Transformação Digital

Supercampo, uma iniciativa intercooperativista

Agtech nasce como braço digital de 12 cooperativas agroindustriais e amplia atuação com a criação de um marketplace
Sandra Regina da Silva é colaboradora de HSM Management.

Compartilhar:

No agronegócio, além da importância de unir pessoas com objetivos e atividades similares e melhorar sua produtividade, o cooperativismo oferece uma infraestrutura que funciona como uma central de armazenamento, beneficiamento e distribuição dos produtos dos cooperados. Se essa união de pessoas é vantajosa, imagine uma união de cooperativas.

Foi assim que nasceu a Supercampo, uma agtech no modelo de intercooperação, que reúne 12 cooperativas agroindustriais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Juntas, Agraria, Alfa, Capal, Castrolanda, Coopertradição, Copacol, Copercampos, Coplacana, Cotrijal, Frísia, Integrada e Lar totalizam cerca de 80 mil cooperados.

O objetivo da Supercampo é otimizar a produtividade e ajudar no processo de transformação digital. “A produção agrícola se desenvolveu com a tecnologia, mas não avança nos assuntos ao redor. Por exemplo, toda cooperativa tem loja física, mas não tem digital. A Supercampo vem para provocá-las nesse sentido”, diz Leandro Carvalho, CEO da agtech.

Após desenvolver as 12 lojas online das cooperativas, a Supercampo decidiu ampliar os negócios. No ano passado, lançou um marketplace. Com isso, ela quer ajudar as cooperativas a fortalecerem a relação com seus membros, por meio da plataforma digital.

O e-commerce tem cerca de 120 mil produtos de 500 lojistas parceiros. Assim, os cooperados passaram a ter um canal para comprar online (além da loja exclusiva de sua cooperativa). Os itens variam de dosador de adubo para cultivo e semeadura a pneus, de drones a ar-condicionado, passando por brinquedos, notebooks, máquinas agrícolas, material escolar e utilidades domésticas.

## Preferência pelos canais digitais
Criar o marketplace tem tudo a ver com os produtores rurais brasileiros e com o momento do mercado. Segundo a pesquisa “A Mente do Agricultor Brasileiro na Era Digital”, divulgada em 2021 pela McKinsey, dos agricultores brasileiros pesquisados, 46% preferem canais digitais para suas compras agrícolas. A preferência entre os brasileiros é acima da dos agricultores norte-americanos (31%) e da dos europeus (22%). Comparando com os dados da pesquisa anterior, de 2020, a preferência desse público por compras online foi intensificada em todos os países, até como consequência da pandemia de covid-19, mas os brasileiros cresceram 10 pontos percentuais de um ano para o outro, enquanto o aumento nos Estados Unidos e Europa foi de 7 pontos.

Para o cooperado, as vantagens da Supercampo são a comodidade e a praticidade da compra online, otimização do tempo com o delivery – mas ele também tem opção de retirar sua compra, se preferir –, redução de custos pelos preços mais atrativos e reforço do ecossistema do qual faz parte já que sua compra beneficia a sua própria cooperativa.

Como intermediária, a Supercampo ganha um percentual das vendas, igual ao modelo de qualquer marketplace. E isso é revertido para as cooperativas “donas” da agtech.

Para os lojistas parceiros, além de ter acesso aos 80 mil cooperados – e muito além disso, já que a plataforma de e-commerce é aberta –, a Supercampo oferece ferramentas intuitivas. Há “o Canal da Loja, que é uma espécie de extranet onde se controla os produtos, descrições, estoque, preço etc. Digamos que é o ‘back’ do que é disponibilizado na plataforma”, explica Carvalho.

O valor do investimento não é divulgado, já que a Supercampo é uma S.A., mas ficou na casa de milhões de reais na plataforma. Custos, recursos e infraestrutura são compartilhados pelas 12 cooperativas. Vale ressaltar que o marketplace se soma ao ecossistema delas, as quais, juntas, têm aproximadamente 300 lojas físicas e 500 centros de distribuição.

## Projetos customizados
Leandro Carvalho conta que a iniciativa intercooperativista tem atraído a atenção de outras cooperativas, várias delas interessadas em fazer parte do negócio; porém ainda nada foi definido nesse sentido.

Já pelo know-how adquirido com a operação, o CEO revela que a Supercampo tem desenvolvido alguns projetos customizados B2B, mas mais pontuais, em segmentos como o de sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas. Além disso, por ter tecnologia e soluções, a agtech tem condições de desenvolver também projetos customizados para produtores não cooperados, mas “esse não é o nosso foco”.

O que virá no futuro ainda é uma incógnita. Fato é que “juntar a tecnologia com o agro abre grandes oportunidades”, conclui Carvalho, cuja principal missão é tornar a Supercampo a maior comunidade do agronegócio até 2025.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Cultura organizacional
9 de janeiro de 2026
Alta performance contínua é uma ilusão corporativa que custa caro: transforma excelência em exaustão e engajamento em sobrecarga. Está na hora de parar de romantizar quem nunca para.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de janeiro de 2026
Diversidade não é jogo de aparências nem disputa por cargos. Empresas que transformam discurso em prática - com inclusão real e estruturas consistentes - não apenas crescem mais, crescem melhor

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de janeiro de 2026
E se o maior risco estratégico para 2026 não for uma decisão errada - mas uma boa decisão tomada com base em uma visão de mundo desatualizada?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

8 minutos min de leitura
Estratégia, ESG
6 de janeiro de 2025
Com a reforma tributária e um cenário econômico mais rigoroso, 2026 será um divisor de águas para PMEs: decisões de preço deixam de ser operacionais e passam a definir a sobrevivência do negócio.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
5 de janeiro de 2026
Inovar não é sinônimo de começar do zero. A lente da exaptação revela como ideias e recursos existentes podem ser reaproveitados para gerar soluções transformadoras - da biologia às organizações contemporâneas.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de janeiro de 2026
Em 2026, não será a IA nem a velocidade que definirão as empresas líderes - será a inteligência coletiva. Marcas que ignorarem o poder das comunidades femininas e colaborativas ficarão para trás em um mundo que exige empatia, propósito e inovação humanizada

Ana Fontes - Fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME. Vice-Presidente do Conselho do Pacto Global da ONU Brasil e Membro do Conselho da Presidência da República - CDESS.

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de janeiro de 2026
O anos de 2026 não será sobre respostas prontas, mas sobre líderes capazes de ler sinais antes do consenso. Sensibilidade estratégica, colaboração intergeracional e habilidades pós-IA serão os verdadeiros diferenciais para quem deseja permanecer relevante.

Glaucia Guarcello - CEO da HSM, Singularity Brazil e Learning Village

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de dezembro de 2025
Segurança da informação não começa na tecnologia, começa no comportamento. Em 2026, treinar pessoas será tão estratégico quanto investir em firewalls - porque um clique errado pode custar a reputação e a sobrevivência do negócio

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

2 minutos min de leitura
ESG
30 de dezembro de 2025
No dia 31 de dezembro de 2025 acaba o prazo para adesão voluntária às normas IFRS S1 e S2. Se sua empresa ainda acha que tem tempo, cuidado: 2026 não vai esperar. ESG deixou de ser discurso - é regra do jogo, e quem não se mover agora ficará fora dele

Eliana Camejo - Conselheira de Administração pelo IBGC e Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Aprendizado
30 de dezembro de 2025
Crédito caro, políticas públicas em transição, crise dos caminhões e riscos globais expuseram fragilidades e forçaram a indústria automotiva brasileira a rever expectativas, estratégias e modelos de negócio em 2025

Bruno de Oliveira - Jornalista e editor de negócios do site Automotive Business

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança