Transformação Digital

Supercampo, uma iniciativa intercooperativista

Agtech nasce como braço digital de 12 cooperativas agroindustriais e amplia atuação com a criação de um marketplace
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

No agronegócio, além da importância de unir pessoas com objetivos e atividades similares e melhorar sua produtividade, o cooperativismo oferece uma infraestrutura que funciona como uma central de armazenamento, beneficiamento e distribuição dos produtos dos cooperados. Se essa união de pessoas é vantajosa, imagine uma união de cooperativas.

Foi assim que nasceu a Supercampo, uma agtech no modelo de intercooperação, que reúne 12 cooperativas agroindustriais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Juntas, Agraria, Alfa, Capal, Castrolanda, Coopertradição, Copacol, Copercampos, Coplacana, Cotrijal, Frísia, Integrada e Lar totalizam cerca de 80 mil cooperados.

O objetivo da Supercampo é otimizar a produtividade e ajudar no processo de transformação digital. “A produção agrícola se desenvolveu com a tecnologia, mas não avança nos assuntos ao redor. Por exemplo, toda cooperativa tem loja física, mas não tem digital. A Supercampo vem para provocá-las nesse sentido”, diz Leandro Carvalho, CEO da agtech.

Após desenvolver as 12 lojas online das cooperativas, a Supercampo decidiu ampliar os negócios. No ano passado, lançou um marketplace. Com isso, ela quer ajudar as cooperativas a fortalecerem a relação com seus membros, por meio da plataforma digital.

O e-commerce tem cerca de 120 mil produtos de 500 lojistas parceiros. Assim, os cooperados passaram a ter um canal para comprar online (além da loja exclusiva de sua cooperativa). Os itens variam de dosador de adubo para cultivo e semeadura a pneus, de drones a ar-condicionado, passando por brinquedos, notebooks, máquinas agrícolas, material escolar e utilidades domésticas.

## Preferência pelos canais digitais
Criar o marketplace tem tudo a ver com os produtores rurais brasileiros e com o momento do mercado. Segundo a pesquisa “A Mente do Agricultor Brasileiro na Era Digital”, divulgada em 2021 pela McKinsey, dos agricultores brasileiros pesquisados, 46% preferem canais digitais para suas compras agrícolas. A preferência entre os brasileiros é acima da dos agricultores norte-americanos (31%) e da dos europeus (22%). Comparando com os dados da pesquisa anterior, de 2020, a preferência desse público por compras online foi intensificada em todos os países, até como consequência da pandemia de covid-19, mas os brasileiros cresceram 10 pontos percentuais de um ano para o outro, enquanto o aumento nos Estados Unidos e Europa foi de 7 pontos.

Para o cooperado, as vantagens da Supercampo são a comodidade e a praticidade da compra online, otimização do tempo com o delivery – mas ele também tem opção de retirar sua compra, se preferir –, redução de custos pelos preços mais atrativos e reforço do ecossistema do qual faz parte já que sua compra beneficia a sua própria cooperativa.

Como intermediária, a Supercampo ganha um percentual das vendas, igual ao modelo de qualquer marketplace. E isso é revertido para as cooperativas “donas” da agtech.

Para os lojistas parceiros, além de ter acesso aos 80 mil cooperados – e muito além disso, já que a plataforma de e-commerce é aberta –, a Supercampo oferece ferramentas intuitivas. Há “o Canal da Loja, que é uma espécie de extranet onde se controla os produtos, descrições, estoque, preço etc. Digamos que é o ‘back’ do que é disponibilizado na plataforma”, explica Carvalho.

O valor do investimento não é divulgado, já que a Supercampo é uma S.A., mas ficou na casa de milhões de reais na plataforma. Custos, recursos e infraestrutura são compartilhados pelas 12 cooperativas. Vale ressaltar que o marketplace se soma ao ecossistema delas, as quais, juntas, têm aproximadamente 300 lojas físicas e 500 centros de distribuição.

## Projetos customizados
Leandro Carvalho conta que a iniciativa intercooperativista tem atraído a atenção de outras cooperativas, várias delas interessadas em fazer parte do negócio; porém ainda nada foi definido nesse sentido.

Já pelo know-how adquirido com a operação, o CEO revela que a Supercampo tem desenvolvido alguns projetos customizados B2B, mas mais pontuais, em segmentos como o de sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas. Além disso, por ter tecnologia e soluções, a agtech tem condições de desenvolver também projetos customizados para produtores não cooperados, mas “esse não é o nosso foco”.

O que virá no futuro ainda é uma incógnita. Fato é que “juntar a tecnologia com o agro abre grandes oportunidades”, conclui Carvalho, cuja principal missão é tornar a Supercampo a maior comunidade do agronegócio até 2025.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Mudar para continuar o mesmo

Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

SOMPO Holdings: da crise provocada por si mesma a uma transformação guiada por propósito

Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Inovação & estratégia, Marketing
14 de agosto de 2026 13H00
Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

Antonio Carlos Matos da Silva - Conselheiro independente associado ao IBGC

5 minutos min de leitura
Liderança
14 de agosto de 2026 08H00
Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

13 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo