Uncategorized

Sobre a Inovação Transparente

Isso é o que as startups oferecem quando fazem algo velho de maneira nova, sem que o cliente enxergue como é feito
Sócio do fundo Initial Capital VC, que investe recursos próprios em empresas em estágio inicial no Brasil e em Israel e participa de sua gestão. Seu porfólio inclui startups como básico.com, Glambox, Me Salva e Soluto.

Compartilhar:

Startups inovam, por definição. Elas reinventam atividades tradicionais ou criam modalidades de tecnologia e serviços. Esse é o elemento que distingue, no linguajar do mercado, uma startup de outro novo empreendimento. 

No entanto, tal reinvenção nem sempre é óbvia nas atividades em que a tecnologia é meio, e não fim. O básico.com, fundado há três anos, visa reinventar o modelo de negócio e os processos de uma marca de roupas – nossa missão era criar, por exemplo, a camiseta branca perfeita, para citar o produto mais icônico de nossa linha. Isso em um setor que, apesar do glamour, é um dos menos inovadores. 

Para tanto, partimos de duas premissas essenciais: a primeira pergunta em qualquer discussão tem de ser “Esta decisão vai, hoje ou no futuro, entrar em conflito com nossa missão?”, e a segunda, “Onde estão as oportunidades de materializarmos nossa proposta de valor?”. 

Identificamos as oportunidades sob o filtro decisório da missão e mobilizamos elementos que nos permitiriam mudar a percepção, bem brasileira, de que os produtos são muito caros para sua qualidade. Selecionei três exemplos desses elementos: 

**• Distribuição própria.** Não raro, a grande dependência de canais de vendas indiretos faz com que se agreguem mais custos na etapa da distribuição, em detrimento da produção. No básico.com, invertemos essa lógica. O canal online, combinado com uma estratégia eficiente em custos em pontos de venda físicos, viabiliza a cobertura nacional calcada em canais de vendas próprios. Eliminando intermediários, mantemos margens saudáveis e reinvestimos em qualidade do produto, o que cria relações mais saudáveis com os clientes.

**• Marketing.** Em geral, as empresas do setor pensam em criar produtos em torno de uma marca, e invertemos isso também – criamos a marca em torno do produto. Essa é a peça central, com base na qual se criam relacionamentos e estilo de vida. Evitamos, assim, deslocar investimentos do produto para a comunicação.

**• Gestão de estoques.** Estratégias tradicionais são importantes para nosso posicionamento premium, mas oneram as operações, em especial o capital de giro. No básico.com, desenvolvemos o conceito de loja guide shop – um espaço para provar, sentir e avaliar produtos, que não tem estoque. O cliente fecha a compra online e a recebe em casa, a partir de um estoque central. On e off-line são uma coisa só para nós.

Cada uma dessas ações é uma reinvenção das atividades do setor de moda e, além de eliminar ineficiências, torna-se parte da experiência do cliente e da própria identidade da marca. “Pensar novo” é o que faz uma startup, seja a tecnologia seu fim ou seu meio.

Pensar novo não é melhorar o velho, mas fazer algo que parece velho de maneira totalmente nova. É o que chamamos, no básico.com, de inovação transparente, aquela que nem sempre pode ser vista.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quanto custa perder um cliente?

Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Se o colaborador tóxico sai, o problema vai embora com ele?

Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento

Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução