Gestão de Pessoas

Tendências e transformação do RH – parte 1

Transformações ocorridas nos últimos anos, algumas antes da pandemia, reconfiguram o RH e revelam tendências que vão desde responsabilidade social até o fim de conceitos de negócio que duraram três décadas

Compartilhar:

Numa série de dois artigos, apresentamos inicialmente seis tendências que estão mudando o setor do RH das organizações. Algumas mudanças surgiram antes da pandemia e foram potencializadas pelas consequências da covid-19. Outras transformações passaram a ocorrer nos últimos dois anos, provocadas justamente pela pandemia.

As novas configurações no RH trazem inúmeros grandes desafios aos profissionais e organizações, como o de engajar profissionais que trabalham de maneira remota. No entanto, as oportunidades para o fortalecimento da área são mais expressivas, acompanhe:

## 1. Liderança com responsabilidade social

Ao longo dos últimos anos, não só por causa da pandemia de covid-19, funcionários e candidatos criaram expectativas antes não vistas sobre o local de trabalho. A principal demanda é estarem inseridos em organizações que contribuem com a sociedade. Desse modo, as empresas que alimentam ou toleram ambientes tóxicos de trabalho não são bem-vistas pelos profissionais. Além disso, as empresas que sustentam esse tipo de conduta prejudicam os ecossistemas de negócios.

A partir desse contexto, liderar a responsabilidade social da empresa estará no topo da lista de oportunidades do RH. No exercício prático da função, esse tipo de profissional deverá intervir quando observa uma série de ações e hábitos que agridem os fundamentos de responsabilidade social da organização, como:

– Quando os conselheiros fazem piadas duvidosas, com teor preconceituoso;
– Quando uma candidata mais qualificada não é indicada para o trabalho por ser mulher;
– No momento em que uma denúncia é negligenciada;
– Quando as condições de trabalho são inseguras do ponto de vista físico e psicológico/emocional;
– Casos em que os sistemas de inteligência artificial tiram conclusões preconceituosas, envolvendo racismo, por exemplo.

No mais, dois livros podem ajudar a entender melhor essa primeira tendência: A guerra pela Uber, do jornalista Mice Isaac, e Ela disse: os bastidores da reportagem que impulsionou o #MeToo de Jodi Kantor e Magan Twohey.

## 2. A procura da personalidade antifrágil

Figura conhecida no universo corporativo e dos investimentos, o escritor e analista de risco Nassim Nicholas Taleb lançou em 2012 um livro que apresenta um conceito de antifragilidade. Na obra, Taleb escreve que ser antifrágil é estar “além da resiliência ou robustez”, e argumenta que “o resiliente resiste a choques e permanece o mesmo; o antifrágil melhora”.

Sem dúvida, a personalidade tornou-se um dos elementos mais importantes nos processos de seleção, principalmente nos últimos dois anos de pandemia. Desse modo, é uma tendência do RH a busca por pessoas com capacidade de serem ágeis em aprender e antifrágeis o suficiente para se recuperarem de situações turbulentas, alcançando um nível de maturidade até mesmo superior diante ou após uma crise.

Lógico que o conceito levantado por Taleb necessita de mais embasamentos científicos. Além disso, testes confiáveis terão que ser desenvolvidos. No entanto, haverá uma alta demanda por personalidades antifrágeis.

Ainda sobre essa tendência, é importante observarmos ainda uma possível dicotomia entre personalidades antifrágeis, ou que almejam a antifragilidade, e os recentes enfoques de geração contínua de felicidade e bem-estar no trabalho.

Como recomendação de leitura, a melhor indicação sem dúvida é a fonte original do conceito, o livro de Taleb Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos. O autor também abordou o conceito durante o HSM Experience. O conteúdo está [disponível no Youtube](https://www.youtube.com/watch?v=94C-Lbms5u8).

## 3. Fim dos business partners (BPs)

No RH, o conceito e a prática de contar com parceiro de negócio surgiu no início dos 1990, e no decorrer de 30 anos esse tipo de iniciativa cresceu dentro das organizações. No entanto, nos últimos anos, houve um declínio nesse tipo de relação e a tendência é que o número de parceiros de negócio seja cada vez mais reduzido.

Desse modo, o RH das empresas deve concentrar esforços em operações, pessoas e clientes, criando um núcleo mais robusto focado em exercer um trabalho de alto nível, investindo e utilizando tecnologias avançadas do setor.

Na prática dos negócios, as organizações maiores devem contratar apenas alguns consultores e parceiros. No entanto, como tendência, o foco do RH deve ser a de um combustível na força de trabalho das empresas, sendo setor parceiro dos clientes e dos demais stakeholders dentro das organizações.

## 4. O escritório híbrido

Historicamente, o local de trabalho mudou nas últimas décadas: desde escritórios com salas pequenas até open space para todos os funcionários, incluindo escritórios direcionados para diversas atividades, desde redações, reuniões, brainstorming, one-one, dentre outros espaços voltados para atividades mais específicas.

Nos últimos dois anos, com a pandemia, um novo capítulo foi aberto e está sendo escrito na história dos escritórios. Nessa nova passagem histórica, os escritórios híbridos ganham destaque.

Esses novos espaços de trabalho são personalizáveis e levam em consideração a natureza do trabalho exercido no dia a dia, bem como a personalidade do colaborador e sua situação domiciliar. Essa tendência não decreta o fim dos escritórios multiúso, pois esses espaços continuam disponíveis para os colaboradores, assim como ocorre com os espaços de coworking.

Para compreender essa tendência, leia o artigo *[Purpose of Place: History and Future of the Office](https://www.google.com/url?q=https://www.cushmanwakefield.com/en/insights/covid-19/the-future-of-the-office-space&sa=D&source=docs&ust=1634334373488000&usg=AOvVaw3fiGfhu01uKz4eNxL1o7XP)*, material escrito por especialistas da Cushman & Wakefield. Outra dica é acompanhar o site da arquiteta Marisa Toldo, fundadora do [Space Your Place](https://www.spaceyourplace.com/).

## 5. Desafio do engajamento remoto

Com os funcionários e escritórios fisicamente desconectados, as empresas e o RH, em específico, têm a missão de manter engajados os colaboradores que atuam de maneira remota. Na rotina do trabalho híbrido, a vida doméstica invade o espaço do trabalho e vice-versa, o que torna os laços com a atividade profissional mais frouxos no cotidiano.

Em síntese, trabalhar mais em casa aumentará o risco de distanciamento e de menor engajamento da equipe. Essa nova realidade traz desafios e oportunidades para os recrutadores.

Sem dúvida, a longo prazo, os efeitos do trabalho em casa deverão ser estudados. Na esteira desse processo, o RH precisa se certificar de que os colaboradores estão sustentando a prática do pertencimento em equipe, e se confiam realmente na liderança da organização, reconhecendo no alto comando o sentimento de engajamento mútuo.

## 6. Mapeando habilidades adjacentes

Há diversas maneiras de olhar para o trabalho do RH. Uma delas é compreender a atuação do RH voltado ao trabalho, e a outra orientada para habilidades. Nesse último caso, profissionais e empresas do setor precisam ter a capacidade de reconhecer as habilidades atuais e as que podem ser adquiridas no futuro das profissões.

Na prática, por mais que esse tipo de mapeamento seja comum para empresas e profissionais do RH, daqui para o futuro a tendência será de detectar mais habilidades adjacentes em colaboradores e entre profissionais que disputam vagas.

Para desenvolver essa capacidade de identificar habilidades adjacentes, é possível, por exemplo, pesquisar durante um processo de seleção as habilidades que os candidatos podem executar ou que estão aprendendo, mas que temem colocar no currículo – ou falar durante a entrevista – por falta de experiência. Em outras palavras, mapear e ressaltar habilidades adjacentes é também um exercício de motivação para os candidatos.

Outra dica é apoiar o desenvolvimento de uma nova carreira ao sugerir aos funcionários e candidatos quais habilidades adjacentes podem enriquecer suas carreiras e trazer mais chances de sucesso profissional no futuro.

Para começar a compreender a importância desse tipo de tendência, é recomendável a leitura de um artigo da McKinsey & Company: *[Hire more for skills, less for industry experience](https://www.mckinsey.com/business-functions/people-and-organizational-performance/our-insights/the-organization-blog/hire-more-for-skills-less-for-industry-experience)*.

## EVENTO: Para humanizar a gestão de pessoas

Olhando para boa parte dessas tendências e adicionando novas camadas no futuro desafio do RH, a LG lugar de gente, promove o evento online Conexão LG – Humanizar com tecnologia: uma nova perspectiva para a gestão de pessoas. O encontro virtual acontece no próximo dia 20 de outubro, com início às 9h. Para se inscrever e conferir a programação do encontro, basta acessar o [site do evento](https://conexoeslg.com.br/?keyword=conex%C3%B5es%20lg&creative=549397022638&gclid=Cj0KCQjwwY-LBhD6ARIsACvT72Odxwhkpv8L3Lsy_61XXAJPIkBJuwAsvlScBzn5pnMs1y0Embu_3_8aAr8EEALw_wcB).

Ao longo da programação, participam dos debates o filósofo, professor e doutor em educação, Mário Sérgio Cortella, o diretor da HR Trend Institute – Amsterdã, Tom Haak, o cofundador da HSM, José Salibi Neto e a fundadora do Movimento Black Money, Nina Silva.

O evento conta ainda com a participação de Augusto Lins, presidente da Stone Pagamentos; Eduardo Farah, consultor e professor mindfuss; Felipe Azevedo, presidente da LG lugar de gente; Heverton Peixoto, presidente da Wiz; Marcello Porto, vice-presidente da LG lugar de gente; e Gabrielle Teco, CEO da Qura Editora e diretora-executiva da __HSM Management__.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Marketing & growth, Estratégia, Liderança
23 de junho de 2026 14H00
Uma meta mal definida não impulsiona, trava. Este artigo revela como metas mal calibradas podem desconectar equipes e comprometer resultados, mostrando que o verdadeiro desafio da liderança está em equilibrar ambição e viabilidade para sustentar desempenho ao longo do tempo.

Denise Joaquim Marques -Consultora de negócios especializada em Vendas e Marketing

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
23 de junho de 2026 08H00
Em organizações que cobram inovação, mas penalizam o erro, este artigo revela um paradoxo central: sem espaço para frustração e aprendizado, equipes deixam de evoluir, e a transformação que se busca nunca acontece de fato.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 15H00
Talvez o maior erro da inovação seja tentar adivinhar o futuro, em vez de entender o que já está diante de nós.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra como o avanço da IA e da computação em nuvem está redesenhando a eficiência operacional, e por que uma nova geração de gestão de custos se tornou estratégica.

Paulo Laurentys - Chief Commercial Officer (CCO) da A3Data

4 minutos min de leitura
Liderança
21 de junho de 2026 15H00
A partir de uma experiência em meio a mudanças estruturais no setor financeiro, este artigo mostra que, em cenários de alta complexidade, o papel da liderança vai além da operação, exigindo capacidade de sustentar cultura, alinhar expectativas e manter a confiança em meio à incerteza.

Victor Papi - General Manager da Transfeera

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
21 de junho de 2026 08H00
Pagar mais já não basta, médicos estão escolhendo onde trabalhar pelo “como”, não pelo “quanto”. Este artigo revela como a disputa por médicos qualificados está sendo redefinida por fatores estruturais, organizacionais e de experiência profissional.

Rafael Duarte - CEO e fundador do Grupo RD Medicine

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
20 de junho de 2026 14H00
Se mais gente não significa mais resultado, o que ainda justifica equipes gigantes? Este artigo revela como a inteligência artificial está redefinindo estruturas, papéis e critérios de eficiência nas áreas de marketing e growth.

Brian Bittencourt - VP de Growth & Marketing da Woba

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
20 de junho de 2026 08H00
Mais de 92 mil pessoas foram demitidas em tech só nos primeiros meses de 2026, ao mesmo tempo em que big techs reportavam resultados recordes. O Gartner mostra que esses cortes não estão entregando ROI. O problema não é a tecnologia, é a intenção por trás dela.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

12 minutos min de leitura
Lifelong learning, Inovação & estratégia
19 de junho de 2026 14H00
Por trás de um dos reconhecimentos mais cobiçados da AWS, este artigo mostra que o verdadeiro diferencial não está em acumular certificações, mas em construir conhecimento consistente a partir da prática, da comunidade e da evolução contínua.

Alceu Conerado Neto - COO da Dati

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, User Experience, UX
19 de junho de 2026 08H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo expõe um erro recorrente nas organizações: confundir treinamento com preparo e transferir a curva de aprendizagem para o cliente, com impactos diretos na experiência e nos resultados.

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão