Uncategorized

Sua empresa vai esperar outra pandemia para mudar?

Muitas tecnologias que estão “salvando” as organizações no contexto atual já estavam disponíveis no mundo pré-Covid, mas recebiam pouca ou nenhuma atenção da liderança
Global CHRO da Minerva Foods e Board Member das startups DataSprints e Leo Learning. Sócio Fundador da AL+ People & Performance Solutions, empresa que atuo como Coach Executivo de CEOs formado pela Columbia University, Palestrante e Escritor. Conselheiro de Empresas certificado pelo IBGC, Psicólogo com MBA pela Universidade de São Paulo e Vanderbilt University com formação em RH Estratégico Avançado pela Michigan University. Executivo sênior com passagens em posições de Liderança Global e América Latina de áreas de Pessoas, Cultura, Estratégia e Atendimento ao Cliente em empresas como Neon, Dasa, Itaú Unibanco e MasterCard. Professor de Gestão de Pessoas do Insper e Professor convidado do MBA da FIA/USP. Colunista das revistas HSM Management e da Época Negócios.

Compartilhar:

Foi preciso o mundo passar por uma pandemia para que muitas empresas dessem conta de quantas coisas poderiam ter feito e não as fizeram. As razões podem ser muitas, indo desde a falta de recursos à falta de ânimo causada pela zona de conforto. Mas o fato é que esse vírus, que ainda se espalha pelo mundo causando dor e sofrimento, escancarou como muitas corporações vivem mais do discurso do que da prática.

E pego aqui um exemplo. Recentemente, uma pesquisa realizada pela AL+ People & Performance Solutions mostrou que 90,9% dos contratantes de grandes empresas utilizaram o modelo de recrutamento e seleção totalmente online durante a pandemia, do início ao fim. Foram entrevistados líderes de 77 grandes companhias que operam no Brasil. E não apenas muitos usaram a prática de contratar alguém à distância como também manifestaram uma boa avaliação sobre ela: 58,4% consideraram a experiência muito boa; 24,7% regular; e 16,9% afirmaram que essa modalidade era excelente. Aliás, ela foi tão marcante que 80,5% ainda pretendem utilizar esse formato remoto depois de a pandemia passar.

## Já estamos adaptados. Falta dar os passos

Para algumas empresas, essa prática de recrutamento digital “caiu do céu”. Mas não é bem assim. Vale lembrar que a tecnologia já estava disponível para esse processo antes da Covid-19 ter colocado seu bloco na rua. Tanto é que uma boa parte das empresas, mais precisamente 75,3% dos entrevistados na pesquisa, afirmou já ter

utilizado ou que utilizava o recrutamento remoto em alguma parte de seu processo seletivo. Ou seja, isso indica que a maioria das organizações já estava adaptada às atividades virtuais – e o distanciamento social reforçou que é possível aprimorar e aplicar esse método em diversas esferas do ambiente de trabalho.

Um parêntesis: o que pensar das empresas que consideraram essa tecnologia como uma dádiva, enviada dos céus, para socorrê-las? Só nos resta imaginar em que inferno viviam. E vem mais uma questão

pertinente: por que muitas ações, mudanças ou usos da tecnologia ainda ficavam ou ficam apenas no papel em muitas organizações?

Alguns especialistas estimam que apenas nestes meses do ano, em que fomos impelidos ao home office, avançamos anos e anos no processo de transformação digital. Será que ainda temos de aprender com a dor a mudar tanto nossas vidas quanto as nossas organizações?

Os benefícios da tecnologia aplicada ao processo de recrutamento e seleção já eram bem conhecidos. Além da rapidez e da praticidade, ela permite ainda buscar o talento em qualquer parte do mundo – aliás, o talento mais diverso possível, em função da possibilidade de extração de vieses nas etapas de entrevistas.

Economia de tempo, de dinheiro, possibilidade de maior assertividade na contratação por meio de dados, diversidade. Tudo sempre conspirava positivamente para uma adoção mais intensa e frequente desse modelo. 

Mas o que emperrava? O medo, talvez, de ter seu papel diminuído fez com que muitos líderes ainda teimassem em não olhar para essas ferramentas? O receio de perder o que há de humano nessas primeiras relações tão importantes na jornada de uma pessoa na companhia? Pode até ser, mas devemos lembrar que o mundo mudou. Ou melhor, muda constantemente. A tecnologia vem contribuindo muito para mantermos nossas relações humanas em pé. A questão é como mudar o olhar para isso. É possível não perder a humanidade que existe em nós em meio a bits e bytes. E espero que esse aprendizado seja pelo amor e não pela dor.

## A inércia é um inferno corporativo

Voltando aos processos de recrutamento e seleção online, sabemos que ainda pairam alguns desafios, como a pesquisa bem apontou. Alguns bem humanos. Para 64,9% dos entrevistados, por exemplo, era o fato de as conversas por meio de plataformas digitais não permitirem um olhar sobre a linguagem corporal dos candidatos – o que poderia atrapalhar o processo. Para outros, o problema estava mais ligado à tecnologia utilizada e ao grande volume de candidatos.

Não são obstáculos intransponíveis. Temos como vencê-los graças à nossa capacidade extraordinária de adaptação – que é o que vem nos mantendo vivos, firmes e fortes por milhares de anos, provações e outras pandemias. Basta sairmos da zona de conforto e encaramos o novo como o passo seguinte e não como a muralha que o destino impõe.

Quem sabe se, antes da Covid-19, tivéssemos abraçado mais e sem medo a tecnologia, questões como essas, ou desafios como esses, já não seriam menores?

Ainda há tempo para caminhar para esse novo mundo. Se não nos movermos, somos levados por esse tsunami para onde ele quiser, mas se nos dispusermos a dar os passos teremos mais chances de aportarmos onde desejamos. A inércia indica que estamos numa espécie de inferno corporativo, esperando uma tábua de salvação. 

Como sua empresa vai se mover? Ou ela vai esperar outra pandemia para fazer tudo aquilo que já poderia ter feito e deixou de lado porque não acreditou na velocidade das mudanças?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo