém? Não sei. Não acho que seja algo inerente a todos em posições de liderança, porque vi muitos líderes e gestores trocarem os pés pelas mãos na hora de dar feedback.

No entanto, para mim, feedback é um dos momentos mais sublimes de um líder e da gestão de pessoas: é a oportunidade que se abre para o desenvolvimento dos envolvidos. Quem recebe aprende. Quem dá, idem.

## Faça você mesmo
Será que temos de depender tanto assim de receber feedbacks alheios? Não basta uma autoavaliação? E não podemos pedir feedbacks quando achamos necessário? Ou o ideal seria o equilíbrio entre receber e pedir feedbacks?

Em conversas com amigos, percebo que receber um bom feedback é, sim, necessário. Da mesma forma, temos de nos conhecer suficientemente bem para lidar com ele. Por exemplo: como vou assimilar o que não é dito no feedback, mas é demonstrado? Como vou separar o que é joio e o que é trigo num feedback? Como se sabe, há muito feedback com mais joio do que trigo – o joio são as crenças e idiossincrasias de quem emite o feedback, o que é demonstrado e não dito, mas que acaba poluindo a mensagem.

Exemplo: se, para um gestor, cumprir o prazo em um projeto de um produto digital é mais importante do que qualquer outra coisa, ele vai criticá-lo por ter atrasado uma semana e não considerar o fato de que você providenciou mais testes e ajustes para reduzir ao mínimo a vulnerabilidade a hackers. Mas você sabe que a cibersegurança é trigo – tão ou mais trigo do que uma semana de diferença no prazo. Então, você não pode se deixar derrubar quando sabe da relevância da cibersegurança para o sucesso dos negócios.

Particularmente, eu procuro não depender dos feedbacks de terceiros. Isso não significa que eu não dê ouvidos a eles ou que os ignore. Apenas revela minha consciência de que os feedbacks não são uma verdade definitiva a nosso respeito, e sim uma base sobre a qual vamos nos lapidando. Esse trabalho de lapidação do artista é só nosso, com nossos cinzéis, com nossa criatividade e com as ideias do que buscamos para nós. E, no caminho, também com as ideias que buscamos para a organização.

Feedback é muito importante. Um levantamento da Pulses, empresa de soluções para clima organizacional, engajamento e performance, mostra que os profissionais que se sentem satisfeitos com a frequência e a qualidade do reconhecimento tendem a ser 2,4 vezes mais engajados no trabalho. Engajamento gera mais produtividade, o que deixa um belo legado. Então, se o seu gestor não te der feedback, peça feedback.

Mas, antes de pedir, faça você mesmo o seu feedback para conseguir separar joio e trigo nos feedbacks alheios. Use, inclusive, a brincadeira do “quente e frio” no feedback – para se orientar em relação à carreira, à saúde, à própria vida. Está estudando pouco? Está frio. Começou a fazer um curso? Esquentou. Feedback vale para tudo, desde que encontre o solo fértil para se desenvolver.
Qual o feedback que você daria para você mesmo?

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que os Niyamas podem ensinar sobre consciência, disciplina e evolução organizacional

Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Liderança, Estratégia
15 de outubro de 2026 14H00
Inspirado pela trajetória de Rafael Nadal retratada no documentário Rafa, o artigo propõe uma reflexão sobre a forma como empresas constroem seus planejamentos estratégicos.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
15 de outubro de 2026 08H00
Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução