Desenvolvimento pessoal

Quem é você sem teu cargo?

Somos mais que nossos cargos, e nossa vida não se resume ao trabalho. Quando perdemos o controle da linha entre nossa personalidade e nossos KPIs corporativos, estamos quebrando a fronteira entre o que exercemos na empresa e nossa identidade, diminuindo a importância de quem realmente somos
Saiu da periferia de Maceió e se tornou executivo do Facebook no Vale do Silício e Sócio da XP Investimentos. É o fundador da Become, empresa de educação executiva e corporativa. É professor de Neurociências, com aulas ministradas na quarta maior universidade do mundo, UC Berkeley, e Singularity University, ambas na Califórnia. Também é professor convidado da Fundação Dom Cabral. Foi o executivo responsável por trazer o Baidu (o Google chinês) para a América Latina. Também liderou startups chinesas de games sociais, como o Colheita Feliz, e o idealizador da ONG chancelada pela ONU e acelerada por Stanford, Ajude o Pequeno. Siga o colunista no Instagram - [@wesleybarbosa] - e ouça o podcast de Wesley Barbosa, [No Brain No Gain](https://open.spotify.com/episode/3LzGWqyWnLSo07gwUkKa6R?si=QLRGTDmPSo-1bOS5FJrdmA&nd=1),

Compartilhar:

Quando apresentamos pessoas sempre falamos seus cargos ou empresas. Quando queremos saber de alguém, muitas vezes perguntamos o que a pessoa faz. Esse comportamento enfatiza o quanto vinculamos a importância de alguém pelo trabalho que exerce, e não por sua personalidade. Entender os riscos desta linha tênue pode impactar diretamente no sentido que você dá para tua própria vida.

Todos vivemos isso na pele, e coleciono alguns exemplos onde meu trabalho teve mais importância que a minha presença.

Após deixar a XP Inc, fundei uma [ONG](https://brasil.un.org/pt-br/85801-unido-firma-parceria-com-ong-ajude-o-pequeno-para-apoiar-micro-e-pequenas-empresas-durante) para digitalizar pequenos negócios, os ajudando a superar a pandemia. O “Ajude o Pequeno” chegou a ser chancelado pelas Nações Unidas e acelerado por Stanford University. Presidir a ONG passou a ser minha prioridade máxima durante um ano.

Agora, imagine um cenário onde um executivo internacional deixa a carreira de lado para trabalhar voluntariamente no terceiro setor. Talvez, lendo assim, pareça romântico, corajoso, digno. No entanto, quero apontar essa perspectiva para outro lado. Assim, de início, pergunto: você largaria tua carreira para fazer o mesmo? Por quê?

Num encontro entre amigos, perguntaram o que eu fazia. Meus amigos ficaram desconfortáveis em responder por eu não estar mais em uma empresa privada. Eles não conseguiram descrever quem eu era, e me olharam replicando a pergunta “o que você anda fazendo?”. Eu sorri e disse “em ordem alfabética?”.

Sempre fui o Wesley do Baidu, do Facebook, do Vale do Silício, ou da XP. Contudo, nunca fui apenas o Wesley.

Observando esses movimentos sociais, uma pergunta me veio à cabeça: é você quem tem um trabalho ou o trabalho que tem você?

A verdade é que, para neurociência não existe separação entre o profissional e o pessoal, somos um só. Nosso “self” está alocado no córtex pré-frontal, e quando tomamos decisões que não estão alinhadas com nosso “eu consciente”, há uma menor atividade no córtex pré-frontal.

Nessa mesma região está o nosso poder cognitivo; ou seja, nossa capacidade de aprendizagem e elaboração de conhecimento. Desse modo, por haver sugestões de que agir em inconformidade, nossa consciência gera maior dissonância cognitiva, nos deixando confusos sobre quem somos.

Você já deve ter ouvido alguém dizer “deixe seus problemas em casa”, mas ninguém consegue deixar memórias numa caixa de sapatos em casa. Portanto, a melhor forma de lidar com seu próprio comportamento é entendendo que sua existência não depende de um holerite.

O “enredamento” é um termo utilizada pela psicologia para descrever situações em que as fronteiras entre as pessoas se tornam confusas. Neste sentido, as identidades individuais perdem importância, impedindo o desenvolvimento de um senso de identidade que seria estável e independente. Esse fator está vinculado com a autenticidade.

## Mas por que isso acontece?

Alguns artigos publicados por *Harvard Magazine* sugerem que devamos entender alguns pontos sobre o trabalho e a sociedade para podermos nos posicionar melhor:

__1.__ Existe uma alta pressão recompensada dentro do trabalho, prestígio social, promoções, bônus. Pessoas se automedicam para sustentar jornadas de trabalhos sentindo recompensas por causa de status social de ter o emprego que tem;

__2.__ Alta valorização no meio em que vivemos; amigos, familiares e vizinhança;

__3.__ Mudança de classe socioeconômica devido a promoções no trabalho.
Criando consciência

Esses pontos acabam sobrepondo o propósito e o sentido que o trabalho tem para nós. No entanto, como saber se você está colocando tudo que você é dentro do trabalho?

## Considere estes cinco pontos:

__1.__ O quanto você pensa no teu trabalho fora do escritório?

__2.__ Como você se descreve e o quanto isso está relacionado a um cargo ou empresa?

__3.__ Onde você passa a maior parte do tempo? Alguém já se queixou do teu excesso de trabalho?

__4.__ Você tem hobbies fora do trabalho que envolve tuas habilidades não relacionadas a trabalho?

__5.__ O quão angustiante seria para você perder o emprego que você tem hoje?

## Mudando o cenário

Depois de se questionar e criar consciência sobre o cenário que está inserido, você pode se perguntar como mudar isso. Abaixo segue uma estratégia fundamentada por instituições como Harvard University para te ajudar a se posicionar. Vamos começar pensando nos passos que endereçamos para a angústia de perder o emprego que você tem:

__1.__ Libere tempo na agenda, priorizando atividades fora do trabalho que formam tua personalidade, que fortificam o sentido de viver para você;

__2.__ Comece devagar e perceba o progresso, doutrine teu cérebro a celebrar pequenas recompensas;

__3.__ Reconstrua teu networking, reative teu ciclo fora do trabalho, como amizades antigas de colégio e faculdade;

__4.__ Decida sobre o que é importante para você. Teus propósitos;

__5.__ Enxergue além do teu cargo, ninguém nasceu para ser uma coisa só. A gente se forma e vai seguindo a mesma indústria pra o resto da vida, um plano de carreira orgânico linear, pouco criativo.

No *[No Brain No Gain Cast #114](https://open.spotify.com/episode/0xZXKAOq0ZHuuiCEX0IubZ?si=bd24d194eb43459c&nd=1)* trago mais estratégias sobre o tema.

Por fim, O trabalho deve virar uma extensão da tua personalidade, ele deve ser aquilo que você é, mas você não pode se permitir ser ele. Se teu trabalho não for salvar vidas, ele não é importante.

*Gostou do artigo do Wesley Barbosa? Confira outros artigos relacionados com o tema assinando gratuitamente[ nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://mitsloanreview.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Saiu da periferia de Maceió e se tornou executivo do Facebook no Vale do Silício e Sócio da XP Investimentos. É o fundador da Become, empresa de educação executiva e corporativa. É professor de Neurociências, com aulas ministradas na quarta maior universidade do mundo, UC Berkeley, e Singularity University, ambas na Califórnia. Também é professor convidado da Fundação Dom Cabral. Foi o executivo responsável por trazer o Baidu (o Google chinês) para a América Latina. Também liderou startups chinesas de games sociais, como o Colheita Feliz, e o idealizador da ONG chancelada pela ONU e acelerada por Stanford, Ajude o Pequeno. Siga o colunista no Instagram - [@wesleybarbosa] - e ouça o podcast de Wesley Barbosa, [No Brain No Gain](https://open.spotify.com/episode/3LzGWqyWnLSo07gwUkKa6R?si=QLRGTDmPSo-1bOS5FJrdmA&nd=1),

Artigos relacionados

76% das organizações já têm um Chief AI Office (CAIO). E agora, qual é o papel do CEO?

Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Empresa familiar sem governança é refém do fundador; com governança, vira legado

O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

A NR-1 perguntou sobre o trabalho. A empresa respondeu sobre as pessoas.

A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

A equipe de marketing do futuro pode caber em uma pessoa

Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Problemas complexos exigem criatividade coletiva

O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo