Marketing e vendas

Siga o líder do conteúdo de marca

Aprenda com organizações como Glossier, Kenzo, Clique Media Group, Hypebeast e RewardStyle a usar autoridade editorial no branded content para vender mais

Compartilhar:

Como capturar a atenção dos consumidores de uma vez, quando o cenário do varejo fica cada vez mais concentrado e as distrações online são tantas? A resposta só pode ser uma: “Com conteúdo arrasador”. 

As cinco empresas descritas nesta reportagem demonstram o poder de desenvolver uma marca com autoridade editorial, não importando se na forma de vídeos virais, blogs de estilo de vida, grams de influenciadores ou snaps que desaparecem. Elas também andam promovendo conversas com consumidores – sneakerheads, fashionistas e obcecados por beleza – que lhes informam tudo, do design de produto à distribuição e ao marketing. Em suas mãos, o conteúdo tornou-se um motor de vendas robusto. 

**A GLOSSIER COLABORA COM OS CLIENTES PARA CRIAR COSMÉTICOS CULT**

A indústria da beleza costumava seguir em uma só direção: os executivos, em torres de vidro, decidiam que produtos poriam nas prateleiras e as mulheres os compravam (ou não). A fundadora e CEO da Glossier, Emily Weiss, converteu esse ditado em uma conversa ao pedir aos leitores de suas newsletters e seu site, Into the Gloss, que avaliassem cada aspecto de sua empresa de cuidados com a pele e maquiagem, que atua há cerca de três anos no mercado e cresce 600% anualmente. 

Em 2016, a Glossier lançou uma série de produtos bem-sucedidos, como o Milk Jelly, para limpeza do rosto. Seu desenvolvimento tinha começado meses antes, quando Weiss perguntou a seus seguidores o que queriam em sua loção de limpeza dos sonhos, “para nos certificarmos de estar colocando algo no mundo que realmente importe às pessoas”. Os comentários jorraram, sinalizando uma audiência ansiosa por tal solução. “É nosso produto de maior giro no estoque”, revela a empreendedora. 

A marca consegue que seus seguidores preguem (ou postem) seu evangelho de várias maneiras. As embalagens minimalistas e modernas são criadas para aparecerem bem nas fotos. Os produtos Glossier chegam em uma sacola rosa dobrada como um pano de fundo do Instagram. “Pensamos em tudo da perspectiva do conteúdo: como isso sairia em uma foto criada pelo usuário?”, explica a CEO. 

A Glossier ainda impulsiona sua credibilidade ao promover outras marcas tanto pelo Instagram como pelo site. “Enquanto a maioria das empresas de beleza tentou ignorar o fato de que as mulheres estão em um relacionamento aberto com as marcas de cosméticos, nós acolhemos essa ideia”, esclarece Weiss.

**A KENZO DESCOSTURA O MERCADO DE MODA**

Parece que foram os raios laser. Sim, quando a atriz Margaret Qualley lançou laser de seus dedos durante uma apresentação épica de dança no vídeo Kenzo World, dirigido por Spike Jonze, é provável que todo profissional de marketing do planeta tenha ficado abobalhado. 

Realizado para celebrar o lançamento da fragrância Kenzo World, o filme, surreal e surpreendente, tornou-se viral em setembro de 2016 e recebeu um importante prêmio do setor em novembro. Ele levou o lançamento do produto a um sucesso sem precedentes – e sem qualquer anúncio ou ação de marketing pagos. (A empresa-mãe da marca, LVMH, informou que a campanha ajudou a divisão de perfumes e cosméticos a conquistar 8% de crescimento nos primeiros nove meses de 2016.) 

Os diretores criativos da Kenzo, Carol Lim e Humberto Leon, que também lideram a loja-conceito Opening Ceremony, vêm consistentemente levando a marca para além do mundo da moda para alcançar o reino mais amplo da cultura pop, colaborando e assumindo riscos de maneira criativa. “Nos anima a ideia de atingir a cultura de qualquer maneira que pudermos”, afirma Leon. 

Outros dois projetos visionários tiveram lugar em um intervalo de seis semanas, incluindo um vídeo satirizando o mundo hiperbólico das mídias sociais, dirigido por Carrie Brownstein, que serviu como catálogo de outono-inverno da Kenzo, e outro que mostra o cantor de rap Chance e anuncia a parceria da empresa com a H&M. Como isso é feito? “Não temos mercado cuidadosamente mapeado”, assinala Lim. “Nós apenas nos mexemos.” 

**O CLIQUE MEDIA GROUP APOSTA EM CONSELHOS DE MODA COMO UM TESOURO DO VAREJO**

Conhecida por seu estilo e por seus sites de e-commerce diferenciados, como Who What Wear (de moda), MyDomaine (decoração) e Byrdie (beleza), a Clique Media pulou do mundo digital para o físico em janeiro do ano passado com uma linha de roupas para a Target. A coleção Who What Wear traz tendências de passarela a preços de atacadão (calças de veludo a US$ 34,99, por exemplo) e acompanha o ritmo frenético da moda comprometendo-se com 12 atualizações anuais. 

É uma evolução natural para a empresa de 11 anos, que cresceu a partir do blog Who What Wear, iniciado pelos veteranos da revista Elle Katherine Power e Hillary Kerr. “Sentimos que as revistas de moda falavam com as mulheres de cima para baixo. 

Queríamos criar uma voz que soasse como a de sua amiga mais elegante”, conta Power, que é o CEO da empresa. 

Hoje, sua equipe usa a informação reunida das mídias sociais e de mercados verticais para descobrir o que vender. “Temos grandes insights sobre o que está mudando: quais marcas, que silhuetas, qual material”, diz Power. “Também vamos engajando o cliente pelo caminho. Nós estudaremos os relógios de tecido e iremos ao Snapchat perguntar: ‘Qual você prefere?’”, explica. 

O crowdsourcing funciona. A coleção Target da Who What Wear recentemente foi ampliada para incluir calçados, e a Clique Media conta com mais colaboração do varejo em seus trabalhos. Em julho último, organizou um encontro para leitores da _Obsessee_, sua nova publicação voltada para a geração Z. Instalou uma loja pop-up em um shopping center de Los Angeles, nos EUA, que vendia camisetas e artigos escolares com a marca Obsessee. Os adolescentes vinham em hordas. Ao longo de três dias, a loja processou mais de 1,7 mil transações. O faturamento não era o único objetivo. “Tudo foi vendido por moeda social”, diz Power. “Para adquirir algo, era preciso fazer um snap ou post de Instagram, e, é claro, com a tag Obsessee.” Esse é o primeiro passo para desenvolver uma marca de conteúdo que venda. 

**O HYPEBEAST UNE LOUCOS POR TÊNIS, COM UM FILTRO DE SEGMENTAÇÃO INOVADOR E LUCRATIVO**

“No universo hype e no mundo do cool, você precisa ter a plataforma mais legal vendendo os produtos mais legais.” Quem diz isso é Kevin Ma, fundador do site de street fashion Hypebeast, de Hong Kong. 

Superando marcas como Raf Simons, Vetements e Hood by Air, o site de Ma cresceu de um simples espaço de avaliações para sneakerheads (fãs da cultura urbana representada pelos tênis), criado em sua cama em Vancouver, no Canadá, para tornar-se um árbitro multifacetado de toda moda e cultura urbanas, que inclui o Hypebeast, o Hypebae, voltado para o público feminino e existente há um ano, e o HBX, mercado online que vende tudo, de tênis Yeezy Boosts a câmeras Leica. 

Eis a prova de que Ma sabe como estar no lado correto do ciclo hype: boa parte do crescimento de 46% em vendas do Hypebeast nos primeiros seis meses do ano passado foi alimentada por sua divisão de serviços criativos, que ajuda marcas como Gucci e Adidas a produzir anúncios tanto para os sites de Ma como para outros. 

Ele também está manipulando os tentáculos de sua operação para atingir efeito máximo. Anima seus seguidores nos semanais “Top Drops” no HBX, com vendas de tênis e camisetas de edição limitada, e alavanca os dados gerados pelo Hypebeast e sites associados para saber o que estocar em seu braço de e-commerce. 

“Uma vez que publicamos um artigo sobre coisas que pensamos ser quentes, podemos ver os dados, a reação e o engajamento da comunidade. É um mix de tecnologia e big data que influencia nossas decisões de compras”, revela Ma. O Hypebae, por exemplo, nasceu em fevereiro de 2016 do insight obtido do dado de que as mulheres respondem por 15% do tráfico do Hypebeast, que é predominantemente masculino. Agora, a empresa está investindo em sua equipe editorial ao mesmo tempo que se prepara para uma expansão global. Os EUA já representam mais de metade de suas vendas. A China continental e seus bilhões de pés serão os próximos, espera Ma. 

**REWARDSTYLE OFERECE UM ACESSÓRIO “OBRIGATÓRIO” PARA OS INFLUENCIADORES**

O blog RewardStyle está concretizando o velho sonho do mundo da mídia social de converter influência em oportunidade de venda. Sua fundadora, Amber Venz Box, canalizou sua frustração como blogueira de moda que queria fazer mais dinheiro em uma ferramenta completa de publicação e monitoramento. Hoje, o blog permite que ela e seus seguidores, além de personalidades do Instagram, recebam comissões sobre o que promovem. “Nossa missão é torná-los o mais bem-sucedidos [economicamente] possível”, diz Venz Box. Os usuários que gostem de um gram de um influenciador RewardStyle recebem um e-mail sobre onde comprar o look apresentado, algo inteligente que evita forçar as pessoas a comprar enquanto estão navegando nas redes sociais. Venz Box negocia comissões para influenciadores e fornece ferramentas para ajudá-los a acompanhar o impacto de seus posts.  

Em 2016, o RewardStyle viu crescer sua rede de influenciadores para 11 mil pessoas, sendo que mais de 100 mil se candidataram. Gerou mais de US$ 700 milhões em vendas para seus parceiros do varejo, que incluem mais de 4 mil lojas e marcas, entre elas a Kate Spade e a Sephora. 

Sua equipe pop agora cria conteúdo original para 30 mil produtos diariamente, muitos deles postados no Instagram. (A plataforma LiketoKnow.it gera quase 30% das vendas da companhia, por exemplo.) Os dados da empresa e suas relações contribuíram para os melhores casamentos entre varejistas e influenciadores. 

“Se as marcas querem alguém que alavanque altos volumes de vendas em acessórios de US$ 50 a US$ 100 que more no Centro-Oeste, podemos conectá-las com essa pessoa”, explica a fundadora. Conforme o potencial de vitrine do Pinterest e do Snapchat cresce, o RewardStyle vai levar suas ferramentas para essas plataformas também.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Como promptar a realidade

Este é o primeiro artigo de uma série em quatro partes que propõe uma microtese sobre futuros que disputam processamento – e investiga o papel insuspeito de memes, programação preditiva, hyperstition, cura de traumas, strategic foresight e soberania imaginal no ciclo de inovação que já começou.

Na era da AI, o melhor talento pode ser o maior risco

Este artigo propõe analisar como a combinação entre pressão por velocidade, talento autónomo e uso não estruturado de AI pode deslocar a execução para fora dos sistemas formais- introduzindo riscos que não são imediatamente visíveis nos indicadores tradicionais.

Por que os melhores líderes não lutam para vencer

Este é o primeiro artigo da nova coluna “Liderança & Aikidô” e neste texto inaugural, Kei Izawa mostra por que os líderes mais eficazes deixam de operar pela lógica do confronto e passam a construir vantagem estratégica por meio da harmonia, da não resistência, da gestão de conflitos e de decisões sem ego em ambientes de alta complexidade.

De UX para AX: como a era dos agentes autônomos redefine o design, os negócios e o papel humano

Com a ascensão dos agentes de IA, nos deparamos com uma profunda mudança no papel do designer, de executor para curador, estrategista e catalisador de experiências complexas. A discussão de UX evolui para o território do AX (Agent Experience), onde o foco deixa de ser somente a interação humano-máquina em interfaces e passa a considerar como agentes autônomos agem, decidem e colaboram com pessoas em sistemas inteligentes

O álibi perfeito: a IA não demitiu ninguém

Quando “estamos investindo em inteligência artificial” virou a forma mais elegante de não explicar por que o planejamento de headcount falhou. E o que acontece quando os dados mostram que as empresas demitem por uma eficiência que, para 95% delas, ainda não existe.

Cultura organizacional, Foresight, Tecnologia & inteligencia artificial
15 de abril de 2026 08H00
Este é o primeiro artigo de uma série em quatro partes que propõe uma microtese sobre futuros que disputam processamento - e investiga o papel insuspeito de memes, programação preditiva, hyperstition, cura de traumas, strategic foresight e soberania imaginal no ciclo de inovação que já começou.

Chico Araújo - Diretor Executivo do Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), cofundador do The Long Game Futures. e Global Expert da Singularity University

23 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de abril de 2026 18H00
Este artigo propõe analisar como a combinação entre pressão por velocidade, talento autónomo e uso não estruturado de AI pode deslocar a execução para fora dos sistemas formais- introduzindo riscos que não são imediatamente visíveis nos indicadores tradicionais.

Marta Ferreira

4 minutos min de leitura
Liderança
14 de abril de 2026 14H00
Este é o primeiro artigo da nova coluna "Liderança & Aikidô" e neste texto inaugural, Kei Izawa mostra por que os líderes mais eficazes deixam de operar pela lógica do confronto e passam a construir vantagem estratégica por meio da harmonia, da não resistência, da gestão de conflitos e de decisões sem ego em ambientes de alta complexidade.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

7 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
14 de abril de 2026 07H00
Com a ascensão dos agentes de IA, nos deparamos com uma profunda mudança no papel do designer, de executor para curador, estrategista e catalisador de experiências complexas. A discussão de UX evolui para o território do AX (Agent Experience), onde o foco deixa de ser somente a interação humano-máquina em interfaces e passa a considerar como agentes autônomos agem, decidem e colaboram com pessoas em sistemas inteligentes

Victor Ximenes - Senior Design Manager do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de abril de 2026 14H00
A aceleração da destruição criativa deixou de ser um conceito abstrato e passou a atravessar o cotidiano profissional, exigindo menos apego à estabilidade e mais capacidade de adaptação, recombinação e reinvenção contínua.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
13 de abril de 2026 07H00
Quando "estamos investindo em inteligência artificial" virou a forma mais elegante de não explicar por que o planejamento de headcount falhou. E o que acontece quando os dados mostram que as empresas demitem por uma eficiência que, para 95% delas, ainda não existe.

Atila Persici Filho - COO da Bolder

11 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
12 de abril de 2026 14H00
Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

9 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
12 de abril de 2026 09H00
Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional - é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Aretha Duarte - Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de abril de 2026 13H00
A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de abril de 2026 08H00
Quando a empresa cresce, o modelo mental do fundador precisa crescer junto - ou vira obstáculo. Este artigo demonstra que criar uma empresa exige um tipo de liderança. Escalá‑la exige outro.

Gustavo Mota - CEO do Lance

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...