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Sobre comunicação, liderança e pontes

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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Eis que recebo um convite pra lá de especial – você toparia escrever sobre liderança? Resposta imediata (porque eu sou impulsiva, admito) – claro que eu aceito. Cinco minutos depois vem a dúvida: mas qual enfoque? 

Falar sobre liderança é como falar sobre um oceano inteiro, com seus mistérios, seus encantos, seus desafios. Não falta literatura, não falta guru, não falta estudo, mas a gente sente que ainda falta um pouco de “jeito” pra coisa no dia a dia. Às vezes a gente é meio selvagem, desumano. 

Minha abordagem é prática, criada na prática, por meio das várias interações em diversas empresas e com diversos alunos que eu conheci numa longa jornada em sala de aula.

No meu primeiro emprego, onde eu fiquei por 14 anos, tive chefes sensacionais. Gente divertida, inspiradora, que fazia o dia valer a pena. Era uma empresa fantástica. 

Eis que eu fui fazer uma pós-graduação e uma das cadeiras da grade era Gestão de Pessoas. Por horas as pessoas reclamavam de seus chefes, de como o trabalho era desumano, e das mazelas que elas viviam como rotina. Aquele encantamento que eu vivia era praticamente só meu. 

Definitivamente isso me marcou a ponto de refletir mais sobre essa questão. Virou tema de estudo, de mestrado, de livro e de palpites despretensiosos por aí. 

Acabei me dedicando ao estudo do encontro (ou desencontro, em muitos casos) entre a comunicação e o diálogo, pois são temas muito interligados. 

A liderança exige de nós **presença, conversa, escuta, atenção.** Exige, portanto, comunicação constante. Aí surgiu a “Liderança na ponta de língua”, essa coluna que eu apresento pra vocês agora. 

Gosto de abordar a questão da comunicação porque a palavra constrói ou destrói. A escolha é sempre nossa. Nunca um berro levou pessoas mais longe que um elogio. O susto (do berro) até pode acelerar uma ação, mas ela não se sustenta. O resultado acaba bem rápido. Fica o resultado (eventualmente até bom), mas fica também a frustração, o não-lugar, a dúvida se vale a pena continuar ou não. 

Há ainda quem ache que um pouco de pressão faz bem. Sou mais da turma que acha que um pouco de inspiração faz melhor ainda. Ambientes organizacionais não deveriam ser espaço de dor e frustração. Quando isso acontece é uma disfunção – a gente tem que corrigir. 

Nosso legado, como líderes, é desenvolver gente melhor que a gente sendo exemplo, porto-seguro. Não é tornar a vida corporativa fácil, mas sim significativa. É ajudar de fato as pessoas a saírem melhor do que elas entraram. 

Isso exige, claro, um pouco de técnica, mas arrisco dizer que exige também um pouco de arte. Se fosse fácil não teríamos tantos dilemas por aí. 

Falar de comunicação e diálogo é um caminho, entre tantos possíveis, para melhorarmos nossas habilidades de gestão. Não é simples porque não depende só de nós, mas da nossa capacidade de nos relacionarmos com outras histórias, outras competências, outras necessidades. É uma dança que a gente tem que dançar junto com parceiros que nem sempre conhecemos tão bem para encaixar o passo de primeira. 

É sobre isso que vamos bater papo nesse espaço generosamente oferecido pela HSM. O bom é que colocar em prática não exige muita coisa. Como diria meu filósofo francês queridinho – Edgar Morin – um bom diálogo só precisa de três coisas: **abertura, simpatia e generosidade.**

Bora?

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