Uncategorized
Oferecido por:

Seis segundos que valem bilhões

Com mais de 300 milhões de usuários por dia e parcerias com grandes empresas de comunicação e entretenimento, o Giphy quer virar o mercado publicitário da internet de ponta-cabeça

Compartilhar:

Você já entrou no endereço Giphy.com? Lá se encontra uma enorme coleção de “fotografias em movimento”, que, disponibilizadas em um layout agradável e funcional, já se tornaram uma nova forma de comunicação, tanto na internet como em dispositivos móveis, como o celular. É muito fácil pesquisar os gifs, como esse formato é chamado, por tema (por exemplo, esportes, emoções e entretenimento) ou por palavra-chave (como “pets”). Com quase cinco anos de existência, a empresa Giphy tem grande parte do mérito por popularizar essas imagens animadas. 

Mais de 2 bilhões de gifs são compartilhados por dia, por meio do próprio site e de plataformas como o Facebook e o Twitter. O número impressiona, mas, oficialmente, o Giphy ainda se considera em “modo de crescimento”. “Acreditamos que podemos triplicar de tamanho, ainda que isso pareça loucura”, afirma Alex Chung, um dos fundadores e CEO da empresa. 

Chung tem 42 anos, idade suficiente não só para saber a história da bolha das ponto.com, na década de 1990, como para tê-la vivenciado. Por isso, é expressiva sua tranquilidade ao falar sobre como o Giphy, avaliado por investidores em US$ 600 milhões, vai conseguir ganhar dinheiro. “Temos receita”, revela. “Sabemos que podemos nos tornar lucrativos em um mês, assim que quisermos. Mas, assim como fizemos ao pensar o crescimento do negócio, planejamos o aumento da receita de forma exponencial e sustentável.” 

Ele e sua equipe de 75 funcionários passaram anos preparando a empresa para o crescimento de longo prazo. A próxima etapa será marcada pelos produtos publicitários, acompanhados de ferramentas de mensuração. Segundo Chung, o Giphy vai mexer com o mercado de anúncios na internet. “Todos nós sabemos que esse é um negócio em crise”, afirma, referindo-se às análises negativas que circulam, com base em aspectos como métricas pouco precisas, questões de segurança das marcas e o cansaço das pessoas em relação a formas desgastadas, como banners e pop-ups. 

Ao mesmo tempo, argumenta ele, “todo mundo está migrando para o formato de anúncio de seis segundos. O YouTube já fez isso e o Facebook está nesse caminho. Dominamos esse formato e contamos com a mais ampla distribuição do mundo de conteúdo em seis segundos, tanto para dispositivos móveis como para computadores”. 

Mais importante que isso, porém, é o fato de o Giphy contar com peças comerciais que não parecem publicidade. “É um material que as pessoas querem usar, seja para se comunicar, seja para rir”, destaca o diretor-operacional da empresa, Adam Leibsohn. 

“Não estamos falando de milhões ou centenas de milhões de dólares de receita, mas de bilhões”, diz Chung com naturalidade. “Como você alcança um ponto em que é capaz de faturar bilhões? Com algo que seja fundamentalmente disruptivo.” 

**GIFS EM TODO LUGAR**

Um dos grandes marcos da história do Giphy foi a aceitação do formato gif pelo Facebook. “Depois, entramos no Twitter, o que ninguém tinha feito antes, e no Slack. Seguimos levando gifs a todos os lugares imagináveis, incluindo o Outlook. Nossa missão sempre foi garantir nossa distribuição aonde ninguém antes tivesse chegado, e continuamos fazendo isso”, afirma Chung. 

“Especialmente quando tudo está estático. Aí nos perguntamos: ‘Por que isso não está se mexendo?”, acrescenta Leibsohn, lembrando que um dos slogans da empresa é “Faça tudo se mexer”. 

Tiffany Vazquez, editora de filmes sênior do Giphy, conta que soube que o site ia se tornar um fenômeno de massa em fevereiro de 2016, quando o comediante e apresentador de TV Conan O’Brien escreveu no Twitter que recorreu ao site para mostrar como seus filhos reagem toda noite quando ele chega em casa do trabalho. 

De lá para cá, a importância do Giphy só aumentou. “O site é parte essencial de nossas campanhas de marketing digital”, atesta Dana Flax, diretora de mídia social da HBO. 

**CONTEÚDO EXTENSO**

O Giphy faz tudo o que pode para corresponder às expectativas, o que inclui alimentar seu extenso banco de dados com conteúdos populares. Um bom exemplo é o trabalho que foi feito com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pelo Oscar. Foram criados gifs para todas as premiações desde 1937. Mesmo empresas de entretenimento que não possuem parceria oficial com o Giphy contam com o serviço para angariar fãs. 

No entanto, à medida que o Giphy começa a explorar as possibilidades de monetização de seus serviços, a lua de mel com Hollywood sofre pressão. Além da contagem de visualizações, introduzida no final de agosto do ano passado, para alívio de muitos, e de informações sobre o percurso feito pelos gifs (como do Facebook para o Twitter), as marcas, filmes e programas de TV não têm acesso a muitos dados, ou seja, estão no escuro sobre quem vê suas imagens animadas. 

As marcas estão acostumadas a usar plataformas como Facebook, Twitter e YouTube para falar com públicos específicos antes de um lançamento – por exemplo, mulheres de menos de 25 anos que gostam de filmes de terror. 

Segundo Chung, em breve o site disponibilizará novas tecnologias de rastreamento para atender seus parceiros. “Será algo comparável com o que o Facebook e outras mídias já possuem”, afirma. Porém, diferentemente do Facebook, que passou a cobrar das marcas pelo tráfego que antes oferecia de graça, não haverá cobrança “pelo que já estamos fazendo”, garante o CEO. 

O Giphy também busca descobrir como conseguir que as empresas de entretenimento não apenas desmobilizem décadas de conteúdo, como produzam material exclusivo para o site. Ainda não há mais detalhes sobre iniciativas nesse sentido, mas a ideia traz ao menos um desafio criativo: como fazer com que o gifs evoluam de uma mídia que captura momentos para algo que possa oferecer uma narrativa? 

**PRODUÇÃO ORIGINAL**

Ao pensar em trabalho com mais conteúdo original, incluindo material exclusivo feito com uma rede de artistas, o Giphy quer se diferenciar. Ele faz um movimento semelhante ao da Netflix quando criou suas séries e filmes originais, como _Stranger Things_, em um esforço de criar demanda. 

Com esse mesmo propósito, o Giphy transformou em gifs, praticamente ao vivo, eventos como a entrega do Emmy ou a première de _Game of Thrones_. A ideia, segundo a empresa, é estar em sintonia com a cultura do momento e com o que está acontecendo na internet. 

De acordo com essa visão, o Giphy é mais do que apenas uma ferramenta de comunicação: é uma espécie de ambiente, um canal de rádio sempre ligado ou, em termos mais contemporâneos, algo como o Cheddar, rede digital de notícias financeiras lançada visando o público formado pelos millennials. 

Embora a tendência atual favoreça uma destruição social ampla, em vez de se tentar criar um destino específico, o endereço Giphy.com e seu app são um ativo ainda subestimado, reunindo, atualmente, 250 milhões de usuários por mês. 

A percepção dos executivos da empresa é a de que o Giphy pode ser mais criativo no serviço oferecido aos parceiros, mirando regiões, horários e meios de distribuição específicos. “Todo mundo está lutando por seu segmento de uma hora em horário nobre, certo?”, diz Chung, referindo-se à batalha cada vez mais cara entre Amazon, HBO, Netflix e outros para criar algo no estilo _Game of Thrones_, ou seja, um épico global de audiência quase obrigatória. 

Chung, no entanto, concentra-se em “ter um conteúdo em que as pessoas estejam ligadas o dia todo”; em outras palavras, “um conteúdo que não seja totalmente interativo, que obrigue as pessoas a sentar para prestar atenção”. “Nós podemos ficar com as 23 horas restantes depois daquela hora do horário nobre”, explica o CEO. 

**SEIS SEGUNDOS**

Leibsohn, diretor-operacional, trabalhou oito anos no mercado publicitário antes de fundar o Giphy com Chung. Para ele, os anúncios de internet hoje só representam marcas desesperadas para entrar em uma festa para a qual não foram convidadas. Em contrapartida, o objetivo do Giphy é deter a “exclusividade” do formato de seis segundos para criar anúncios (ou convencer as marcas a fazer isso) que traduzam o espírito dos gifs, embora essa ainda seja uma mídia nascente. 

“O mercado está demorando para entender o valor que uma peça de formato curto pode ter”, comenta Jason Krebs, diretor da Tenor, concorrente nesse mercado de gifs que está se preparando para trabalhar com anúncios pagos de campanhas de grandes marcas. “De que modo esse tipo de ação impulsiona o sucesso das marcas? Como em qualquer outra mídia, o primeiro ponto diz respeito a conseguir ou não a exposição que se deseja, além, claro, da audiência correta e no ambiente adequado. Em seguida, vem a questão de quanto a ação ajudou os negócios. É nesse momento que estamos”, explica. 

Para alcançar seus objetivos, Chung crê possuir algo decisivamente valioso para as marcas: o acesso às emoções de centenas de milhões de consumidores. “Há poucos lugares [mídias] que conectam você com todo mundo e com o que todos estão falando e que podem lhe contar por que você é o assunto naquele contexto”, diz Chung. “Agora, pense nesse lugar com uma plataforma com receita de publicidade; ela será poderosa.” 

Trata-se, portanto, de uma proposição potencialmente tentadora: unir a capacidade de atingir perfis demográficos específicos com gostos e interesses dos usuários e com um entendimento do comportamento emocional das pessoas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
20 de agosto de 2026 18H00
Há um problema crescente nas organizações que não aparece nos dashboards nem nos relatórios: a desconexão humana. Ela se manifesta em relações fragilizadas, conversas evitadas e culturas que existem no discurso, mas encontram dificuldade para ganhar vida no cotidiano.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução