Gestão de pessoas, Carreira
Oferecido por:

Tomorrowland: o futuro do trabalho e das carreiras

Os novos paradigmas do mundo do trabalho exigem a reinvenção das organizações de dentro pra fora. O seu RH está preparado para esta transformação?
Sócio diretor da Tailor | Headhunter & Estrategista de RH. É conselheiro de administração & advisory de startups e mentor de carreiras. Tem grande experiência em processos de identificação de talentos, transformação cultural e turnaround de modelos de negócio. É autor do livro *O acaso não existe*.

Compartilhar:

Sempre estou buscando me atualizar em relação ao futuro do trabalho, das carreiras e o papel do RH nas organizações. Para isso, participo de diferentes e divertidos eventos, e leio importantes estudos e pesquisas que versam sobre estes assuntos. Este artigo é fruto desses meus movimentos e tem como objetivo conectar e sintetizar alguns importantes pontos sobre o futuro.

As principais reflexões que abordarei aqui foram consolidadas a partir de um paper produzido pela consultoria EY sobre o futuro do trabalho, do conceito da “Era da trabalhabilidade”, desenvolvido pelo colega Rafael Souto, CEO da Produtive, e, por fim, de algumas das contribuições do presidente executivo da Fundação Dom Cabral, Antonio Batista da Silva Junior e do querido professor Zeca de Mello, também integrante da Fundação. Ao mesclá-las, espero contribuir para sua inspiração e ação em direção ao [futuro da sua carreira](https://www.google.com/url?q=https://www.revistahsm.com.br/post/o-futuro-sob-lentes-multifocais&sa=D&source=docs&ust=1635177920596000&usg=AOvVaw22KS0rYOf9lyowj8PWyfYK).

## Três tendências para o futuro do trabalho

De acordo com o paper da EY, as empresas têm que se preparar para enfrentar e lidar com pressões crescentes sobre sua força de trabalho, ao mesmo tempo em que devem buscar agilidade operacional, conquista da confiança dos stakeholders, ações de expansão de mercado e controle de custos. Essas pressões sobre os colaboradores decorrem do próprio cenário competitivo das organizações, mas também de novos desafios impostos pela globalização, mudanças na demografia, novas tecnologias, inovação, aspectos regulatórios, entre outros.

A partir deste contexto, a consultoria destaca as principais tendências que têm rompido os paradigmas do mundo do trabalho e da agenda estratégica de recursos humanos.

__1. Mudanças demográficas e desenvolvimento de talentos:__ A modificação da pirâmide demográfica – com crescente número de pessoas mais velhas em relação ao conjunto de jovens e crianças – impõe modificações profundas nas relações de trabalho, bem como no comportamento e gastos dos consumidores.

__2. Ascensão tecnológica e transformação do RH:__ A grande quantidade de informação disponível nas empresas, impulsionadas pelos conhecimentos de análise de dados (analytics), pode ajudar as áreas de recursos humanos a entender melhor seus funcionários, descortinando padrões de comportamento que antes não poderiam ser identificados e suas conexões com as ações das pessoas.

__3. Crescente expectativa e engajamento dos colaboradores:__ Funcionários que sentem que possuem controle sobre as variáveis que influenciam seu trabalho terão maior comprometimento com a melhoria dos resultados da companhia. De maneira geral, [talentos engajados](https://www.google.com/url?q=https://www.revistahsm.com.br/post/novas-perguntas-para-uma-experiencia-aprimorada&sa=D&source=docs&ust=1635178157685000&usg=AOvVaw36vSckKYlD2WCc43hf3hq9) implicam clara vantagem competitiva para as organizações.

__4. Força de trabalho global:__ Por volta de 2025, haverá cerca de 10 bilhões de pessoas em nosso planeta e apenas 15% delas estarão trabalhando nos países de alta renda. As empresas são, desde já, desafiadas a ir além de seus mercados em busca de talentos, enquanto tentam criar um ambiente que congregue e dê suporte a todas as diferenças.

Os insights do paper da EY trazem com clareza quais as principais mudanças que estão acontecendo ou que acontecerão no mercado e que influenciarão as organizações de fora para dentro. Já o colega Rafael Souto elencou quais são as mudanças que devemos buscar de dentro para fora, e que certamente estimularão o movimento de inquietude que as pessoas têm apresentado – ou deveriam apresentar – neste contexto.

## A era da trabalhabilidade

A “era da trabalhabilidade”, conceituada por Souto em uma das suas inúmeras palestras, evidencia o surgimento de um cenário que reforça que as pessoas querem trabalhar em empresas com diferentes dinâmicas. O antigo método de comando e controle já não funciona mais.

Os indivíduos querem trabalho, mas com ciclos de aprendizados/desenvolvimento que durem, no máximo, dois anos – afinal, “somos um pouco de cada encontro que temos”, diz Souto –, até porque a vida útil das empresas é menor do antigamente, ainda que existam alguns jovens com mindset do passado, principalmente focado na busca e manutenção da estabilidade do emprego. “Isso exemplifica o novo velho e o velho novo”, de acordo com o CEO da Produtive.

Neste momento de intensas mudanças, presenciamos o fim do plano linear de carreira, conhecido por muitos como plano de carreira, e abre-se espaço e oportunidade para aqueles que possuem o [mindset de protagonista de carreira](https://www.revistahsm.com.br/post/nao-terceirize-a-sua-carreira). Esta mentalidade é marcada por profissionais que correm atrás e buscam os seus sonhos, e que sabem que o plano de vida e plano de carreira se cruzam e se complementam (o termo life design ganha corpo nesse movimento). Os talentos que são estes protagonistas escolhem mais as empresas do que estas os escolhem.

Com isso, passa a figurar na agenda dos executivos algo novo e fundamental, que é o preparo, a prontidão e a responsabilidade da liderança (com destaque para a alta liderança) na criação de ambientes que promovem o diálogo e a orientação das carreiras de suas equipes (incluindo a dos líderes!). Os líderes devem deixar de lado o foco na promoção de cargos e intensificar a priorização da promoção da prontidão dos seus liderados para os desafios do futuro (do trabalho e da trabalhabilidade). Em virtude deste cenário, surge a urgência de se redesenhar as organizações.

## O legado dos executivos

Tive a oportunidade de ouvir Antonio Batista da Silva Junior, presidente da Fundação Dom Cabral, sobre o papel do executivo deste século, que é o de deixar legados para a sociedade, para a comunidade e para o ecossistema. Sendo assim, estes profissionais deveriam trabalhar mais os seus três “Ps”: Particular, Profissional e Público para que possam dialogar sobre carreiras com o seu time. Antonio ressalta que este diálogo tem que acontecer com um olhar focado em propósito, em causa, em tomada de consciência e, para isso, os líderes devem antes buscar os seus caminhos e desenvolver os seus recursos internos, afinal “as pessoas não dão aquilo que elas não possuem”, como ouvi de um colega recentemente.

## Capacidade de criação

Por fim, trago as maravilhosas provocações do querido professor Zeca de Mello, que tratou da importância das artes, num mundo onde a inovação exige mais do que nunca o desenvolvimento das capacidades de criação do indivíduo.E, sem arte, não se cria, não se transforma.

Entretanto, para criar coisas novas e fazer a diferença a partir das nossas artes, Mello destaca que precisamos ter espaço para essas construções, que tolere o erro, que nos ajude a mudar de perspectiva, mas que, principalmente, seja um ambiente de confiança. O que é melhor: ter certeza ou confiança? É lógico que confiança, mas antes de conhecer, temos que confiar.

## Construção de relações de confiança

Segundo Zeca, a confiança se cultiva, e cresce alicerçada na qualidade das nossas relações.

“Não existe relação de confiança sem uma fragilidade exposta”.

Termino o artigo reforçando que o futuro do trabalho já é hoje. Assim, não temos mais como dar continuidade à ilusão dos planos lineares de carreiras e à manutenção dos atuais desenhos organizacionais. Acredito que o papel da área de recursos humanos já deveria ter mudado para uma posição mais protagonista de apoio às lideranças, no zelo do desenvolvimento dos espaços de diálogos de carreira com as equipes (diálogos colaborativos), pautados na construção e fortalecimento de [ambientes de confiança](https://www.google.com/url?q=https://www.revistahsm.com.br/post/como-medir-o-risco-psicologico-das-organizacoes&sa=D&source=docs&ust=1635178103732000&usg=AOvVaw2qV2AiUcDUUy4szoP85pkV).

Esses movimentos dão força para as organizações como um todo (e não apenas algumas lideranças ou um ou outro departamento) colocarem energia no seu “core”, ou seja, colocar energia no seu coração… Que são as pessoas! Já chegamos a Tomorrowland.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução