Gestão de Pessoas

Recrutamento e seleção com foco em abundância

Seu processo de contratações em tecnologia está quebrado e eu te explico o porquê
É inovador insaciável, ajuda empresas a incluir pessoas através da educação tecnológica oferecida pela mesttra. Engenheiro Mecânico de formação, membro da Confraria do Empreendedor, participou de capacitações na Fundação Dom Cabral, Endeavor e Singularity University.

Compartilhar:

No artigo anterior da série [“O maior desafio da humanidade](https://www.revistahsm.com.br/post/entendendo-o-maior-desafio-da-humanidade)”, comentei sobre os fatores que ocasionaram uma demanda global por talentos qualificados em tecnologia. Neste artigo, trago considerações sobre uma mentalidade fixa de recrutamento e seleção e uma mentalidade de abundância.

Na primeira guerra mundial, a pressão por atração de pessoas que pudessem se juntar ao exército norte-americano levou à uma grande propaganda do Tio Sam: pôsteres com ele olhando nos olhos e apontando diretamente com a frase “I want you!” (eu quero você!, em inglês) foram distribuídos em todos os cantos. Criou-se um ambiente em que participar das forças militares era sinônimo de respeito e poder. Vendeu-se o ideal patriótico e milhares de pessoas compraram a causa. Como conseguiram atrair pessoas que pudessem perder a vida por seu país? O foco central da campanha de alistamento era o indivíduo e o que ele poderia fazer por seu país, como mostra o pôster para alistamento na Primeira Guerra Mundial:

![US Army Pôster para alistamento na Primeira Guerra Mundial](//images.contentful.com/ucp6tw9r5u7d/bdZtiRlFmmLol7sCqlsTQ/e9668ca79bc06e30e84236d23aeddea5/Imagem1.jpg)

No universo de negócios, é necessário destacar que empresas não são países, ninguém nasce nelas e nem coloca seu nome estampado no documento. A ideia de dezenas de anos contribuindo para uma única corporação parece ter ficado num passado bem distante.

Segundo a [Advance Consulting](https://www.advanceconsulting.com.br/pesquisa), em 2021 o mercado de TI no Brasil atingirá o maior crescimento da história (21%) e a falta de pessoas qualificadas já é o segundo maior desafio enfrentado. Algumas empresas projetam crescimento acima de 40% neste ano, e o cenário parece ser de uma grande guerra por talentos, que precisa ser compreendida.

Poucas pessoas procuram as vagas de tecnologia, muito provavelmente por não terem os requisitos mínimos necessários. Quando se inscrevem, o time se vê de mãos atadas, pois não encontra muitas evidências do conhecimento prático. Quando o candidato ideal participa de todo o processo, talvez suas expectativas de remuneração sejam muito superiores ao orçamento aprovado. Aos poucos, empresas se especializaram no, já famoso, “rouba monte”, que diz respeito à prática predatória de oferecer salários cada vez mais altos para cumprir com o planejado, trazendo riscos operacionais consideráveis para empresas de menor porte. Ao final, salários são inflacionados deliberadamente sem que a possibilidade de criação de novas oportunidades para quem necessita seja sequer avaliada.

Com o pensamento [fixo na escassez](https://www.google.com/url?q=https://mitsloanreview.com.br/post/por-que-esta-tao-dificil-contratar-desenvolvedores&sa=D&source=docs&ust=1634162261112000&usg=AOvVaw3vYPL-2qH_EijIW5iK7l88), o processo de recrutamento e seleção (R&S) foi especializado a tal ponto que, para tentar buscar mais pessoas, empresas investiram grandes quantias em softwares que trazem novas funções como social listening, applicant tracking system, inteligência artificial e aprendizado de máquina. O que se vê é uma integração interessante de ferramentas que ajudam a captar um volume maior de candidatos que, interagindo com a marca, seus conteúdos e testes comportamentais, podem captar pessoas com as habilidades necessárias. Quem obtém êxito, muitas vezes contrata além do necessário, a fim de manter seu diferencial competitivo: tech é poder.

“As melhores organizações em contratação crescem 3 vezes mais rápido do que as piores.”, The Boston Consulting Group.

No entanto, este processo moderno também está quebrado. Isso porque parte do pressuposto de que existem pessoas prontas para executar as atividades empresariais. Veja, se as novas tecnologias são criadas a velocidades sem precedentes, porque deveríamos esperar que o lento processo educacional pudesse estar à par da demanda? Faz-se necessário pensar o que acontece a médio prazo quando o acesso a tais ferramentas só é possível para grandes empresas, que irão varrer todo o mercado e contratar todos que tiverem interesse.

## Foco em abundância

É evidente que a suprema maioria dos empresários ativaria novas fontes de receita caso contasse com as pessoas certas nas funções corretas. Se o desafio é gigante, as ações devem almejar a mesma proporção. Assim como na guerra, devemos avaliar o indivíduo e o que ele poderia fazer pela organização. Se hoje ele recebe um não, quando é que poderá receber um sim?

Uma pesquisa realizada por [Josh Bersin](https://joshbersin.com/wp-content/uploads/2019/10/Build_vs_buy_Bersin_1.0.pdf), consultor que é referência global em gestão de talentos, sugere que o custo de recrutar um engenheiro de software em meio de carreira (que ganha entre 150 e 200 mil dólares por ano) pode ser de 30 mil dólares ou mais, incluindo taxas de recrutamento, publicidade e tecnologia. Esta nova contratação também requer integração e tem uma rotatividade potencial de dois a três vezes maior do que um talento interno. Porém, o custo para treinar e requalificar um funcionário interno pode ser de 20 mil dólares ou menos, economizando 116 mil dólares por pessoa durante três anos.

Se a barreira foi ultrapassada e é mais barato treinar do que contratar, a mentalidade agora precisa focar na possibilidade de destravar novas fontes de recursos humanos, que incluam e capacitem as pessoas que irão transformar as organizações. As habilidades atuais cedem espaço para as habilidades que podemos conquistar em potencial, e as capacitações necessárias deixam de ser centros de custos para se tornar centros de criação de valor para a sociedade.

A capacitação dos profissionais em TI é urgente e será o tema do próximo artigo desta série.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Por que a filosofia voltou a ser uma ferramenta de gestão

Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo