ESG
5 min de leitura

Sem o apoio da educação inclusiva, não avançaremos na inserção das Pessoas com Deficiência no mercado de trabalho

Inclusão plena começa na educação. Para garantir um mercado de trabalho mais acessível para pessoas com deficiência, é essencial investir na escolarização inclusiva desde a infância. A REIS defende uma ação coordenada entre governos, escolas, empresas e sociedade civil para dobrar a contratação formal de PcDs até 2030.
É CEO da REIS - Rede Empresarial de Inclusão Social, Sócio da Egalite, Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro e docente dos MBAs de Recursos Humanos da FGV além de professor convidado da FDC, Escola Aberje de Comunicação e IEP-Hospital Sírio Libanês. Djalma é psicologo, pai da Aurora e especialista em diversidade, equidade e inclusão, passou por multinacionais no varejo (Walmart), serviços (Sodexo) e EY) e indústria (Vivo), liderando cases de sucesso em diversidade. O executivo construiu um dos maiores case de inclusão de pessoas com deficiência do país e é reconhecido como #1 em empregabilidade de pessoas com deficiência no capítulo brasileiro da Global Business Disability Network (OIT/ONU).

Compartilhar:

A Lei de Cotas (n° 8.213/91) para a inclusão das Pessoas com Deficiência (PcD) no mercado de trabalho completou, em julho deste ano, 33 anos de existência com um balanço que poderia ser muito melhor. Em 2010, o censo do IBGE indicou que o nosso país possui pelo menos 45 milhões de brasileiros que se reconhecem com algum tipo de deficiência, o que equivale a 24% da população. Na outra ponta, o Ministério do Trabalho e Emprego contabilizou que apenas  545,9 mil desses talentos estão empregados em 2024.

Já se passaram mais de três décadas desde a promulgação da lei e chegou o momento de recalcularmos a rota enquanto nação para garantirmos o direito ao trabalho para tantos homens e mulheres com deficiência espalhados pelos quatro cantos do país. 

Enquanto REIS, estamos em constante movimentação para que, em um futuro breve, tenhamos um número expressivo de talentos com deficiência ocupando todos os cargos e também as posições da alta gestão e liderança. E continuaremos dialogando incansavelmente com o setor empresarial com o intuito de sensibilizar o mercado corporativo para que a reserva legal de vagas para esse público continue sendo cumprida. 

Mas, se queremos que esse público esteja verdadeiramente preparado para adentrar o mercado de trabalho e construir uma carreira de sucesso, é necessário compartilharmos coletivamente esta responsabilidade com todos os setores da sociedade, sobretudo com a Educação. 

A educação é um direito humano fundamental e inegociável. Em nosso país, ela é assegurada pela Constituição Federal de 1988 e por demais legislações, como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), além da própria LBI (Lei Brasileira de Inclusão).

Recentemente, um estudo realizado pelo Equidade.info, iniciativa da Escola de Educação da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos, constatou que a educação básica brasileira é composta por 12,8% de estudantes com deficiência e transtornos de aprendizagem. Isso significa dizer que são mais de 6 milhões de alunos com deficiência distribuídos entre a educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

Desse total de alunos, quantos sairão da escola com uma formação de qualidade? Quantos ingressarão no ensino superior? Todos conseguirão adentrar o mercado de trabalho? E quantos conseguirão permanecer e ascender profissionalmente?

No Brasil, foi somente na década de 1950, que as classes especiais começaram a surgir e as pessoas com deficiência começaram a ter o direito à escolarização. Vinte anos mais tarde, na década de 1970, as classes comuns começaram a receber os alunos atípicos. Mas ainda hoje, recebemos casos de crianças que têm suas matrículas dificultadas ou até mesmo negadas. 

Meus pais, mesmo com privilégios, tiveram muita dificuldade na minha escolarização. E, como podemos perceber, essas centenas de anos de atraso fazem as pessoas com deficiência largarem em desvantagem na corrida por uma vaga de emprego.  

Entretanto, como um homem com deficiência e psicólogo especialista em inclusão, posso dizer que nem sempre receber uma educação de qualidade será suficiente para os estudantes com deficiência. É essencial que eles também estejam capacitados para se integrar plenamente na sociedade. Essa preparação vai além da formação profissional, é necessário que desenvolvam habilidades sociais e estejam aptos a lidar com os desafios que surgem no dia a dia de empresas e corporações.

Por esses motivos, os Municípios, os Estados e a União precisam tratar a educação inclusiva como uma agenda prioritária e oferecer o suporte necessário para que as escolas consigam promover uma transição eficaz dos jovens com deficiência para a vida adulta. 

Basta analisarmos a configuração do atual mercado contemporâneo que nunca esteve tão competitivo como hoje. Para além das habilidades técnicas, cada um de nós carrega consigo uma bagagem cultural e social marcada por aprendizados, obstáculos e conquistas. 

Depois da família, a escola é o primeiro espaço de socialização das crianças. A entrada delas no ambiente escolar marca a ruptura de um ciclo e o início de uma nova etapa tanto para nós, pais, mães e cuidadores, quanto para os pequenos. 

Hoje como pai, mas também como a única criança com deficiência em quase todas as escolas em que estudei, posso dizer que é nesse espaço que aprendemos a lidar pela primeira vez com indivíduos de outros contextos sociais e culturais. É também nele, que a criança sem deficiência se tornará permeável para as diferenças a fim de que, no futuro, ao ingressar no mercado de trabalho, já tenha a inclusão social como valor. 

E quando falamos de pessoas com deficiência, essas experiências iniciais da fase escolar têm um grau de importância ainda maior, uma vez que, essa população passou grande parte da história da humanidade isolada do convívio social – ora segregada, ora escondida. 

Por isso, nós, da REIS, temos um posicionamento firme e a favor das Escolas Regulares e Inclusivas para crianças com deficiência. 

Estamos às vésperas das eleições que decidirão quem serão os futuros prefeitos e prefeitas, para além dos vereadores, nos próximos quatro anos. É do poder público municipal a responsabilidade de garantir a educação infantil e o ensino fundamental e precisamos estar atentos a como nossas escolhas impactarão a inclusão social das pessoas com deficiência desde a educação básica até o mercado de trabalho. 

Não podemos continuar atuando de maneira desintegrada. É necessária uma frente ampla entre a sociedade civil organizada, os governos, as escolas e o setor empresarial para dobrarmos o número de pessoas com deficiência formalmente contratadas até 2030. 

Esse é o objetivo da REIS, mas apenas com o esforço conjunto de todos e todas conseguiremos acelerar o alcance desse resultado.

Compartilhar:

É CEO da REIS - Rede Empresarial de Inclusão Social, Sócio da Egalite, Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro e docente dos MBAs de Recursos Humanos da FGV além de professor convidado da FDC, Escola Aberje de Comunicação e IEP-Hospital Sírio Libanês. Djalma é psicologo, pai da Aurora e especialista em diversidade, equidade e inclusão, passou por multinacionais no varejo (Walmart), serviços (Sodexo) e EY) e indústria (Vivo), liderando cases de sucesso em diversidade. O executivo construiu um dos maiores case de inclusão de pessoas com deficiência do país e é reconhecido como #1 em empregabilidade de pessoas com deficiência no capítulo brasileiro da Global Business Disability Network (OIT/ONU).

Artigos relacionados

O cargo que vai sumir não é o que você está pensando

A maior vulnerabilidade da era da IA pode não estar nos profissionais juniores, mas nos cargos criados para coordenar fluxos e transmitir informações. O que acontece quando a tecnologia passa a fazer isso melhor, mais rápido e mais barato?

O futuro da liderança passa pelas mulheres

As mulheres brasileiras nunca estudaram tanto nem estiveram tão qualificadas para ocupar posições de decisão. Este artigo discute por que a desigualdade de representação persiste e como educação, networking e visibilidade continuam sendo fundamentais para transformar preparo em oportunidade.

Cultura organizacional, Inovação & estratégia, Liderança
9 de julho de 2026 15H00
O maior risco da sucessão não é a troca de comando. É deixar para depois. Este artigo mostra por que a continuidade dos negócios depende menos dos herdeiros e mais da preparação, da governança e da capacidade de construir o próximo ciclo de crescimento.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio da FC Partners

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
9 de julho de 2026 08H00
A inteligência artificial já consegue executar boa parte do trabalho operacional. O que ela ainda não faz é dar sentido, construir confiança e imaginar futuros. Este artigo mostra por que o verdadeiro gargalo das empresas deixou de ser tecnológico e passou a ser a forma como lideram, colaboram e tomam decisões.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de julho de 2026 15H00
A inteligência artificial deixou de ser um projeto da área de tecnologia e passou a fazer parte da rotina de todas as áreas da empresa. O problema é que, em muitos casos, sua adoção avança mais rápido do que os mecanismos de segurança, compliance e governança capazes de sustentá-la.

Rodrigo Hülsenbeck - CEO da Premiersoft

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de julho de 2026 08H00
A maior vulnerabilidade da era da IA pode não estar nos profissionais juniores, mas nos cargos criados para coordenar fluxos e transmitir informações. O que acontece quando a tecnologia passa a fazer isso melhor, mais rápido e mais barato?

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

4 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
7 de julho de 2026 14H00
Entre Polônia e Brasil, teatro e negócios, cultura e estratégia, a autora propõe uma reflexão instigante sobre pertencimento, inteligência cultural e a capacidade, cada vez mais rara, de pensar com independência em um mundo saturado de narrativas.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

15 minutos min de leitura
Liderança
7 de julho de 2026 08H00
As mulheres brasileiras nunca estudaram tanto nem estiveram tão qualificadas para ocupar posições de decisão. Este artigo discute por que a desigualdade de representação persiste e como educação, networking e visibilidade continuam sendo fundamentais para transformar preparo em oportunidade.

Luiza Helena Trajano - Presidente do Conselho do Magazine Luiza e Presidente do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
6 de julho de 2026 16H00
Enquanto o networking superficial busca visibilidade, as conexões que realmente transformam carreiras nascem da credibilidade construída em projetos, desafios e relações pautadas pela confiança.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
6 de julho de 2026 09H00
Com a aceleração da inteligência artificial e a explosão de conteúdo, a liderança passa a exigir menos consumo de informação e mais capacidade de interpretar tendências, conectar contextos e tomar decisões em meio à complexidade.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
ESG
5 de julho de 2026 14H00
O maior risco do ESG não está no “E” nem no “S”, mas na fragilidade da governança que deveria sustentar ambos. Este artigo mostra como a NBR ISO 37301 ajuda organizações a transformar ética, compliance e gestão de riscos em evidências concretas de maturidade ESG.

Fernando Palamone - CEO da RT-One

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
5 de julho de 2026 09H00
Enquanto as marcas continuam disputando atenção nos feeds, as conversas que realmente influenciam percepções e decisões migraram para espaços mais fechados e menos visíveis. Este artigo mostra por que o futuro da relevância pode estar justamente onde os algoritmos não alcançam.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo