Tecnologias exponenciais
6 min de leitura

Robótica ganha protagonismo no SXSW 2025, mas desafios de escalabilidade permanecem

No SXSW 2025, a robótica ganhou destaque como tecnologia transformadora, com aplicações que vão da saúde e criatividade à exploração espacial, mas ainda enfrenta desafios de escalabilidade e adaptação ao mundo real.
Renate Fuchs é Managing Director na Industry X da Accenture Brasil. Atualmente, Renate também atua como Vice-Presidente da VDI - Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha, onde preside o cluster de Inclusão e Diversidade. Nesse papel, ela criou e lançou o programa Industry4her, voltado para a qualificação de mulheres engenheiras em transformação digital e liderança, reforçando seu compromisso com a diversidade e a equidade de gênero no setor de tecnologia.

Compartilhar:

Niall Firth, editor executivo do MIT Technology Review

A robótica teve um espaço de destaque no SXSW 2025, com discussões que foram além da automação industrial e abordaram o impacto dos robôs na sociedade, criatividade, saúde e até na exploração espacial. Desde o primeiro dia do evento, ficou evidente que essa tecnologia está no centro das inovações mais transformadoras da atualidade.

Logo na abertura, a apresentação de Niall Firth, editor executivo do MIT Technology Review, destacou que duas das 10 Breakthrough Technologies de 2025 envolvem robótica: os robotáxis, que começam a operar comercialmente em diversas cidades do mundo, e os robôs de aprendizado rápido ou multifuncionais, que, impulsionados pela IA generativa, podem se tornar cada vez mais versáteis e adaptáveis a novas tarefas.

No segundo dia do evento, a futurista Amy Webb reforçou esse protagonismo ao apresentar seu aguardado relatório de tendências tecnológicas. Para Webb, estamos vivendo um superciclo tecnológico, no qual a robótica converge com biotecnologia, inteligência artificial e sensores avançados para criar soluções inovadoras. Ela destacou os avanços em robôs bio-híbridos, que combinam materiais biológicos e artificiais como por exemplo uma água-viva robótica desenvolvida pela Caltech (California Institute of Technology). Nesta pesquisa, águas-vivas foram aprimoradas com um protético e eletrônicos que aumentam a eficiência na locomoção e capturam informações no oceano sobre temperatura, salinidade e níveis de oxigênio, todos influenciados pelas mudanças climáticas da Terra.

Além disso, Amy enfatizou que a robótica será essencial para o desenvolvimento da inteligência artificial geral (AGI), pois a interação dos sistemas inteligentes com o mundo físico é um passo crucial para seu amadurecimento.

Diversos painéis ao longo do evento evidenciaram como a robótica está moldando diferentes setores

No painel “Robotics and the Future of Human Touch”, especialistas debateram como os robôs estão sendo projetados para interações mais humanas e empáticas, explorando seu impacto psicológico e social. A discussão trouxe perspectivas de Barbara Klein, Chief Revenue Officer da Enchanted Tools, sobre como os robôs podem auxiliar na saúde e no cuidado com idosos ou crianças. A empresa criou o robô social Mirokaï, que foi apresentado no escritório da Accenture em Austin, onde demonstrou seu potencial como uma excelente solução para hospitais possibilitando mais de 10 tarefas como acompanhar pacientes, transportar pequenas cargas ou contar histórias.

Outro destaque foi o painel “Pushing Creativity to New Bounds: Future Robot Applications”, que explorou o papel dos robôs na arte, no design e na música. Evan Ackerman (IEEE Spectrum), Cynthia Breazeal (MIT) e Peter Stone (Sony AI, Universidade do Texas) discutiram como as máquinas podem colaborar criativamente com humanos e até mesmo desenvolver formas próprias de expressão artística. A evolução da interação humano-robô foi um dos principais pontos levantados, com exemplos que vão desde robôs assistentes até sistemas capazes de aprender e improvisar novas habilidades.

Já o painel “Building and Fixing Things in Space With Robotics” mostrou como a robótica será fundamental para o futuro da exploração espacial. Shea Ferring (Firefly Aerospace), Greg Richardson (Consortium for Space Mobility & ISAM), Jeff Schloemer (Astrobotic) e Meera Day Towler (Space Robotics Program Manager) explicaram como os robôs estão sendo projetados para realizar montagem, manutenção e reparos em órbita. Essas tecnologias prometem reduzir os custos e riscos das missões espaciais, permitindo a construção de estruturas complexas no espaço sem intervenção humana direta.

O desafio da escalabilidade

A robótica está sendo ampliada para aplicações de contextos complexos e sociais. Um dos principais entraves discutidos no SXSW 2025 foi a escalabilidade desses novos casos de uso. Muitas das inovações apresentadas ainda estão restritas a ambientes controlados, projetos-piloto ou nichos específicos. Os robotáxis, por exemplo, estão em operação apenas em algumas cidades devido a barreiras regulatórias e dificuldades de adaptação a diferentes infraestruturas urbanas. Já os robôs sociais precisam de mais robustez para operar em cenários imprevisíveis e lidar com a complexidade do mundo real, além de manter um ciclo de uso duradouro.

O sonho ou pesadelo de ter um robô humanoide na sua casa ainda está longe de acontecer. Por outro lado devemos ver cada vez mais novas histórias de aplicação de robótica desafiando a gravidade no espaço ou prestando serviços gerais em ambientes controlados, como por exemplo os taxis autônomos e robôs concierge que expressam emoções interagem socialmente.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Cultura no centro do lucro

Este artigo revela por que a cultura deixou de ser um elemento simbólico e passou a representar um dos custos – e ativos – mais invisíveis do lucro, mostrando como liderança, engajamento e visão sistêmica definem a competitividade e a perenidade das organizações.

Por que o líder que sabe tudo se tornou um problema?

Este artigo traz dados de pesquisa, relatos de gestão e uma nova lente sobre liderança, argumentando que abandonar a obrigação da infalibilidade é condição para equipes aprenderem melhor, se engajarem mais e entregarem resultados sustentáveis.

Líder-mentor: quem inspirou as maiores lideranças do país

A partir das trajetórias de Luiza Helena Trajano e Marcelo Battistella Bueno, este artigo revela por que grandes líderes não se formam sozinhos – e como a mentoria, sustentada por vínculo, presença e propósito, segue sendo um pilar invisível e decisivo da liderança em tempos de transformação acelerada.

Liderança multigeracional no Brasil

Este artigo traz uma provocação necessária: o conflito entre gerações no trabalho raramente é sobre idade. É sobre liderança, contexto e a capacidade de orquestrar talentos diversos em um mercado em rápida transformação.

Cultura organizacional
24 de abril de 2026 15H00
Este artigo revela por que a cultura deixou de ser um elemento simbólico e passou a representar um dos custos - e ativos - mais invisíveis do lucro, mostrando como liderança, engajamento e visão sistêmica definem a competitividade e a perenidade das organizações.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

4 minutos min de leitura
Liderança
24 de abril de 2026 08H00
Este artigo traz dados de pesquisa, relatos de gestão e uma nova lente sobre liderança, argumentando que abandonar a obrigação da infalibilidade é condição para equipes aprenderem melhor, se engajarem mais e entregarem resultados sustentáveis.

Dante Mantovani - Coach, professor e consultor

5 minutos min de leitura
Liderança
23 de abril de 2026 16H00
A partir das trajetórias de Luiza Helena Trajano e Marcelo Battistella Bueno, este artigo revela por que grandes líderes não se formam sozinhos - e como a mentoria, sustentada por vínculo, presença e propósito, segue sendo um pilar invisível e decisivo da liderança em tempos de transformação acelerada.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional e Consultora HSM

8 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
23 de abril de 2026 08H00
Medir bem não garante decidir certo: por que sistemas de gestão falham em ambientes complexos? Este artgo traz o contraste entre a perspectiva positivista do BSC e o construtivismo complexo de Stacey revela os limites de cada abordagem e o que cada uma deixa sem resposta

Daniella Borges - CEO da Butterfly Growth

8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
22 de abril de 2026 15H00
A IA não muda a cultura. Ela expõe. Este artigo argumenta que ela apenas revela o que o sistema permite - deslocando o papel da liderança para a arquitetura das decisões que moldam o comportamento real.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Diversidade
22 de abril de 2026 07H00
Este artigo traz uma provocação necessária: o conflito entre gerações no trabalho raramente é sobre idade. É sobre liderança, contexto e a capacidade de orquestrar talentos diversos em um mercado em rápida transformação.

Eugenio Mattedi - Head de Aprendizagem na HSM e na Singularity Brazil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de abril de 2026 14H00
Este artigo mostra por que crédito mais barato, sozinho, não resolve o endividamento - e como o Crédito do Trabalhador pode se transformar em um ativo estratégico para empresas que levam a sério o bem‑estar financeiro de suas equipes.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
21 de abril de 2026 08H00
Quer trabalhar fora do Brasil? Se o seu plano é construir uma carreira internacional, este artigo mostra por que excelência técnica já não basta - e o que realmente abre portas no mercado global.

Paula Melo - Fundadora e CEO da USA Talentos LLC

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
20 de abril de 2026 15H00
Este artigo convida conselhos de administração a reconhecerem a inteligência artificial como uma nova camada de inteligência estratégica - silenciosa, persistente e decisiva para quem não pode mais se dar ao luxo de decidir no escuro.

Jarison James de Lima é associado da Conselheiros TrendsInnovation, Board Member da ALGOR e Regional AI Governance Advisor no Chapter Ceará

5 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de abril de 2026 07H00
Se talentos com deficiência não conseguem sequer operar os sistemas da empresa, como esperar performance e inovação? Este texto expõe por que inclusão sem estrutura é risco estratégico disfarçado de compliance

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...