Gestão de pessoas, Dossiê: Experiência do Colaborador

Quando o RH funciona como uma startup

O mapeamento do capital humano com tecnologia de people analytics ajuda os gestores a fazer uma gestão mais eficiente e inclusiva
Leonardo Pujol e Paulo César Teixeira são colaboradores de HSM Management.

Compartilhar:

Estamos em março de 2022. A essa altura já temos uma ideia se a alocação de orçamento para treinamento e desenvolvimento da equipe foi calculada corretamente ou não.

Se decidiu com base em dados, provavelmente você está satisfeito com a decisão tomada. Você levantou com os gestores e suas equipes o conteúdo mais necessário para cada um, tendo em vista desafios e vulnerabilidades, e distribuiu a verba. Por exemplo, você pode ter em seu dashboard algo assim:

![Gráfico ](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/4qKyn1jyLjDncjO2VtNeHd/9f09c98b91a56f0b70d1cb334cba263f/grafico.png)

Se não se orientou por dados, é possível que já esteja tendo surpresas desagradáveis. Considerado o pai da administração moderna, o economista Peter Drucker (1909-2005) costumava dizer: “O que pode ser medido, pode ser melhorado”.

Com o avanço da tecnologia, o poder de mensurar explodiu. A área de recursos humanos entendeu esse recado. Já são muitas as organizações que recorrem à análise de dados para inovar, tomar melhores decisões e impulsionar receitas.

Aplicada em todos os elos da corporação, a ciência de dados tornou-se ferramenta essencial do negócio. Ela pode definir o sucesso ou o fracasso de uma operação.

No universo da gestão de pessoas, a ciência de dados é conhecida como people analytics. Ela ocorre por meio de uma constelação de ferramentas que colhem, mensuram e cruzam informações para analisar o comportamento dos funcionários. De forma geral, essa análise oferece aos líderes insights que subsidiam decisões mais inteligentes nas organizações.

Ao sinalizar tendências, gargalos e oportunidades, o people analytics pode orientar a qualificação continuada. Ele também estimula o engajamento das equipes, criando um vetor de competitividade e produtividade e contribuindo para o desempenho positivo das empresas.

O consultor David Green, autor de *[Excellence in People Analytics: How to Use Workforce Data to Create Business Value](https://www.amazon.com.br/Excellence-People-Analytics-Workforce-Business/dp/0749498293/ref=asc_df_0749498293/?tag=googleshopp00-20&linkCode=df0&hvadid=379693121961&hvpos=&hvnetw=g&hvrand=16399292680400831885&hvpone=&hvptwo=&hvqmt=&hvdev=c&hvdvcmdl=&hvlocint=&hvlocphy=1001650&hvtargid=pla-919017203248&psc=1)*, livro lançado em 2021 e ainda sem edição brasileira, faz sua consideração sobre a ferramenta. Para ele, “o people analytics é vital para ajudar o RH a agregar valor ao negócio e à força de trabalho”.

As organizações parecem perceber essas vantagens. Um [estudo do LinkedIn](https://forbes.com.br/carreira/2021/12/people-analytics-como-a-analise-de-dados-pode-trabalhar-a-favor-da-sua-carreira/) mostra que, entre os mais de 7 mil profissionais de RH entrevistados em 35 países, 73% disseram que ferramentas de people analytics estão entre as prioridades de suas empresas até 2025.

## Decisão com dados, colaboradores felizes
Para os profissionais de RH, tornar as pessoas mais eficientes, felizes e criativas no ambiente do trabalho (seja presencial ou remotamente) é um enorme desafio. Quando a empresa usa dados e informações para mapear o quadro de pessoal, tudo fica mais fácil. O people analytics ajuda a identificar, com clareza e objetividade, os obstáculos que atrapalham a [experiência do colaborador](https://www.revistahsm.com.br/dossie/experiencia-do-colaborador).

Como isso acontece? A análise do capital humano com tecnologia fornece estatísticas e outras informações que ajudam a desenvolver uma gestão mais assertiva. Ela propicia uma boa política de retenção de talentos e uma cultura organizacional mais inclusiva. Desse modo, é possível monitorar o ambiente de trabalho a fim de garantir que ele seja mais humanizado e equânime.

Para muitas organizações, a questão é saber por onde começar. É importante avaliar o grau de maturidade da empresa e seguir o passo a passo em direção a uma cultura norteada por dados.

Nessa hora, simplificar pode ser o melhor caminho. Pode-se começar pela informação que já está à disposição, como uma pesquisa de clima organizacional, um relatório anual de investimentos em treinamento ou até mesmo os dados embutidos na folha de pagamento.

## O risco de contaminar o algoritmo
Conforme o estudo do LinkedIn, algumas soluções de people analytics devem ganhar capilaridade até 2025. As que mensuram a força de trabalho, que identificam gargalos para melhorar o desenvolvimento de habilidades e as que aumentam a diversidade nas contratações estão entre elas. Mas, é preciso tomar cuidado na hora de coletar e processar as informações.

Pode não parecer, mas os dados não são neutros. O algoritmo também está sujeito a condicionamento, pois ele é construído a partir de dados históricos e culturais das organizações. Avaliações de desempenho, por exemplo, podem estar contaminadas por preconceito ou discriminação contra um grupo específico.

Você deve se lembrar do caso da Amazon. Em 2018, ela descobriu que uma ferramenta de triagem de currículos contava com um algoritmo sexista. O sistema havia sido criado a partir do padrão de currículos enviados à empresa durante os dez anos anteriores – e a maioria eram de candidatos do gênero masculino. Com isso, ele passou a diminuir as chances de mulheres candidatas.

A Amazon se desculpou e corrigiu o erro. Mas já tinha feito um estrago.

A discriminação de gênero também apareceu no [Facebook](https://olhardigital.com.br/2021/04/09/internet-e-redes-sociais/facebook-comete-discriminacao-de-genero-em-distribuicao-de-anuncios-diz-estudo/). No ano passado, um estudo da Universidade do Sul da Califórnia mostrou que a rede social direcionava mais anúncios de emprego para homens ou para mulheres com base apenas no histórico de determinada empresa.

Se ela tinha mais funcionários homens, eram os homens que recebiam mais anúncios. Se a maioria dos funcionários fosse do sexo feminino, os anúncios eram direcionados às mulheres. O problema é que somente isso era levado em conta. Pessoas com a mesma escolaridade e experiência eram descartadas pelo aplicativo somente por causa do gênero.

Tanto o caso da Amazon quanto o do Facebook demonstram que o processo analítico também está sujeito a um viés – grave, ainda que não intencional – de discriminação contra determinados grupos. Assim, a escolha da solução de people analytics e a revisão regular das ferramentas são essenciais para que a ciência de dados vá além da eficiência.

Em última instância, a análise de pessoas, especialmente baseada em IA, é uma ferramenta incrivelmente poderosa que se tornou indispensável no RH moderno. No entanto, lembre-se que a tecnologia veio para auxiliar, não para substituir, o julgamento humano.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Antes de encantar, tente não atrapalhar o cliente!

Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia – é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Por que bons líderes fracassam quando cruzam fronteiras

Executivos não falham no cenário internacional por falta de competência, mas por aplicar decisões no código cultural errado. Este artigo mostra que no ambiente global, liderar deixa de ser comportamento e passa a ser tradução

Marketing & growth
3 de abril de 2026 08H00
Como a falta de compreensão intercultural impede que bons produtos brasileiros ganhem espaço em outros mercados

Heriton Duarte

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
2 de abril de 2026 08H00
À medida que a IA assume tarefas operacionais, surge um risco silencioso: como formar profissionais capazes de supervisionar o que nunca aprenderam a fazer?

Matheus Fonseca - Cofounder da Leapy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de abril de 2026 15H00
Entre renováveis, risco sistêmico e pressão por eficiência, a energia em 2026 exige decisões orientadas por dados e governança robusta.

Rodrigo Strey - Vice-presidente da AMcom

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de abril de 2026 08H00
Felicidade não é benefício: é condição de sustentabilidade para mulheres em cargos de liderança.

Vanda Lohn

4 minutos min de leitura
Lifelong learning
31 de março de 2026 18H00
Quando conversar dá trabalho e a tecnologia não confronta, aprender a conviver se torna um desafio estratégico.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de março de 2026 08H00
Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade - estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Marilia Rocca - CEO da Funcional

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de março de 2026 15H00
Números não executam estratégia sozinhos - pessoas mal posicionadas também a sabotam. O verdadeiro ganho de eficiência nasce quando estrutura, dados e pessoas operam como um único sistema.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de março de 2026 06H00
No auge do seu próprio hype, a inovação virou palavra‑de‑ordem antes de virar prática - e este artigo desmonta mitos, expõe exageros e mostra por que só ao realinhar expectativas conseguimos devolver à inovação o que ela realmente é: ferramenta estratégica, não mágica.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
29 de março de 2026 18H00
Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de março de 2026 13H00
Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência - com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...