Gestão de Pessoas

Trabalho remoto é bom quando e para quem?

A onda contra o trabalho remoto finalmente apareceu. Saímos de "precisamos garantir segurança" para "hora de construirmos nossa cultura novamente". Mas, afinal, e o colaborador nessa discussão? Será que funciona? Como fazer esse diagnóstico?
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

É interessante ver a cara de angústia das pessoas quando o tema trabalho remoto entra na roda. Ele é sempre polarizado, então provoca em nós muitas emoções.
Não vou defender nenhum lado nesse texto, mas trazer algumas questões que nós podemos levar em consideração sobre qual formato responde melhor aos nossos desafios profissionais e pessoais que, obviamente, se misturam em algum momento.

Comecemos pelos desafios pessoais:

__1. Eu tenho um lugar para adequado para me concentrar?__ Se eu não tiver um local adequado, pode ser mais estressante ficar em casa do que ir trabalhar.

__2. Como anda minha “bateria social”?__ Para as pessoas que se sentem esgotadas depois de muita interação, uma certa distância pode fazer bem. Para quem precisa e gosta de ver gente, trocar ideias, rir, o isolamento pode ser bastante penoso.

__3. Eu consigo me exercitar minimamente se eu ficar em casa?__ Se a resposta é positiva, compensa. Eu não estou nesse grupo. Se eu fico em casa, ando miseráveis mil passos no dia. Para mim é um ponto de atenção = ficar em casa é sinônimo de sedentarismo.

__4. Eu tenho quanto tempo de empresa?__ Se eu conheço bem meus colegas, pares e liderança, e nós temos uma boa relação de confiança, ficar em casa é menos desafiador. Se eu sinto que preciso fortalecer laços, pois, eventualmente, acabei de mudar de empresa, ainda não inventaram nada melhor que o olho no olho para isso.

__5. A câmera tem que estar on.__ Tenho disposição para abrir a câmera em toda interação? Se sim, ponto pro trabalho remoto. Mas se eu odeio, e acho completamente desnecessário, bem…talvez você tenha mais chance de viver fortes emoções.

Agora falemos dos desafios para a empresa:
__1. Onde as pessoas moram?__ Claro que é mais fácil alguém que mora a uma distância de 5 km do trabalho achar razoável ir para o escritório. Provavelmente a pessoa leve 30-40 min para se deslocar. Na prática, estamos falando de 6h por semana de deslocamento. E onde mora a maior parte da sua força de trabalho? Se as pessoas gastam 2h para se deslocar para o trabalho, ela perde 20h por semana…

__2. A minha força de trabalho está na empresa há muito tempo?__ Quando as pessoas se conhecem bem é mais fácil fazer acordos. Quando temos um turnover mais alto, com trocas constantes de pessoas, elas precisam de mais convivência para entender a cultura. Nesse caso, o trabalho presencial acelera o processo.

__3. O trabalho híbrido seria um caminho?__ Depende. As reuniões híbridas são desafiadoras para quem conduz. Em geral não damos a mesma oportunidade de fala, nem a mesma atenção. O trabalho híbrido tem mais chance de sucesso se todos estão remotos ao mesmo tempo. Há empresas que combinam o jogo: alguns dias todo mundo vai para o escritório. Em outros dias, ninguém vai presencialmente. Esse jogo é mais fácil de ser jogado.

__4. As regras do jogo são claras?__ Sempre que há não-ditos, há estresse e frustração. Não considere trivial reforçar as regras do jogo. A gente acomoda alguma flexibilidade de horário no trabalho remoto ou prefere que todos estejam juntos das 8h às 17h? O trabalho precisa ser síncrono? Quantas vezes por semana eu espero que as pessoas façam trabalho remoto? Como vamos medir os compromissos do ano?

__5. A liderança reconhece as diferenças de gerir trabalho remoto?__ As configurações de equipe sempre foram variadas. Não é de hoje que existem equipes cuja liderança fica, por exemplo, em outro país e fala outra língua. Isso não significa que a experiência seja melhor ou pior. Mas sempre a liderança está atenta a diferentes necessidades das pessoas. Dá mais trabalho ter times remotos. É mais difícil entender necessidades se a gente não está tão perto. Redobre a atenção na comunicação nesse caso.

6. Por fim, mas não menos importante, passamos os últimos anos discutindo formas de incluir diversidade nas organizações. Adivinhe? __Pessoas diferentes têm necessidades diferentes.__ Se temos diversidade, talvez nossas regras precisem ser mais flexíveis, o que é bem diferente de não ter regras, ou não ter gestão de consequências.

Seja qual for o modelo de trabalho, há perdas e ganhos. Há coisas mais fáceis e mais difíceis. Que a gente sempre tenha uma brecha na regra para renegociar o que é importante e melhor nossa relação e nossas entregas.

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

“Invisible IT”: Sua empresa sabe quantos agentes de IA estão tomando decisões em seu nome?

Agentes inteligentes capazes de acessar sistemas e tomar decisões já fazem parte da rotina de muitas organizações. O problema é que boa parte deles foi criada fora dos mecanismos tradicionais de controle. O texto discute por que empresas precisarão tratar agentes de IA como identidades corporativas formais, sujeitas às mesmas regras de supervisão, segurança e responsabilização aplicadas a qualquer colaborador ou sistema crítico.

Sabedoria: a competência que a inteligência artificial não pode substituir

Quanto mais inteligentes se tornam as máquinas, maior parece ser a necessidade de desenvolver capacidades profundamente humanas. O artigo discute como empatia, autoconsciência, propósito e discernimento podem se tornar elementos centrais da liderança em um mundo onde a inteligência está cada vez mais acessível, mas a sabedoria continua sendo uma escolha.

Os oito pilares que sustentam uma estratégia sólida de IA

O sucesso das iniciativas de inteligência artificial depende de muito mais do que bons algoritmos. O artigo explora os elementos fundamentais para transformar a IA em uma ferramenta estratégica de negócios, conectando inovação, governança, segurança, compliance e desenvolvimento organizacional.

74% das empresas consideram a cibersegurança de terceiros muito importante

A porta de entrada para um incidente cibernético nem sempre está dentro da organização. Em muitos casos, ela pode estar em um parceiro, prestador de serviço ou fornecedor com acesso a sistemas, dados e processos críticos. O artigo explora por que a gestão de terceiros se tornou um dos principais desafios da segurança digital contemporânea.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
7 de novembro de 2026 16H00
Agentes inteligentes capazes de acessar sistemas e tomar decisões já fazem parte da rotina de muitas organizações. O problema é que boa parte deles foi criada fora dos mecanismos tradicionais de controle. O texto discute por que empresas precisarão tratar agentes de IA como identidades corporativas formais, sujeitas às mesmas regras de supervisão, segurança e responsabilização aplicadas a qualquer colaborador ou sistema crítico.

Fernando Arditti - Vice-presidente e gerente-geral para a América Latina da WSO2

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Finanças
7 de novembro de 2026 08H00
O Pix mostrou que soluções simples e digitais podem alcançar rapidamente até mesmo os públicos historicamente menos atendidos pelo sistema financeiro. O próximo desafio é permitir que esses mesmos brasileiros tenham acesso a crédito compatível com sua realidade, potencializando renda, negócios e oportunidades de crescimento.

Rafaela Cavalcanti - Cofundadora e CEO da CloQ

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
6 de novembro de 2026 15H00
Quanto mais inteligentes se tornam as máquinas, maior parece ser a necessidade de desenvolver capacidades profundamente humanas. O artigo discute como empatia, autoconsciência, propósito e discernimento podem se tornar elementos centrais da liderança em um mundo onde a inteligência está cada vez mais acessível, mas a sabedoria continua sendo uma escolha.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
6 de novembro de 2026 08H00
O artigo explora como empresas de hospitalidade e entretenimento podem integrar marketing, operação e relacionamento para transformar uma compra em uma conexão contínua com a marca.

João Biancardi - Diretor de Marketing, CRO e Experiência do Cliente do Grupo Mabu

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia
5 de novembro de 2026 14H00
O sucesso das iniciativas de inteligência artificial depende de muito mais do que bons algoritmos. O artigo explora os elementos fundamentais para transformar a IA em uma ferramenta estratégica de negócios, conectando inovação, governança, segurança, compliance e desenvolvimento organizacional.

Sergio Hirase - CTO do Mycon

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
5 de novembro de 2026 08H00
A porta de entrada para um incidente cibernético nem sempre está dentro da organização. Em muitos casos, ela pode estar em um parceiro, prestador de serviço ou fornecedor com acesso a sistemas, dados e processos críticos. O artigo explora por que a gestão de terceiros se tornou um dos principais desafios da segurança digital contemporânea.

Bruno Santos -Ssócio e CRO da área de Gestão de Terceiros da Bernhoeft

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
4 de novembro de 2026 14H00
Mais do que decidir quanto automatizar, líderes e organizações precisarão aprender a desenhar processos que combinem criatividade, julgamento, validação e execução para gerar resultados melhores do que aqueles que humanos ou máquinas seriam capazes de produzir isoladamente.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

16 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de novembro de 2026 12H00
Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Camila Besseler - Fundadora e CEO da mCMOs, ecossistema para mulheres da alta liderança em marketing, growth e receita. Tem 25 anos de experiência na interseção entre estratégia, marca, dados e receita, com passagens por Grupo Tigre e CI&T. Estuda sistemas — o marketing é um deles — e escreve sobre estratégia, mercado e melhores decisões.

8 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
4 de novembro de 2026 08H00
Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Nayron Russo - Advogado e sócio do escritório Aroeira Salles

4 minutos min de leitura
Liderança
3 de novembro de 2026 14H00
O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT