Cultura organizacional

Sete medidas para economizar na gestão de viagens corporativas

É possível reduzir os custos e despesas das viagens corporativas, mas precisa de estratégia, planejamento de longo prazo, análise de dados, e muita pesquisa. A otimização dos recursos da empresa vai além de procurar por passagem aérea mais barata
Guilherme Rizzi é diretor travel da Paytrack, empresa de tecnologia especializada na gestão de viagens e despesas corporativas.

Compartilhar:

Reduzir os custos das viagens corporativas foi a principal prioridade apontada por 66% das empresas participantes do GBTA Business Travel Index Outlook, divulgado pela Global Business Travel Association em julho de 2023 – seguida pelo aprimoramento da experiência do viajante, que veio em segundo lugar, com 42%. Não à toa, a mesma pesquisa indicou que, na hora de avaliar e planejar a organização de viagens, as principais métricas levadas em consideração por 62% dos gestores da área são justamente aquelas que dizem respeito à diminuição de custos.
Mas como reduzir despesas após dois anos de aumentos nos valores de passagens aéreas e tarifas de hotéis, por exemplo? E, principalmente, como priorizar a diminuição de custos sem comprometer a boa experiência dos viajantes corporativos?

A resposta passa por estratégia, planejamento de longo prazo, análise de dados, e muita pesquisa: os gestores da área devem ter em mente que a otimização dos recursos da empresa no que diz respeito à gestão das viagens corporativas não se dá apenas no momento de procurar por uma passagem aérea mais barata, por exemplo; e nem envolve necessariamente um impacto negativo na experiência do colaborador e viajante. Confira abaixo sete medidas para economizar na gestão de viagens corporativas:

## 1 – Tenha políticas de viagem bem definidas
Sem políticas de viagem claramente especificadas, o colaborador não tem como saber se o roteiro que ele pretende seguir se encaixa no orçamento da empresa. Toda companhia deve definir – e deixar claro para todos os funcionários – pelo menos os seguintes itens no que diz respeito a viagens corporativas: limite de gastos com passagens aéreas, hospedagens, aluguel de carros, e assim por diante; como funciona o processo de aprovação das solicitações (e qual é o prazo para que as aprovações sejam feitas); e quais despesas serão cobertas pela empresa enquanto o colaborador estiver em viagem.

Também é crucial explicar como funcionam as rotinas de reembolso e de prestação de contas, por exemplo; e como a companhia vai pagar pelas despesas: os trabalhadores recebem via cartão corporativo? Se sim, o que devem fazer para ter acesso ao cartão?

As políticas de viagem da organização devem ser de fácil acesso, claras, concisas, e estar disponíveis para todos os funcionários. E, claro, como qualquer outra política empresarial, elas devem evoluir, ser adaptadas e atualizadas conforme as necessidades do negócio.

## 2 – Negocie com múltiplos fornecedores
Negociar com diversos fornecedores é a melhor maneira de comparar preços e escolher os melhores valores – sem ficar refém das cotações de uma agência, por exemplo; ou, ainda pior, tentar economizar procurando voos ou hospedagem em sites e aplicativos destinados a viagens turísticas. É preciso aumentar o leque de opções de voos, hotéis, locadoras de veículos, e contar com maneiras fáceis e práticas de comparar e negociar preços; de preferência por meio de uma plataforma especializada.

## 3 – Aproveite as vantagens da flexibilidade
Em qualquer viagem, imprevistos são comuns – e não é diferente nas viagens corporativas: um encontro com um cliente pode ser cancelado ou reagendado, um funcionário pode ficar doente. Reagendar uma passagem aérea em cima da hora pode ser caríssimo, e há hotéis e outras opções de hospedagem que cobram taxas quando o cancelamento é feito muito próximo do dia ou horário previsto para o check-in. Por isso, vale a pena investir em opções que permitam reagendamentos ou cancelamentos sem custos, ou por um preço menor que o regular. Mesmo que essas alternativas possam ter valores um pouco mais altos – e não parecer atrativas em um primeiro momento -, a economia garantida caso algum imprevisto aconteça compensa; especialmente no longo prazo.

## 4 – Planeje (e compre) com antecedência
Não é nenhum segredo que passagens aéreas e tarifas de hotéis tendem a ter preços mais acessíveis quando reservadas com antecedência. É interessante transformar essa medida em uma das políticas de viagem da empresa – definindo, por exemplo, um prazo mínimo para solicitação de aprovação de reservas -, e enfatizar junto aos funcionários a importância de planejar com antecedência. Algumas companhias oferecem até mesmo incentivos e recompensas aos trabalhadores ou times que se destacam no cumprimento dessa política.

## 5 – Faça a gestão de mobilidade durante as viagens
Aluguel de carros e despesas com aplicativos de mobilidade podem pesar no orçamento de uma viagem corporativa. Comece procurando hospedagens que fiquem próximas do destino final do funcionário: por exemplo, se o colaborador vai participar de um evento de vários dias, pode não valer a pena economizar na reserva de um quarto de hotel localizado mais longe, se todos os dias o viajante vai precisar gastar muito dinheiro com transporte para chegar até seu compromisso. Além disso, se diversas pessoas da empresa estão em viagem no mesmo local, encoraje-as a se organizar para ir e voltar juntas de seus compromissos diários, compartilhando carros de transporte por aplicativo.

Adotar essas medidas nem sempre é possível, mas, sempre que for, é vital encorajar os funcionários a utilizar meios de transporte que ajudem a organização a permanecer dentro do orçamento.

## 6 – Defina e monitore indicadores relevantes
Quais dos funcionários mais consomem o orçamento da empresa para viagens corporativas, e por quê? Quais deles estão devendo prestações de contas? Quais departamentos são os mais econômicos? Quais melhorias podem ser feitas, em termos de valores, em cada etapa das viagens – incluindo passagens aéreas, hospedagem e transporte no local? Quais despesas mais impactam o fluxo de caixa? Para tomar decisões mais estratégicas e acertadas, os gestores de viagens precisam contar com dados precisos e atualizados, que forneçam insights relevantes sobre a operação e o comportamento dos trabalhadores. Esses números podem ser obtidos pela definição e monitoramento de indicadores que sejam mais estratégicos para cada negócio.

O monitoramento de diferentes métricas também ajuda a identificar comportamentos e preferências, ampliando a possibilidade de tornar as viagens corporativas mais personalizáveis – e, assim, melhorar a experiência de cada colaborador viajante.

## 7 – Adote um sistema de gestão especializado
Um sistema especializado em gestão de viagens corporativas garante que todos os processos fiquem dentro das políticas de viagens da empresa, permitindo inclusive aprovações automáticas quando as solicitações dos funcionários corresponderem às exigências da companhia. Mais do que isso, uma ferramenta especializada evita fraudes nos processos, garante maior controle sobre adiantamentos e reembolsos – além, claro, de possibilitar o acompanhamento de métricas estratégicas, conforme mencionado anteriormente.

Por meio de uma plataforma acessível a todos os colaboradores, cada funcionário também ganha autonomia para solicitar e agendar suas próprias viagens, o que otimiza o tempo dos gestores da área e permite uma maior personalização na organização dos itinerários. Contar com um sistema de gestão específico para viagens corporativas permite fazer escolhas mais inteligentes e econômicas, facilitando e otimizando todo o processo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A inteligência artificial está acelerando a educação. Mas para onde?

Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

O que desorganiza o dia, desorganiza a mente

A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Quando um legado familiar redefine um pedaço da cidade

Construído sobre a área que durante décadas abrigou a fábrica e a recreativa da Tigre, o Cidade das Águas nasceu de uma pergunta pouco comum ao mercado imobiliário: antes de erguer torres, que tipo de bairro vale a pena construir?

Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de julho de 2026 13H00
Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de julho de 2026 08H00
A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
16 de julho de 2026 14H00
Copa do Mundo, Olimpíadas, Super Bowl ou Black Friday: toda vez que a atenção coletiva se concentra em um grande evento, o mercado de mídia muda de comportamento. Entender esse movimento pode ser a diferença entre capturar demanda reprimida ou pagar, mais uma vez, o preço do improviso.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de julho de 2026 08H00
Robôs humanoides deixaram de ser protótipo e entraram em produção comercial em série. Enquanto conselhos ainda debatem a IA generativa, a automação física avança sem esperar. O atraso não aparece no balanço, mas se acumula como dívida de reação.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Empreendedorismo
15 de julho de 2026 15H00
Construído sobre a área que durante décadas abrigou a fábrica e a recreativa da Tigre, o Cidade das Águas nasceu de uma pergunta pouco comum ao mercado imobiliário: antes de erguer torres, que tipo de bairro vale a pena construir?

Sandra Regina da Silva - Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios

12 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing & growth, User Experience, UX
15 de julho de 2026 08H00
Enquanto a IA assume processos, diagnósticos e tarefas repetitivas, cresce a importância de competências exclusivamente humanas. O desafio das lideranças não é automatizar mais, mas decidir onde a presença humana gera valor que nenhuma tecnologia consegue reproduzir plenamente.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
14 de julho de 2026 18H00
Da criação do Takkyubin à reinvenção da logística japonesa, a história de Masao Ogura, responsável por transformar a Yamato Transport em um dos maiores cases de inovação logística do Japão. Este artigo revela como os princípios das artes marciais podem oferecer novas perspectivas sobre cultura organizacional, inovação, tomada de decisão e liderança em tempos de transformação.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

16 minutos min de leitura
Lifelong learning, Estratégia, Marketing & growth
14 de julho de 2026 14H00
Este artigo mostra como os eventos corporativos se tornaram ambientes estratégicos de inteligência coletiva, capazes de ampliar repertório, antecipar tendências e reduzir incertezas para líderes e organizações.

Sidnei Metzner - Gestor nacional de vendas da WK

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
14 de julho de 2026 08H00
Enquanto a longevidade transforma a composição da sociedade e do mercado de trabalho, muitas organizações continuam operando com modelos de gestão construídos para uma realidade demográfica que já não existe. Este artigo discute o conceito que desafia o jovem-centrismo corporativo e convida líderes a repensarem o valor da experiência, da diversidade geracional e da longevidade nas empresas.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de julho de 2026 14H00
Dados mostram o avanço da solidão no ambiente de trabalho, especialmente entre profissionais remotos. O texto propõe uma reflexão sobre como relações de confiança, segurança psicológica e capacidade de convivência se tornaram ativos estratégicos para a saúde organizacional.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo