Empreendedorismo

Quando e como buscar investidores para sua empresa

Captar recursos é uma arte derivada da habilidade de vender grandes sonhos e incrementada pela complexidade estratégica de escolher bem o comprador
Fundador, presidente e membro do conselho de administração de JUPTER, além de membro da Confraria do Empreendedor.

Compartilhar:

Todo empreendedor sabe que precisará contar com investimentos para colocar seu negócio de pé ou expandi-lo. Esse momento da jornada de construção do empreendimento é quase inevitável. Porém, se me perguntam quando e como buscar investidores, costumo traçar um breve roteiro e respondo logo pelo “quando”: sempre e nunca. Ficou confuso? Eu explico.

Como fundador e [empreendedor](https://www.revistahsm.com.br/post/a-nova-era-do-empreendedorismo), você está “captando” o tempo todo. Você está sempre em busca de mais usuários, mais clientes, times de execução, capital intelectual, social e financeiro para executar sua visão e acelerá-la. Sempre! É uma função sem fim, um processo ininterrupto, não um projeto com começo, meio e fim. E para que isso funcione, sugiro priorizar em sua agenda semanal as atividades estratégicas de captação de recursos.

Ok, mas onde é que o “nunca” se encaixa? Os melhores captadores abrem um espaço quando encontram aquele investidor e sócio ideal. A melhor rodada de investimentos é aquela realizada quando você tem tranquilidade emocional para deixar uma negociação sem pestanejar, caso os termos forem ruins.

Porém, isso só acontece após você desenvolver seu BATNA (*Best Alternative to Negotiate an Agreement*) – ou, em bom português, quando tenha outras opções viáveis. O segredo para nunca negociar quando está precisando de recursos, portanto, é fazê-lo sempre, pois, assim, terá real opção de escolha.

## A ciência de captar recursos
Captar recursos é uma arte derivada da habilidade de vender grandes sonhos e incrementada pela complexidade estratégica de escolher bem o comprador, afinal, ele o acompanhará por alguns anos.

É como um casamento, um projeto de longo prazo que requer um nível de alinhamento de expectativas, interesses e compromissos bastante alto. Assim como é arriscado se casar por impulso, evite trazer a bordo um sócio que acabou de conhecer.

Para mim, essa [arte é cada vez mais ciência](https://www.revistahsm.com.br/post/os-bastidores-do-momento-eureka-de-um-empreendedor). O processo se assemelha a uma venda complexa de um produto super caro com múltiplos tomadores de decisão. Comece por estruturar seu funil de vendas. Do topo, onde deve haver múltiplos interessados, até convergir para poucos potenciais compradores no final.

E como descobrir quem são os investidores segmentados para cada estágio de maturidade do seu negócio? Afinal, ninguém escreve na testa “sou investidor” ou “quero investir X reais nessa empresa”.

Para ajudar a encontrar bons candidatos no topo do funil, sendo você uma startup nos estágios iniciais, desenvolvemos o Mapa dos Investidores do Brasil, com múltiplas opções. Caso esteja mais avançado na escada corporativa, considere os fundos de Private Equity ou o IPO.

![mapa de investidores de startups no Brasil](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/5XrjoqwPLmW7LLiSbqjjuY/82512051e4b58a3c3da8619e393dd68d/Imagem1.jpg)

Depois de formar o topo do funil, cultive cada lead até ele dizer sim ou não. Especialmente em países latinos como o Brasil, vivemos o eterno ciclo do talvez ou do simples vácuo. Esse processo (de fazer alguém que mal te conhece a desejar ser seu sócio no longo prazo) requer comunicação frequente, engajamento, alinhamento de propósitos e de projetos.

## Evite pedir dinheiro
Tenha muito claro na sua cabeça: não se trata de tirar o dinheiro do bolso de alguém. Você está engajando outra pessoa a embarcar no seu sonho. Encante-a, e o dinheiro vem junto. Logo, evite pedir dinheiro. O [melhor conselho que já ouvi](https://www.revistahsm.com.br/post/cuidado-com-os-conselhos-que-voce-da) foi: “quando você pede dinheiro, acaba ganhando um conselho, quando pede conselho, acaba recebendo dinheiro”.

Peça conselhos a pessoas inteligentes toda semana. Estabelecer boas relações implica compartilhar visões, ideias, pensamentos, medos e angústias. Significa criar momentos de troca sincera e profunda.

Fique à vontade para expor seu lado mais esquisito aos pretendentes: se eles não te aceitarem como você é, provavelmente não serão bons sócios no longo prazo. Mostre suas obsessões, manias e vulnerabilidades. Ninguém é perfeito, intocável e infalível.

Amadurecida a relação, é natural os lados desejarem noivar. Ou melhor ainda, que múltiplos interessados queiram o mesmo. O cenário ideal é você conseguir esquentar múltiplos pretendentes a ponto de escolher *quem* e *como* quiser, nos detalhes de cada vírgula dos contratos.

Minha recomendação aqui é alinhar o prazo de todos com data para receber os pedidos de noivado – no caso, o *term sheet* ou memorando de entendimentos – com mais um prazo para avaliação e negociação dos termos.

Chega o momento em que alguns seguem para a assinatura do documento, geralmente não-vinculante. Começam as diligências jurídicas e financeiras, você fica empresarialmente ‘pelado’ e já tem um pé no altar. Se não for descoberto algo gravíssimo a seu respeito, tudo indica que o contrato definitivo esteja a caminho. Mas só comemore com o dinheiro na conta! Desejo boa sorte, sua jornada está só começando.

Saiba mais sobre empreendedorismo e o mundo dos negócios nas [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter).

Compartilhar:

Artigos relacionados

Estamos dispostos a arriscar o futuro da humanidade pelo resultado no curto prazo?

Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

O papel dos lubrificantes nos 70 anos da indústria automotiva no Brasil

A trajetória dos lubrificantes automotivos acompanha os principais marcos da indústria automotiva brasileira. Com a chegada de motores mais eficientes, exigências ambientais mais rigorosas e a expansão da eletrificação, o setor precisou inovar continuamente para atender novas demandas e permanecer relevante em um cenário de transformação da mobilidade.

Smart Sampa: vazamento de senhas expõe o desafio de proteger uma cidade monitorada por milhares de câmeras

O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

Estratégia
28 de outubro de 2026 15H00
Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

Alexandre Farias Benjamim, - Sociólogo e membro do Conselho Fiscal da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de outubro de 2026 08H00
A trajetória dos lubrificantes automotivos acompanha os principais marcos da indústria automotiva brasileira. Com a chegada de motores mais eficientes, exigências ambientais mais rigorosas e a expansão da eletrificação, o setor precisou inovar continuamente para atender novas demandas e permanecer relevante em um cenário de transformação da mobilidade.

Marcelo Martini - Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de outubro de 2026 15H00
O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

Afonso Morais - Fundador do escritório Pardi e Morais Consultores Jurídicos e Criador e apresentador do podcast Falando de Fraudes

6 minutos min de leitura
Estratégia
27 de outubro de 2026 08H00
Na teoria, cada contato acontece no momento certo e segue o fluxo previsto. Na prática, volume, prioridades e limitações operacionais exigem adaptações constantes. O desafio das empresas não é criar estratégias perfeitas, mas garantir que elas resistam às pressões do dia a dia sem perder seu propósito original.

Guilherme Busch - VP da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de outubro de 2026 15H00
Quando a visibilidade se transforma em critério implícito de reconhecimento, profissionais podem passar a priorizar projetos que geram exposição em detrimento daqueles que realmente precisam ser feitos. O artigo explora como o loud working pode afetar a colaboração e a dinâmica das equipes.

João Paulo Batistella - Fundador e CEO da Eleva Technologies,

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de outubro de 2026 08H00
De onde vem o termo, o que existe ao redor de um agente e por que transformar capacidade de raciocínio em trabalho confiável é uma decisão de gestão, não apenas de tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
25 de outubro de 2026 14H00
À medida que a inteligência artificial transforma funções, processos e competências, cresce a pressão sobre as áreas de Recursos Humanos para encontrar profissionais preparados para um cenário de constante transformação. O desafio não é apenas contratar talentos, mas desenvolver a capacidade de adaptação dentro das organizações.

Daniela Camargo - Head of People & Culture da VOLL

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de outubro de 2026 08H00
Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos em diferentes regiões do planeta e tendem a se intensificar nas próximas décadas. Mais do que reagir aos desastres quando eles acontecem, o texto defende uma abordagem baseada em prevenção, planejamento e uso estratégico da tecnologia para reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de adaptação.

Álvaro Trilho - Diretor de Riscos da WTW Brasil

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
24 de outubro de 2026 14H00
A disponibilidade constante passou a ser confundida com produtividade. Mas, enquanto profissionais são cobrados por respostas rápidas, cresce a necessidade de concentração para realizar atividades que exigem análise, criatividade, julgamento e tomada de decisão. O artigo propõe uma reflexão sobre o valor do silêncio digital no trabalho, mostrando por que organizações que desejam melhores resultados precisam aprender a proteger a atenção das pessoas, e não apenas monitorar sua presença online.

Juliana Marinelli - Pesquisadora pHd de bem-estar digital

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
24 de outubro de 2026 08H00
Mais do que proteger ideias, a discussão convida empresas a construírem uma cultura em que o pioneirismo sirva de estímulo para novas criações, e não de atalho para replicar o trabalho de quem inovou primeiro.

Andrea Kohlrausch,- Presidente da Calçados Bibi

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução