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Sobre palavras colhidas no fundo de um riacho

Guilherme Soárez, CEO da HSM

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Nassim Taleb, quem diria, tem um pé no Brasil. É primo de Josefina Jordan, a grande dama da segunda Era Vargas, já falecida, e de sua filha Dalal Achcar, uma de nossas mais importantes bailarinas e coreógrafas, entre outros parentes. 

Isso talvez nos explique um pouco mais desse matemático brilhante, que costuma violar o padrão e está se tornando um verdadeiro farol para empresas do mundo inteiro. Suas primas brasileiras também violavam o padrão: Josefina organizava as festas em que aconteciam os verdadeiros jogos de poder republicanos nos anos 1950 e Dalal conseguiu fazer carreira internacional em uma arte em que o Brasil não era mapeado – sua coreografia de _Quebra-nozes_ é uma das mais encenadas no mundo. (Na seção Capitalista consciente, há um texto muito interessante sobre a violação de padrão de Bill Gates, por sinal.) 

O inesperado parentesco mostra ainda que Taleb fala com conhecimento de causa quando se refere ao Brasil de modo surpreendentemente otimista. E seu argumento tem lógica: as mudanças necessárias aqui seriam menos dolorosas que as necessárias em muitas outras regiões. 

Otimista em relação a nosso País? Se o leitor está balançando a cabeça com ceticismo diante dessa frase, confira a entrevista exclusiva que Taleb concedeu a nossa editora, Adriana Salles Gomes, e você entenderá. O _Dossiê_ todo é leitura obrigatória, aliás, porque as expectativas atuais, de investidores e de consumidores, são de que as organizações se tornem ágeis e antifrágeis. Como esses processos de transformação estão longe de ser intuitivos para os gestores, precisam ser aprendidos, e o Dossiê oferece essa oportunidade a quem quiser fazê-lo. E tem mais: em nosso megaevento HSM Expo, em novembro deste ano, Taleb em carne e osso oferecerá a oportunidade de aprofundar e consolidar o que for aprendido. 

Falando ainda de familiares célebres, também descobri nesta edição que André Nassar, CEO do grupo varejista MGB (dos supermercados Mambo e dos atacados Giga), é sobrinho do aclamado escritor Raduan Nassar. A entrevista dele, na seção Contagem regressiva, anima qualquer executivo – seu grupo está crescendo muito nesse período de crise, com seu mix de ciência e arte. 

Muitos conteúdos merecem comentário nesta revista, do uso de tecnologia em recrutamento e seleção à supply chain pós-impressão 3D, passando pelas Teslas brasileiras e pelo clube de chief digital officers. Mas, como o espaço é limitado, vou destacar só o polêmico artigo sobre as habilidades que vêm do fluxo de consciência. Segundo Steven Kotler e Jamie Wheal, o modo de empresas e gestores se diferenciarem nos dias atuais é violar muito os padrões, o que fica mais fácil quando se entra em uma espécie de êxtase. Pode ser com meditação, jejum, participando do festival de música Burning Man no deserto de Nevada etc. Polêmico. E interessante. 

Voltando ao _Dossiê_, quero compartilhar meu otimismo quanto à capacidade das empresas brasileiras de virarem ágeis e antifrágeis. Na década de 1920, o famoso crítico literário Edmund Wilson recomendou aos escritores escolherem palavras que tivessem o frescor de pedras colhidas no fundo de um riacho, por sua capacidade mobilizadora. Antifragilidade e agilidade têm esse frescor e, por isso, vão nos mobilizar.

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