Dossiê HSM

Serão abertos mais caminhos para a educação executiva

Escolas projetam novas formas e conteúdos de (re)skilling
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

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A educação executiva deve ser chacoalhada à medida que os conceitos de lifelong learning e reskilling se fortalecerem. (Porque, com certeza, eles vão se fortalecer.)

Antes de tudo, as escolas de negócios tradicionais passarão a oferecer, no pós-pandemia, três modalidades de cursos de gestão como praxe: 100% presencial, 100% online e híbridos (parte presencial, parte virtual). David Kallás, do Insper, cita ainda o modelo multimodal, em que o estudante decide entre o presencial ou a distância, conforme as circunstâncias e a disponibilidade.

Uma segunda tendência generalizada será o fim da formalidade, como opina Fábio Borges, da ESPM-SP. “Os cursos de gestão atuais ainda são muito formais, considerando a apresentação, a abordagem, os professores e os alunos. As pessoas vão travestidas para as aulas.” Para Borges, isso se deve ao fato de as escolas ainda tentarem reproduzir o sisudo ambiente de trabalho (que já mudou nas empresas). A chegada de escolas diferentes como a da Singularity University acelera a informalização.

A tônica das mudanças é detalhada a seguir.

__Conteúdos.__ Temas que exercitem outra forma de pensar vão ganhar espaço na grade curricular, antevê Borges. “E cursos para entender pessoas vão vender muito. Como sociologia, filosofia, artes plásticas e literatura.” Também terão mais relevância programas sobre IA, blockchain, internet das coisas (IoT) e outras tecnologias que gerem valor ao negócio, diz Moacir Oliveira Jr., da FEA.
Na avaliação de Aldemir Drummond, da FDC, ficarão em alta também cursos com foco em ciência, da ambiental à de dados. “A ciência é um campo em que o Brasil ainda é relativamente imaturo e precisa melhorar.”

Antecipando conteúdos futuros, a FGV de São Paulo já criou cursos para C-level com outras aberturas de conhecimento, como diz Paulo Lemos. E o Coppead-UFRJ foi na mesma linha, oferecendo ao C-level uma plataforma que realiza ciclos de conversas, online e ao vivo, com temas específicos.

__Formatos.__ Os cursos de gestão caminharão para o individualismo, observa Drummond. “Jornadas de aprendizagem personalizadas serão usadas, em momentos de virada, para acelerar carreiras. Isso ocorrerá com trilhas desenhadas sob medida.” Espaços de reflexão serão oferecidos aos alunos, como começa a ocorrer na plataforma do Coppead.

Em médio prazo, prevê-se que a mudança seja ainda maior: “Precisaremos de novas metodologias para lidar com os nativos digitais, que chegam ao mercado com lógica bem distinta”, conclui Drummond.

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