Business content

Reimaginando negócios com ESG – e foco no G

Para que os negócios possam, de fato, realizar operações mais sustentáveis e eficientes no futuro, o ESG passa a ser central - com destaque para a governança
Editor de conteúdo multimídia para HSM Management, radialista, jornalista e professor universitário, especialista em comunicação corporativa, mestre em comunicação e inovação e doutorando em processos comunicacionais. Desde 2008, atua em agências, consultorias de comunicação e gestão para grandes empresas e em multinacionais.

Compartilhar:

Não é incomum encontrar canteiros verdes ou praças, especialmente nas grandes metrópoles, que são “cuidadas” por empresas, ação vista como um tipo de devolução das corporações às comunidades em que estão inseridas. Exemplos assim são comuns próximos a supermercados e shoppings, assim como iniciativas em escolas municipais e estaduais, campanhas de agasalho ou as famosas cartinhas de Papai Noel no final do ano. São ações isoladas que representam pouco para os dois lados: empresa e sociedade.

Quando consideramos o que os negócios do futuro precisam fornecer não só aos clientes diretos, mas também à sociedade, o termo ESG é o que mais impera. Afinal, é por meio de uma [sustentabilidade apoiada em riscos ambientais, sociais e de governança](https://www.revistahsm.com.br/post/futuro-no-agora-negocios-conscientes-responsaveis-e-humanizados) que empresas podem ir além (e muito mais fundo) em ações que gerem conscientização, impacto social e responsabilidade, seja sobre o meio ambiente, sobre pessoas, sobre dados, considerado o novo petróleo da atual (e próxima) geração.

E é aqui que a tal “governança” tem peso tão grande. A governança ajuda na ressignificação de todas essas ações, de forma que elas não sejam isoladas, esparsas e efetivamente agreguem valor ao negócio, entendendo “negócio” não como resultado financeiro da companhia, mas sua percepção de valor pela sociedade.

## Maturidade em governança
Se por um lado ações sociais e ambientais ainda são muito desconectadas, a governança, em geral, é a mais madura de todos esses três pilares. “Entendo que os demais pilares devem nascer da esfera da governança. Eles não são coisas isoladas. A governança tem que ser a base, e os demais pilares têm início aí, baseados nas decisões dos executivos, do conselho de administração, todas as camadas que nós entendemos que formam a governança corporativa”, explica o vice-presidente de SAP S/4 Hana e head de Hana Enterprise Cloud na SAP América Latina e Caribe, Alexandre Pereira.

As [práticas de governança corporativa](https://www.revistahsm.com.br/post/quer-fazer-parte-de-um-conselho) dizem respeito à condução do negócio, com conceitos éticos relacionados aos direitos humanos, aos seus funcionários e relações de trabalho justas. Respeitar o meio ambiente é um fator relevante na longevidade, e ainda mais importante agora na reputação das empresas, o que acaba entrando na agenda de CEOs. Logo, companhias que pautam seus processos com boas práticas sociais, sustentáveis e de gestão têm menos chance, por exemplo, de esvaziar o caixa porque teve uma disputa legal, seja por queixa trabalhista, dano ambiental, fraude ou envolvimento com corrupção.

“A governança corporativa nas minhas interações sempre foi um aspecto fundamental desde muito tempo. Controles, mitigação e mapeamento de riscos, segregação de funções para que não tenha nenhum tipo de esforço desequilibrado. Isso é tecnologia que vai ajudar empresas”, explica o executivo, lembrando que o assunto de sustentabilidade exclusivamente ambiental começou a surgir fortemente ao final da primeira década dos anos 2000.

Para ele, no entanto, a governança não é mais apenas um tema corporativo: “muita gente entra no mercado, e o consumidor tomava uma decisão de compra que era preço e qualidade. Agora não é mais preço e qualidade. É preço, qualidade e ‘será que a marca está atrelada à minha filosofia de vida? Poxa, eu sou vegetariano. Será que essa marca está se preocupando com os aspectos de bem estar animal, por exemplo?’”. Quando isso acontece, há impacto direto na cadeia de valor – a decisão de compra, a receita da empresa, o resultado, o investidor e, finalmente, chegando à agenda do C-level.

## Governança como base
Se toda empresa é, essencialmente, uma empresa de tecnologia e de pessoas, o dado é central, o que leva à essência da governança: dado é um ativo intangível. O que isso significa? Nossas informações enquanto consumidores são dados de comportamento. Logo, toda vez que aceitamos um cookie em um navegador, optamos por fazer parte de um newsletter ou receber oferta de viagens, estamos cedendo dados sobre quem somos – e este é o dado que as empresas buscam.

Por isso, o tema governança tem tomado mais força a partir de grandes marcos como o GDPR na Europa e a [Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)](https://www.revistahsm.com.br/post/privacidade-de-dados-lgpd-e-filosofia-estamos-realmente-preparados) aqui no Brasil. Por meio dela, descobrimos o quanto a falta de travas ou limites para obtenção e compartilhamento de dados podem causar danos. E quando elevamos essa discussão para a computação em nuvem, uma vez que usamos cada vez mais aplicações armazenadas na cloud, a governança de dados experimenta um crescimento exponencial em importância.

Seja ela voltada à proteção de dados sensíveis, de processos e/ou práticas, a governança é fundamental para compreender os passos que precisam ser dados pela companhia, não importa qual for a direção. Não é possível, portanto, desenvolver práticas sólidas e consistentes de políticas ambientais ou contrapartidas sociais se não houver um papel claro de responsabilidade nos processos, dada a abrangência quase universal do tema em todas as áreas de uma empresa.

Thomas Eckschmidt, co-fundador do movimento capitalismo consciente, aponta que o [conceito ESG](https://www.revistahsm.com.br/post/conecte-a-sua-estrategia-de-diversidade-a-pauta-esg) (ou GSA) atende a essa demanda sistêmica. É um programa de compliance que, sozinho, [não funciona no longo prazo](https://mitsloanreview.com.br/post/por-que-esg-sozinho-nem-sempre-funciona). “Com relação à governança, os investidores têm interesse nos métodos contábeis, na transparência, nas garantias de que as empresas evitam conflitos de interesse, contribuições políticas e outros temas de destinação de recursos.” Por isso é necessário ir além.

Um exemplo é a conexão entre diversidade e o pilar social. “Empresas com conselhos e líderes com um mix de gênero, etnias, experiências de carreira tem, como resultado, um mindset mais diverso e atento (às reais necessidades do mercado). Elas conseguem identificar melhor oportunidades que geram crescimento no longo prazo”, detalha Larry Fink, CEO da BlackRock em [texto de Thalita Gelenske](https://www.revistahsm.com.br/post/conecte-a-sua-estrategia-de-diversidade-a-pauta-esg) sobre o tema.

## Liderança de olho no futuro
Com tantas incertezas, o líder, hoje, precisa dividir seu tempo para a entrega de resultados e para construir o negócio do futuro – que não é mais tão futuro assim. Pensar no mercado e nas próximas gerações, além de implementar tais mudanças, torna qualquer negócio mais sustentável.

Recentemente, a SAP lançou o [Rise with SAP](https://www.sap.com/brazil/products/rise.html), um conceito de transformação de negócio como serviço, entregue via nuvem. É um serviço em que tecnologia e serviços embarcados permitem o acompanhamento da empresa desde o planejamento, a execução e ter as ferramentas necessárias para passar por este processo de transformação.

“Temos um cliente de meios de pagamento que é mais uma empresa de tecnologia do que um banco. E nós temos clientes de retail que hoje já são bancos também. Essas transformações precisam de uma plataforma robusta”, demonstra Alexandre Pereira. “Falando especificamente da pegada de carbono, a SAP tem uma iniciativa chamada Climate 21, em que nossos sistemas mapeiam e provêem essa transparência do equivalente ao ciclo do carbono de ponta a ponta. Qualquer indústria, qualquer empresa, como ela vai levantar as informações que precisa para entender onde está tendo a emissão do equivalente de CO²? E isso permeia a empresa inteira.”

Essa discussão não acaba por aqui. Quer conferir mais sobre o que esperar do futuro corporativo e de modelos de negócios bem-sucedidos nos próximos anos? [Clique aqui e faça seu cadastro no evento __Eixo exponencial – O Futuro no Agora: como a tecnologia em nuvem torna-se uma aliada nas práticas ESG de empresas inteligentes?__](https://event.on24.com/eventRegistration/EventLobbyServlet?target=reg20.jsp&partnerref=hsm&eventid=3086211&sessionid=1&key=07B749F1C856174603557CBC714869B2&regTag=&V2=false&sourcepage=register), a ser transmitido em 6 de maio, às 17h30. A HSM Management é uma das parceiras do evento e estará presente nesta mesa redonda imperdível. Inscreva-se e não perca!

Compartilhar:

Artigos relacionados

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Por que a filosofia voltou a ser uma ferramenta de gestão

Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo